automutilação e adolescente

Automutilação na Adolescência

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Neste trabalho, apresentaremos um caso complexo de múltiplos transtornos, como depressão, distúrbio alimentar, TOC, automutilação na adolescência, etc.

Esta abordagem é relevante para que possamos entender a complexidade da mente e a forma como as relações da infância estão presentes em nossos comportamentos da vida adulta, assim, como para compreender o que é automutilação na adolescência, causas da automutilação na adolescência e o  tratamento para automutilação na adolescência.

O objetivo desse trabalho é demonstrar como de fato o recalcado no inconsciente se apresenta em sintomas somatizados. Esses, que prejudicam o desenvolvimento da vida do paciente e de que maneira a psicanálise pode auxiliar na resolução destas questões e no fortalecimento do Ego.

  • Na primeira parte do trabalho, apresentaremos a paciente Louise.
  • Na segunda parte, abordaremos seu histórico, focando em partes relevantes de sua vida, desde a sua infância até a fase adulta.
  • Na terceira parte do trabalho, traremos informações sobre sua vida na atualidade, com o prosseguimento do tratamento psicanalítico.
  • Concluindo o trabalho com a análise do que foi exposto nos itens anteriores.

Para atingir esses objetivos, a metodologia empregada foi a de transcrições das informações de sessões psicanalíticas realizadas com a paciente, tendo sua autorização para a realização do mesmo. Além da análise do exposto, com respaldo bibliográfico.

 

1. Paciente com quadro de automutilação na adolescência

Louise é uma mulher de 41 anos, separada, com um filho de 9 anos, que trabalha e cuida de casa. Apresentou-se à clínica quando tinha 25 anos com depressão, casos esporádicos de automutilação na adolescência, TOC e bulimia grave com episódios de vômitos diários (cerca de 5 a 6 vezes por dia).

Relatou insônia, ansiedade, descontrole emocional na qual oscila entre agressividade consigo mesma (automutilação na adolescência) e tristeza profunda (muitos choros diários e falta de sentido na vida, desânimo, não consegue ver razão para viver, estudar ou trabalhar). Entretanto, por possuir um alto grau de responsabilidade se pressiona muito e faz suas atividades, mesmo não tendo vontade ou prazer em realizá-las.

 

Sentimentos da paciente

Relata também grande sentimento de culpa, que a angustia sobremaneira.

Louise ao iniciar o tratamento psicanalítico aos 25 anos, prosseguiu por 3 meses com 3 sessões semanais. Dando continuidade, após esse período, com uma sessão semanal.

Fez acompanhamento psicanalítico durante anos, fazendo uso de antidepressivo fluoxetina e há 2 anos também usa o  ansiolítico Donaren Retard. Além desses medicamentos também faz uso de insulina, por ser diabética tipo 1 desde os 7 anos e Puran, a partir dos 20 e poucos anos, por apresentar hipotireoidismo.

Louise estava há dez anos sem terapia, mas continuou o uso de medicamentos, tendo retornado o acompanhamento psicanalítico há 6 meses.

Houve muita relutância em ir à primeira consulta psiquiátrica, bem como à primeira consulta psicanalítica. Desde os 15 anos, os pais ao perceberem a bulimia, automutilação na adolescência e seu estado depressivo, tentaram levá-la, por diversas vezes, às consultas.

 

2. Histórico da paciente com quadro de automutilação

Louise nasceu na cidade de Campinas, sendo a filha mais velha de 3 irmãos. Os irmãos tem diferença de idade, em relação a ela, de 1 ano e meio e 4 anos.

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Durante sua gravidez, a mãe sofreu um assalto, no qual levou muito susto e teve um corte na mão feito pela lâmina do assaltante. Também ouve um episódio em que a mãe sofreu uma queda e um grande susto com o irmão, que colocou a mão pela janela da cozinha enquanto ela lavava louça, pensou ser um assalto e pegou a faca que estava lavando.

A mãe fazia faculdade durante a gravidez e diz que foi o período em que mais teve vontade de estudar. Louise é extremamente inteligente com Q.I. acima da média e nas provas nunca tirou notas abaixo de 8,0, durante o Ensino Médio.

Na faculdade houve episódio de nota 3,5 por ocasião de uma doença grave da mãe, na qual a avó a perturbava, várias vezes ao dia, dizendo que sua mãe iria morrer (Louise estava em período de provas e trabalhando muito, sem conseguir dormir direito e muito preocupada com o estado de saúde da mãe).

