Adoção Tardia

Adoção Tardia: o que é, o que diz a psicologia

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Os comerciais de margarina estão mudando os seus protagonistas. Afinal, a mídia precisou reconhecer que as configurações familiares são, na maior parte das vezes, bem diferentes daquelas mostradas nas telas. De fato, lidar com a realidade e não com fantasias é o melhor a se fazer quando se trata de famílias e, por extensão, da adoção tardia.

O que é adoção tardia?

A adoção tardia é o ato de assumir como filho, por meio de um processo legal, um indivíduo que já possui certa autonomia com relação ao mundo que o cerca. Assim, entende-se que esse processo se dá com crianças a partir de 3 anos.

É importante apontar que esse é um desafio que nem todo mundo está disposto a assumir. Afinal, a adoção já é um processo delicado para muitas pessoas, que geralmente optam por ela quando não têm condições de terem filhos biológicos.

Ainda assim, ela fica muito mais complicada quando existe a preocupação com questões comportamentais e traumas da criança que em tese não seriam tão evidentes no caso de recém-nascidos.

No entanto, a falta de conhecimento e de preparação são os maiores obstáculos para uma adoção tardia de sucesso. Isso porque é possível estabelecer vínculos sadios com crianças de qualquer idade tendo muita paciência e dedicação.

Vale lembrar que o ideal é que as crianças de qualquer idade sejam acolhidas por pessoas que possam dar a elas amor, segurança e orientação.

Quem pode fazer uma adoção tardia?

Claro que nem todas as pessoas são consideradas hábeis para adotar um indivíduo. Por isso, listamos a seguir os critérios que você precisa obedecer para conseguir iniciar o processo de acolher uma criança.

Ter mais de 18 anos de idade

Por motivos óbvios, não é possível adotar alguém quando você ainda não é maior de idade. Por isso, é necessário ter mais de 18 anos para dar início a esse processo.

Ser 16 anos mais velho que a criança que se deseja adotar

Esse é o segundo critério a que o adotante precisa observar. É fundamental que exista essa diferença de idade entre ele e a criança.

Vale destacar ainda que o status civil não é determinante quando se trata de adoção. Assim sendo, o adotante pode ser solteiro, casado ou ter uma união estável. Também não há nenhum impedimento quanto à orientação sexual: heterossexual, homossexual etc.

Em qualquer caso, ele ainda está apto para iniciar o processo.

A realidade da adoção tardia no Brasil

No Brasil, a realidade é que há no Brasil mais adotantes que crianças e adolescentes disponíveis para adoção. No entanto, a maioria das pessoas que desejam a adoção opta por bebês. Assim, as crianças maiores e os adolescentes acabam ficando para trás nas prioridades.

Por essa razão, existem em vários estados programas de incentivo à adoção tardia. O objetivo dos mesmos é aproximar os candidatos das crianças e adolescentes a fim que eles possam conhecer suas histórias e assim flexibilizar os seus critérios de escolha.

De fato, essa aproximação é muito importante no processo de adoção. Infelizmente, ainda é um grande desafio na realidade brasileira. Vale lembrar que adotar não consiste em apenas se responsabilizar judicialmente por uma criança. Nesse processo, é essencial criar um vínculo de confiança com ela. E isso acontece com o tempo.

Iniciativas importantes

Em vista disso, nota-se o quanto é essencial a participação do Estado na criação e implementação de incentivos à adoção tardia. Assim, torna-se possível esvaziar de forma mais rápida os abrigos e conceder lares a essas crianças e adolescentes, nos quais elas poderão se desenvolver de maneira mais segura e feliz.

Também é importante que candidatos à adoção se mostrem mais abertos a expandirem seus conhecimentos sobre o assunto. Isso porque os seus receios relacionados à adoção tardia poderão ser atenuados com mais orientação. É importante que eles estejam cientes de que é possível sim estabelecer vínculos verdadeiros com crianças de qualquer idade.

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Empecilhos para a adoção tardia

Preconceito dos candidatos à adoção

Como já dissemos, um dos grandes obstáculos para a adoção tardia é o receio dos adotantes. Muitos deles têm medo de que a criança tenha episódios de rebeldia, queiram ter ligações com a família de origem, além de também terem dificuldades para se adaptar no novo lar.

