Tipos de Psicoterapias

Tipos de Psicoterapias: história e princípios

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Desde as críticas à Psicanálise freudiana feita por Bakhtin (O Freudismo, 2001), por exemplo, os tipos de psicoterapias não pararam de evoluir visando uma compreensão e resolução interna.

Quanto a abordagem propriamente psicanalítica o triângulo edipiano é seu coração e justamente aí reside uma das maiores críticas, como a advinda da Esquizoanálise.

Tipos de Psicoterapias

Todavia, as Psicoterapias não se reduzem à Psicanálise. Dada a própria fundamentação filosófica-epistemológica da Psicologia, existem várias escolas como a Fenomenológica-existencial fundamentadas em Husserl, Ponty, Heidegger, Sartre e várias linhas como o Behaviorismo, a Gestalt, o Psicodrama entre outras, igualmente sustentadas sobre as escolas filosóficas.

Quanto aos quatro elementos básicos em comum das Psicoterapias, a teoria sobre a mente humana é um dos elementos mais filosóficos dentro da Psicologia.

A relação da Psicologia com os tipos de Psicoterapias

Husserl, o pai da Fenomenologia, afirmava em La crise des sciences européennes et la phénoménologie transcendentale (1976), que a Psicologia do século XIX tinha uma teoria do conhecimento que argumentava que este se originava por atos mentais. Estes são distintos de indivíduo para indivíduo.

A partir dessa premissa, o conhecimento seria somente subjetivo impossibilitando que dois sujeitos mencionassem um mesmo objeto da mesma maneira. Mais precisamente, o conhecimento objetivo e universal ficava impossibilitado.

Os tipos de Psicoterapias e o psicologismo

Um exemplo simples do psicologismo criticado por Husserl é que dois indivíduos observando uma maça resultaria no fato de haver uma maça para cada indivíduo. Elas seriam distintas.

Eis que essa interpretação psicologista do conhecimento é alvo da crítica husserliana e permite que a própria Psicologia se afirmasse como Ciência saindo da cilada em que se encontrava no seio filosófico.

Ao defender que qualquer atitude psicológica se remete a uma fenomenologia, lê-se em Husserl (Ideas relativas a una fenomenologia pura y una filosofia fenomenológica, 1986) que fenômeno é o objeto como aparece à consciência.

A contribuição de Husserl

A argumentação fenomenológica ao começar afirmando o fenômeno escapa da noção de que a consciência é isolada, vazia e que fica na espera de ser preenchida pela experiência. Ao retomar o conceito de Brentano (Psychology from an Empirical Standpoint, 1995) de intencionalidade recuperado por este da escolástica.

No senso comum intenção tem a ver com a vontade, com um ato de vontade que levaria à ação. Não é nesse sentido que Brentano e, depois Husserl, entendem o termo. A intenção, diz Husserl, é puramente cognitiva, um ato pelo qual o sujeito conhece o objeto.

Isto é, toda consciência é consciência de alguma coisa; sujeito e objeto são indissociáveis. Um exemplo clássico é a autorreflexão.

O consciente e o ato mental/cognitivo em relação aos tipos de psicoterapias

Quando o eu (o sujeito) toma consciência de si mesmo, o eu se torna objeto do sujeito que reflete, se torna objeto de si mesmo. Pela intencionalidade, uma análise descritiva da consciência explicará as relações essenciais entre noesis e noema, respectivamente atos mentais e percepção.

Desta forma, o conhecimento não acontece para o eu, é antes uma ação, um ato mental/cognitivo. É assim que Husserl supera o empirismo mecanicistas. Este atribui ao objeto a condição de ativo e em consequência ao sujeito a condição de passivo. A fenomenologia, portanto, afirma que é o sujeito que tende ao objeto, nesse sentido, o sujeito é ativo.

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A crítica husserliana ao psicologismo

Assim a crítica husserliana ao psicologismo afirma que o psicologismo confunde noesis e noema. A etimologia de noesis remete a ideia de captar. Já o noema é o percebido. Mais precisamente, é o objeto captado pela reflexão.