Felizmente, após alguns meses a mãe recuperou-se totalmente. No dia do nascimento, deixaram a mãe sozinha numa maca do hospital com um buraco na região das nádegas. Sentindo que o nascimento de Louise se aproximava, começou a gritar por ajuda, mas demoraram a chegar.

 

O parto

Como o médico estava ocupado, a parteira fez o parto, mas puxou a criança pelo braço e quebrou sua clavícula; além disso, devido a demora, a menina nasceu arroxeada, mas não houve sequelas. O pai, que tinha a impressão que teria filhos com problemas, contou-lhe os dedos das mãos e dos pés e verificou sua língua.

Após alguns dias, os pais retornaram ao hospital para trocar as ataduras da clavícula quebrada. Ao retornarem para casa, a bebê não parava de chorar, voltaram ao hospital e ao ser retirado o curativo verificou-se que debaixo do braço estava carne viva, pois a enfermeira passou éter antes de enfaixá-la.

A mãe só conseguiu amamentá-la por 3 meses, pois seu leite secou. Louise recusou a mamadeira e só mamava quando a mãe deixava o leite da mamadeira escorrer pelo seio, ao qual sugava. Com 1 ano e meio nasceu seu irmão; quando a mãe voltou com o filho nos braços do hospital, Louise olhou-a brava e virou as costas.

A mãe relata que Louise ficou assim por, aproximadamente, uma semana. Alguns meses depois o irmão adoeceu e a mãe teve que correr com o filho por mais de 10 médicos, até descobrirem que era diabético tipo 1, quando já estava entrando em coma. Foi internado e a mãe permaneceu com ele.

 

Recordações da paciente: um caso de automutilação na adolescência

Louise recorda-se de duas ocasiões excepcionais: uma em que a mãe a levou em um médico, onde foi esquecida sua chupeta azul, já velha e com mau cheiro. Quando a mãe voltou para buscar a chupeta, a atendente disse ter jogado fora e Louise lembra-se de ficar olhando dentro do lixo vazio, sentindo grande tristeza.

E a outra ocasião foi quando aos 4 anos a mãe mandou-a jogar fora sua mamadeira, entretanto, a mãe depois pegou a mamadeira para dar a filha da empregada.

Louise fez algum tempo de maternal numa pequena escola, da qual se recorda de pouca coisa, mas a que mais a marcou foi a lembrança de ao ver o portão aberto, sair correndo tentando fugir. Depois desse episódio, a mãe a retirou do maternal, voltando a frequentar a escola aos 5 anos.

O método era Montessoriano e Louise amava a escola, a qual frequentou até os 12 anos.

 

Primeira infância

Aos 4 anos, nasceu seu irmão mais novo. Quando a bolsa de sua mãe arrebentou, seu tio deu banho nela e em seu irmão e os levou para a casa da avó, onde dormiu. Na manhã seguinte, estava na cozinha, sentada no chão, tomando café da manhã com seu irmão, primo da mesma idade e uma tia que é apenas 3 anos mais velha que Louise.

Lembra-se que de repente as crianças levantaram e correram para o quarto para ver TV e brincar. Nesse momento, estava molhando o pão no café com leite e por alguns instantes sentiu uma solidão imensa, tão avassaladora que sempre que toca no assunto diz senti-la novamente e chora.

Lembra-se como se tivesse saído do corpo e visto a si mesma sentada no chão, com o pão dentro do copo, e sentiu muita dó de si mesma. Em seguida, parece ter voltado a si, pois levantou-se e correu para o quarto onde estavam as crianças e começou a pular na cama junto com eles.

Aos 7 anos houve um assalto, em sua casa, enquanto jantavam. Lembra-se de dois homens com um lenço no rosto e que num primeiro momento pensou ser seu tio e padrinho fazendo uma brincadeira; mas ao ver as armas, soube que não. Um dos assaltantes ficou na cozinha, apontando a arma para sua cabeça e de seu irmão do meio, estavam à mesa com seus pais.

 

Fatos marcantes

Enquanto isso, o mais novo sentado no canto da cozinha sozinho, jogava ossos de bisteca no ladrão. Sentiu muito medo de que os matassem.

O outro ladrão, que depois souberam ao ser preso que era estuprador, queria que sua mãe fosse até o quarto para mostrar as coisas. Mas, o assaltante da cozinha não deixou. Foi um fato bastante traumatizante para toda a família, as crianças passaram meses com medo de um novo assalto.