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    No entanto, é importante voltarmos a dizer que esses adotantes precisam receber a orientação adequada. Assim, eles precisam entender quais serão os desafios que eles poderão enfrentar e aprender o que eles podem fazer para superar essas crises.

    Em vista disso, é fundamental que eles saibam que não estão sozinhos. Isso porque muitas outras pessoas estão trilhando o mesmo caminho. Assim, por meio de suas experiências, é possível encontrar caminhos possíveis para passar por esse processo de adoção de maneira bem sucedida.

    Despreparo das instituições

    Ainda que existam campanhas que incentivem a adoção tardia, elas ainda parecem ser insuficientes. Afinal de contas, se fosse diferente, a situação atual dos abrigos brasileiros que apresentamos anteriormente não existiria.

    Em vista disso, é fundamental que o Estado se mobilize para criar programas de incentivo ä adoção tardia. Afinal, os candidatos à adoção precisam ser conscientizados de que é possível sim criar vínculos de afeto com crianças maiores. Além disso, precisam saber também que elas anseiam por esse vínculo e precisam dele como qualquer outra pessoa.

    Aspectos inconscientes

    Há aspectos inconscientes que podem surgir no processo posterior à adoção tardia:

    • da parte dos pais: sentimento de superficialidade ou artificialidade nas relações, além de problemas de adaptação com o contexto de “cuidadores”;
    • da parte dos filhos: mesmos sentimentos de superficialidade e artificialidade, além de possibilidade de atitudes agressivas projetivas contra os pais adotivos como forma de confrontar os pais biológicos, a instituição de abrigo em que as crianças ou adolescentes estavam e a sociedade como um todo.

    Estes aspectos conflituosos são, na verdade, passíveis de estarem presentes em todos os tipos de família: pais biológicos, pais adotivos e pais adotivos tardios. De toda forma, há que se ter empatia e entender que sentimentos de ambivalência são normais de acontecerem.

    E, na maior parte das vezes e na maior parte do tempo, a afetividade que se forma no vínculo adotivo pode ser tão ou mais forte que em relação a pais e filhos biológicos.

    Benefícios da adoção tardia para as novas famílias

    Há muitos filmes sobre adoção que são muito interessantes, alguns abordam a temática da adoção tardia.

    Já falamos muito dos problemas que envolvem o acolhimento de crianças maiores. Mas também precisamos falar dos seus benefícios e o significado de adoção tardia para as novas famílias.

    É importante ter em mente que crianças maiores não são totalmente dependentes dos seus pais como um bebê seria. Eles podem executar tarefas corriqueiras que em outro caso necessitariam totalmente de um adulto para fazer como tomar banho, comer ou até mesmo se vestir.

    Em vista disso, esse menor nível de dependência pode ser benéfico para a dinâmica da nova família.

    Também é necessário destacar que há na adoção tardia a possibilidade de conversar com a criança, que poderá se expressar de uma maneira muito mais clara do que um bebê conseguiria. Assim, o diálogo pode também ser um caminho para se estabelecer vínculos.

    A adoção tardia e a Psicologia

    Tendo dito isso, precisamos nos concentrar agora sobre a importância da adoção tardia para a Psicologia. Para isso, abordaremos aqui uma visão da psicanálise winnicottiana (Donald Winnicott) sobre o assunto.

    Em vista dessa linha de pensamento, os pais devem ter paciência no processo de adoção de crianças maiores. Isso porque elas passarão por uma reestruturação do conceito de lar que existe na sua cabeça. É natural, portanto, que ela apresente episódios de ódio e agressividade, por exemplo.

    Por isso, a teoria winnicottiana coloca como decisiva para o sucesso da adoção a capacidade dos adotantes de cuidar dessa criança maior, oferecendo a ela o que ela necessita tendo em vista a sua história prévia.

    Em vista disso, recomendamos fortemente que esses candidatos à adoção estudem Psicanálise, conselho também aplicável a todos os pais, para que eles tenham melhores condições de entenderem a mente de seus futuros filhos.

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    Considerações finais sobre a adoção tardia

    Nesse sentido, o nosso curso de psicanálise 100% online poderá ser um divisor de águas para a criação de vínculos verdadeiros com crianças maiores, mostrando que a adoção tardia é possível. Se informe sobre ele e se dê a oportunidade de entender melhor o comportamento humano. Você verá como valerá a pena!

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