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    O noema não é o próprio objeto, mas a sua percepção – o objeto de conhecimento – e seu modo de ser.

    A objetividade é recuperada pela teoria do conhecimento fenomenológica que fora perdida pelo psicologismo. A pergunta é então: como que na consciência o noema a partir da noesis não perde o mundo real, o objeto?

    A obra husserliana e a noesis

    Apesar de ser um processo bastante complexo dentro da obra husserliana, pode-se sintetizar que a noesis é ativa e passiva. Husserl usa do exemplo de um cubo. Diz ele que empiricamente pode-se perceber a um só tempo ao menos três das faces de um cubo.

    Ao se ter mais percepções do cubo, mais vivências, vê-se mais uma face do mesmo. Há, portanto, de modo passivo a percepção das três faces do cubo, porém ao mesmo tempo cria-se uma unidade a partir das várias percepções/vivências do cubo.

    Essa peculiaridade da noesis de ser ativa e passiva permite a construção do sentido transcendental de cubo. Transcendental é a percepção do cubo na mente. Transcendente é o objeto, a coisa, o mundo exterior.

    A Psicologia Psicofísica

    Portanto, é sobre esse arcabouço filosófico que se fala em uma escola fenomenológica-existencial na Psicologia, assim como de uma linha dos tipos de Psicoterapias como a Daseinsanalyse fundada por Binswanger a partir do conceito heideggerianos e a Gestalt terapia desenvolvida por Fritz Perls a partir da fenomenologia.

    Com mais detalhes, a Psicologia de início é praticamente uma Psicofísica por se desenvolver a partir da medicina ao estudar a percepção de forma a quantificar e generalizar as reações a estímulos tal como preconizam os ideais positivistas.

    Uma tendência que se fundamenta no método positivista experimental (herança empirista) é o Behaviorismo ou Psicologia Comportamental.

    O Método Hermenêutico

    Um segundo método que se evidência em contraposição ao Positivista e, a partir da distinção entre explicar e compreender, é o Hermenêutico que se pode definir como humanista em tensão ao naturalista – experimental. Daí a Gestalt e a Psicanálise serem exemplos de tendências que se fundamentam na Hermenêutica.

    Com influência da fenomenologia husserliana, como já dito, a Gestalt busca a compreensão do ser humano em sua totalidade, criticando a tendência empirista por reduzir a percepção a uma sensação isolada e confusa que perde toda a complexidade da percepção que primeiro percebe o todo e não as partes.

    Ao defender as relações, o ser humano é compreendido como um ser relacional que atribui os sentidos dada a intencionalidade da consciência que pode então completar formas (Gestalt) inacabadas, ressignificando as mesmas, ao depois da percepção total atentar-se às partes, aos detalhes.

    A Psicanálise como método Interpretativo

    Um outro exemplo da aplicação do método Interpretativo ou Hermenêutico é a própria Psicanálise.

    Vale dizer que a própria filosofia dual cartesiana permitiu que um interesse maior se voltasse para o que ele chamava de alma (mente, subjetividade).

    Por outro lado, o corpo como máquina passível de observação e controles condicionados permitiu métodos mais mecanicistas/materialistas como o Positivismo que dá as bases epistemológicas ao Behaviorismo.

    Considerações finais

    Nota-se que diferentes linhas se desenvolveram a partir, às vezes, de uma única escola filosófica.

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    Eis que quando se fala de modos de percepção dos afetos da relação terapêutica em suas quatro modalidades (eu sou o outro, eu para o outro, o outro para mim e eu e o outro) está-se numa ordem epistemológica totalmente fenomenológica e, os modos dos vínculos corpo a corpo se estabelecerem, vão variar a cada fenômeno tal como aparece a cada consciência e sua intencionalidade.

     

    O presente artigo foi escrito por Katia Vanessa Tarantini Silvestri([email protected]oo.com.br) Katia é Psicanalista, Filósofa e Psicopedagoga. Mestre e Doutora em Linguística e docente no ensino Superior e de Pós-graduação em MBA.

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