Depois disso, houve pequenos roubos no quintal, mas sem a presença da família, até que ocorreram em 2 meses mais dois outros assaltos grandes na residência. Louise aos 11 anos também foi assaltada sozinha na rua por 2 motociclistas e arma em sua cabeça.

Sofreu ainda aos 16 anos, um assalto na rua, quando andava com um amigo; no qual 5 homens armados desceram do carro, exigindo dinheiro. Louise pensou esses homens vão nos matar, ela só tinha R$10,00 e seu amigo, cigarro e isqueiro.

Um dos assaltantes, após o roubo, disse para virarem-se e começarem a andar, sem gritar. Foi nesse momento que Louise pensou “vão atirar”, suas pernas amoleceram quando ouviu o carro indo embora.

 

Brigas entre os pais

Em sua infância passou por episódios de brigas entre seus pais, com certo grau de violência, nos quais o medo e a insegurança a assaltavam novamente. Lembra-se da mãe jogando uma panela de arroz cheia num vidro da cozinha, o pai quebrando a porta da cozinha com um soco e arrebentando o fio do telefone e a mãe arrebentando um colar de pérolas que seu pai acabara de lhe dar. As brigas eram muitas e constantes.

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Quando estava no 3 º infantil ficou de castigo na escola por estar conversando com uma colega e depois disso passou a ter fobia social e pavor de falar em sala de aula, a não ser que a professora permitisse, isso, até o fim do Ensino Médio. Diz que voltou a ser ela mesma na faculdade, onde permitia-se falar sem medo.

Sempre foi uma aluna bastante estudiosa, aplicada e responsável, muito elogiada pelos professores. Tinha até os 12 anos muitos amigos na escola, desde os repetentes e bagunceiros aos mais estudiosos.

Era querida por todos, tanto que ao completar 13 anos, os amigos fizeram uma festa surpresa pelo seu aniversário e também para despedir-se, pois, devido aos assaltos, o pai decidiu mudar de cidade, fato que a entristeceu bastante,. Isso porque deixaria seus avós, tios, primos, paquera, amigos que estudaram juntos por anos.

 

Alterações no corpo da paciente (automutilação na adolescência)

Era também uma fase complicada, além das alterações normais no corpo devido à puberdade. Louise começou a engordar (foi uma criança magra e bonita, que só tinha problemas com o cabelo).

Com a mudança para Barueri, no bairro de Alphaville, a família que não era rica e que apenas buscava maior segurança, passou a enfrentar diversos problemas. O pai continuou a trabalhar em São Paulo, a mãe – que antes não trabalhava e estava sempre a viver para os filhos, marido e afazeres domésticos – passou a realizar trabalhos voluntários.

Depois, a mãe também passou a trabalhar e os filhos, agora, com menos cuidados por parte da mãe (Louise com 13 anos e seus irmãos com 12 e 9 anos) passaram a ter que se virar sozinhos. Também a enfrentar problemas, como: sofrer bullying na escola e no prédio em que viviam, pelo fato de falarem com sotaque do interior, não usarem tênis e roupa de marca, terem um carro popular.

Louise também recebia bullying por não ter cabelos lisos e por estar acima do peso.

 

Mudança de cidade

Louise, ao mudar-se de Campinas, passou a sentir-se extremamente solitária: não tinha mais os familiares carinhosos por perto. Nem os amigos de infância (comunicavam-se apenas por carta ou telefone); na escola onde antes era admirada e querida por todos pela sua inteligência e seu jeito de ser, passou a ser desvalorizada, recebendo bullying pelos motivos acima citados.

Percebeu que, em Alphaville, não se valorizava o que a pessoa era e sim o que tinha. Por não se encaixar nos padrões sociais daquela comunidade, Louise tinha apenas 3 amigas e passou a se isolar em casa, deprimida.

Após 10 meses da mudança teve uma perda irreparável: a morte de seu avô materno. Esse, fazia para ela o papel de pai, quando morava em Campinas.

Ele a levava para a escola e a trazia, levava nos médicos e para passear, presenteava-a e estava sempre presente.A o contrário do pai. que trabalhava em São Paulo e isolava-se de todos quando estava em casa.

 

Bulimia e automutilação na adolescência

Dois meses depois, seu paquera de Campinas que, com ela, trocava cartas apaixonadas, morreu após um atropelamento na volta da escola.

Desenvolveu compulsão alimentar que a fez engordar, em 5 anos, 17 kg. O cabelo, segundo a mesma, estava horroroso e a pele cheia de espinhas.

Aos 15 anos desenvolveu bulimia. Inicialmente vomitava 1 vez por semana, passando a 1 vez ao dia e, aos 25 anos, 6 vezes ao dia. No início usava um dedo para provocar o vômito até chegar a usar 4 dedos, vomitando inclusive sangue. Havia momentos, inclusive, em que só de pensar provocava o vômito sem o uso dos dedos.

Mesmo vomitando não parava de engordar, chegou a desenvolver compulsão por laxantes, aumentando cada vez mais a medida da ingestão diária, chegando a 1200 mg. Também em algumas ocasiões, comia alimentos com fungos para ter vômito e diarreia. Além disso, tomava água com detergente.

 

A rotina

Desenvolveu rituais para que não a ouvissem vomitar e para não sentirem o cheiro do vômito. O pai perdeu o emprego e passou a almoçar com a família, mas reclamava muito do barulho da mastigação.

Louise ficava nervosa, sua garganta fechava e acabava fazendo ainda mais barulho para engolir. Passou a comer rápido para sair logo da mesa e depois parou de se alimentar com os familiares.

Escondia-se no quarto para comer e cada dia comia mais; para vomitar ligava o som, a água da pia e da torneira para que não a ouvissem e depois tomava banho, lavava o banheiro. Então, abria as janelas e jogava muito perfume no ambiente e nas mãos.

 

A automutilação na adolescência

Também aos 15 anos passou a se automutilar (automutilação na adolescência), cortando-se com facas, lâminas, bisturi e tesoura. Batia em si mesma, com panelas e martelo de carne, até ficar roxa e inchada.

No início, achava que queria se matar, mas com a terapia foi entendendo que só queria sentir dor, pois para ela a dor interna era tão grande, que precisava se distrair com uma dor externa. Isso, para desviar o foco do sofrimento e se punir pelos pecados cometidos.

Quando começou a fazer faculdade à noite (já trabalhava desde os 14 anos), comprava muitos refrigerantes, chocolates, doces e salgados e passava algumas noites, por semana, acordada, comendo e vomitando e depois que vomitava. Repetia o processo de comer e vomitar até que seu organismo não conseguisse mais colocar para fora os alimentos.

Sentia como se tivesse duas personalidades: a que era ela mesma, estudiosa, trabalhadora, responsável, econômica e cumpridora de seus deveres; e a outra personalidade que era gastona, descontrolada, sem perspectiva de vida, a que desperdiçava seu próprio dinheiro comprando muito alimento sem necessidade. E, que depois de comer, tudo vomitava.

 

A paciente na psicanálise

Com o auxílio do psicanalista, Louise elaborou essas questões. Também, conseguiu compreender que toda a solidão que sentiu quando mudou-se para Alphaville e as perdas que sofreu transformaram-se em uma compulsão alimentar. Como se a comida fosse preencher o vazio que sentia, entretanto, como era diabética e tinha medo de ficar cega, amputar as pernas e braços (coisas que eram ditas pelos médicos desde sua infância) e porque também estava cada vez mais gorda precisava pôr a comida para fora (vomitar) e então passou a sentir culpa por estar estragando a saúde.

Devido à religião que seguia, que reforçava o fato de que “se uma mão faz o mal deve ser cortada”, passou a se automutilar  (automutilação na adolescência – lembremos que já se automutilava quando a dor interna era muito intensa). Também, quando vomitava, cortando os braços, em especial, o que usava para vomitar.

Cada vez mais gorda e adoecida, sua vida passava a não ter mais sentido algum. Importava-se demais com o que lhe diziam, principalmente sobre sua aparência física e sentia-se cada vez pior.

 

A paciente

Apesar de todas essas questões, conseguiu continuar a trabalhar e estudar, sempre com ótimo desempenho. Isso porque, seu senso de responsabilidade é muito desenvolvido e porque muito se pressionava a cumprir suas obrigações.

Se não cumprisse ao menos com suas responsabilidades, sentia ainda mais culpa e essa culpa a deixava ainda pior do que já estava. Seus pais tentaram por algumas vezes levá-la em psicólogos e psiquiatras, mas apesar do sofrimento que sentia, Louise recusava-se a ir às sessões e a tomar os medicamentos. No fundo, ela disse que sentia certo prazer em sofrer daquela forma.

Até que o sofrimento foi aumentando de tal maneira, que teve alguns episódios de tentativas de suicídio. Terminada a faculdade, aos 23 anos, arrumou um emprego no litoral e mudou-se para lá, longe da família. Não aguentava mais os surtos de seus irmãos, quebrando a casa, ameaçando a ela e a seus pais de morte.

 

Brigas em família

A gota d’água foi uma briga dos irmãos que ela foi separar e quase foi atingida na cabeça com um peso de 20 kg, machucou-se muito, física e emocionalmente, passando a vomitar mais e deprimir-se. Seus irmãos são diagnosticados como bipolares e esquizofrênicos, sendo que o mais novo apresenta também psicopatia.

No litoral, a ausência de apoio dos pais (inclusive o pai que havia prometido descer para a praia no Dia dos Pais, com raiva por ela ter saído de casa, não foi para lá com a mãe), fez sua solidão e depressão aumentar. Gastou toda sua reserva de dinheiro com doces, passando o dia chorando, comendo e vomitando; pediu demissão do emprego.

Mas, só voltou para onde vivia anteriormente, quando seu pai lhe disse “quando algo não dá certo, dá um passinho para trás e começa de novo”. Foi, então, que retornou, completamente desnorteada e doente.

Pediu ajuda aos pais, pois estava muito deprimida e nem suas responsabilidades conseguia cumprir. Iniciou a terapia 3 vezes por semana, durante três meses e começou a tomar medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, além dos emergenciais.

 

Períodos de melhorias da paciente

Com o passar do tempo, começou a melhorar e voltou a trabalhar, frequentar academia, estudar. Entretanto, não conseguia emagrecer, estava com 75 kg, para seus 1,62m.

Numa consulta com o endocrinologista descobriu que também tinha hipotireoidismo; mais um fator relevante, além da diabetes, para o desenvolvimento da depressão. Iniciou o tratamento para o hipotireoidismo e conseguiu emagrecer 21 kg em 2 meses, com dieta e academia.

Mais feliz, aceitou o pedido de casamento de seu namorado e aos 26 anos passou a viver com ele. Quase já não vomitava; os 6 vômitos diários foram escasseando e em 6 meses vomitava uma vez ao mês.

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Em terapia conseguiu perceber como a opinião de seu pai sempre foi importante para ela. Seu pai foi sempre bastante crítico; quando criança mostrava suas notas 10 nas provas e o pai nunca a elogiava, apenas dizia-lhe “quero ver tirar 10 na vida”.

Essas palavras nunca saíram de sua mente e ela diz que sempre perseguiu esse objetivo, sem nunca consegui-lo. Mas, que aos 36 anos, já com seu filho com 5 anos, seu pai vendo-a cuidar do neto, disse-lhe “agora você conseguiu tirar 10 na vida”.

 

Lembranças da paciente

Lembra-se da emoção que sentiu ao ouvir essas palavras, foi como um “eu te amo” que nunca ouvira do pai. Outra frase do pai, que a perseguia desde a infância, era “valeu a pena eu viver só para conhecer meu padrasto e sua mãe” – a qual dizia fazendo elogios, nunca ditos ao padrasto e à esposa. Louise diz que queria tanto também estar presente naquela fala, o que foi-lhe dito aos 37 anos:  “valeu a pena viver só para conhecer seu avô, sua mãe e você”.

Diz que suas pernas amoleceram e a emoção foi tão grande que sorria sem parar e abraçou o pai chorando. Seu pai nunca foi de demonstrar seus sentimentos, não dizia que amava os filhos ou a esposa, não os abraçava ou sorria para eles, estava sempre bravo, ausente e isolava-se no quintal ou no porão.

Louise disse que quando criança sentia falta de sentar em seu colo, abraçá-lo e fazer carinho em sua barba. Às vezes, fingia estar dormindo somente para que ele a pegasse no colo e a levasse para a cama.

Durante a faculdade seu relacionamento com o pai melhorou; antes de tirar sua habilitação, o pai levava-a e buscava-a na universidade. Esse, momento em que passaram a conversar mais e encontraram várias afinidades. Começou a formar-se uma amizade, que foi se estreitando com o passar dos anos.

 

Hoje

Com o nascimento dos netos, hoje, com 9 e 10 anos, ele mudou muito; tornou-se mais afetuoso, carinhoso. Perdeu a dificuldade de dizer “te amo” e, então, Louise pôde aproveitar essa nova fase demonstrando seu amor e recebendo-o também.

Com a dificuldade do pai de relacionar-se com os filhos, devido aos seus distúrbios, e com a esposa, com a qual passou a ter um relacionamento com muitas brigas (ela sempre ficava do lado dos filhos por piores que fossem seus surtos, quebrando a casa ou ameaçando de morte, desrespeitando e agredindo física e emocionalmente a todos); o pai passa a apoiar-se na filha. Assim, estreitam seus laços de amizade.

A mãe também passou a usar o marido como “bode expiatório”, dessa forma, culpando-o de tudo. Foi quando Louise passou a ser sua confidente e amiga para todas as horas. O pai passou a desabafar tudo com a filha e dizia-lhe “você é minha única amiga e é a única filha que me respeita e tem consideração por mim, não me agride e é boa para mim. A única alegria que tenho nessa vida são você e H. (filho de Louise), tenho muito orgulho de vocês”.

 

Melhorias na vida da paciente depois da automutilação na adolescência

A melhora no relacionamento com o pai ajudou-a bastante, também. Já com a mãe, sempre teve um ótimo relacionamento, exceto na adolescência quando esteve bastante rebelde e já apresentava depressão, bulimia e TOC.

Muito amorosa e cuidadosa, mesmo com os ataques verbais da filha, nunca desistiu de ajudá-la. Depois de adulta, também, tornaram-se grandes amigas.

Em relação aos irmãos, o mais novo começou a apresentar problemas aos 15 anos e o irmão do meio aos 18 anos, por exemplo. Seus surtos eram constantes, isso, com ameaças de morte e de suicídio. Além disso, quebrando de objetos pequenos a armários e geladeiras, além de agressão oral e física. Em especial, quando as doenças foram se agravando e o irmão do meio estabeleceu com o irmão mais novo um relacionamento de ódio, devido à inveja e ao ciúme.

Louise sempre estava presente durante as brigas e tentava como podia controlar a situação. Por várias vezes, por exemplo, machucou-se e em 2 ocasiões teve seu carro depredado pelo irmão mais novo, quando já não vivia com os pais e o quarto destruído quando ainda vivia com eles.

 

Novas situações

Nesta última situação, depois de ser agredida fisicamente, assim como seus pais (a família toda foi parar no hospital) saiu de casa com a roupa do corpo e passou 20 dias dormindo num quarto de geladeiras de um restaurante. Até, que, encontrou um local para alugar, retornando a casa dos pais com um caminhão para fazer sua mudança.

Só voltou a frequentar a casa novamente. isso após 2 anos. Mesmo assim, ainda houve outras situações semelhantes em que ausentou-se da casa dos pais por mais de um ano.

Além disso, de todos os seus problemas orgânicos e psicológicos, Louise enfrentou os problemas de uma família esquizofrenizante. Na qual, sempre tinha que haver um culpado para tudo o que ocorria.

 

Problemas familiares da paciente

Por diversas vezes, a culpa dos surtos dos irmãos recaía sobre seu pai, mas, também, houve períodos em que recaía sobre a própria Louise. Sua mãe dizia “Se você tivesse ficado quieta, seu irmão na teria surtado. Não sabe como ele é?”. E mais uma vez, Louise acrescentava mais culpa a sua pessoa, a ponto de sentir-se culpada por tudo e qualquer coisa.

 

3. Atualmente: a paciente

Louise separou-se do marido quando o filho completou 3 anos e, após 1 ano separada, iniciou um relacionamento tumultuado, que durou, aproxidamente, 4 anos e meio, tendo terminado há um ano. O homem com quem se relacionou era alcoólatra e não gostava de trabalhar.

Ele mudou-se para a casa de Louise e no início ele conseguiu esconder bem os seus problemas, pois ela trabalhava muito, cuidava do filho e tinha tantos afazeres, que não notou o quão problemático o namorado era. Diz que estava tão feliz com ele, pois era atencioso, carinhoso, romântico, prestativo, que não se incomodou com o fato de após 3 meses de namoro ele ter sido mandado embora.

Estava vivendo, de acordo com suas palavras, um “conto de fadas”, onde ele era seu “príncipe”. Até, que, com um ano e meio vivendo juntos, ela foi procurar um dinheiro guardado no armário para emergências e descobriu que ele havia roubado-lhe R$ 3.000,00.

 

Brigas no relacionamento da paciente

Mesmo aborrecida e brava, brigou com ele, mas não terminou; apenas pediu para que fosse embora de sua casa e que queria que ele lhe pagasse. Ele estava trabalhando e devolveu R$ 900,00 em 3 meses, quando então largou o emprego.

Disse-lhe que o dinheiro que pegou era apenas para sustentar seu vício (alcoolismo) e para ajudar sua mãe. Louise pensava que ele bebia apenas nos fins de semana quando saíam. Mas, ele disse que bebia todos os dias quando ela ia trabalhar, ele pegava o dinheiro e bebia vodca porque não deixa cheiro e porque não queria que ela descobrisse que ele era alcoólatra.

Louise estava tão dependente emocionalmente dele que continuou namorando-o. E, os R$ 2100,00 que ele ainda lhe devia foi pagar somente 2 anos e meio depois, quando ele estava com um bar e guardava o dinheiro em sua casa.

Durante os 3 anos após essa grande decepção, foram muitas promessas de que iria parar de beber e trabalhar, Iniciava tratamento no AA e CAPS, mas em pouco tempo desistia. Arrumava emprego com muita facilidade, mas não ficava mais de 3 meses, pois ou pedia demissão ou era mandado embora por ir trabalhar bêbado ou faltar devido à ressaca.

 

O desenrolar…

A situação foi piorando cada vez mais, muitas brigas, términos e voltas.

Em um dos términos do relacionamento, por exemplo, Louise foi parar no hospital para fazer lavagem estomacal devido ao grande número de medicamentos ingeridos de uma só vez.

Já estava bastante desequilibrada, estressada, com bulimia novamente e tomando mais de 4 tipos de remédios indicados pelo psiquiatra, ideias suicidas não lhe saíam da cabeça. De outra vez, quem se excedeu com os medicamentos foi o namorado, o qual ela levou ao hospital também para fazer lavagem estomacal.

Cada vez que terminava, ela pensava em não mais voltar, mas bastante adoecida, dependente emocionalmente, sentia que sem ele não conseguiria sobreviver. “Ruim com ele, pior sem ele”, dizia.

 

Idas e vindas

Então, os términos e voltas tornaram-se semanais e seu filho, que antes gostava muito de seu namorado e até o chamava de pai, apesar do pai biológico ser presente, passou a detestá-lo. Isso, porque não aguentava mais sofrer com as idas e vindas e não aguentava mais ver o sofrimento da mãe.

Por fim, o namorado já não conseguia mais sustentar a farsa que vivia e pela primeira vez disse o que Louise já sabia. Porém, que ela precisava escutar de sua boca: “quer saber, eu nunca pensei em parar de beber, todos os tratamentos que fiz foi por causa de você. Eu gosto mesmo de beber e não gosto de trabalhar, sou um vagabundo mesmo, trabalho quando quero e depois fico sem trabalhar 8 meses ou mais. O que vier para mim é lucro”.

Essas frases caíram como um peso de toneladas para Louise, mas ela disse que foi bom. Isso porque “arrebentou o fiozinho” que ainda a prendia àquele homem, àquele relacionamento.

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No dia seguinte, ele ligou para pedir desculpas. Mas, Louise lhe falou “não se desculpe, foi chocante, mas foi muito bom, porque pela primeira vez você foi sincero comigo e eu precisava ouvir de você o que eu já sabia”.

Ainda, assim, ele perguntou se poderia ir a sua casa quando ela retornasse do trabalho, mas ela enojada arrumou uma desculpa e deixou para o outro dia. No dia seguinte arrumou um compromisso e também deixou para o próximo dia. E comentou com sua mãe “não vejo a hora de J. aprontar novamente para eu terminar de vez” e sua mãe, sabiamente, lhe respondeu “porque esperar ele aprontar, termina agora com a cabeça fria” e foi o que ela fez.

 

Relacionamento abusivo e a paciente

Ele não aceitou o fim do relacionamento e passou a persegui-la. Onde ia, ele estava, bloqueava os números dele e ele comprava novos chips. Até, que, há 6 meses, vendo-a dançar numa festa com outro homem, ele riscou todo seu carro e arrebentou seu retrovisor.

Ela foi a casa dele, confrontou-o e arrancou-lhe a confissão, então lhe disse “espero que esteja satisfeito com sua vingancinha. Não vou fazer você pagar porque você é um bêbado desempregado, mas se você achou que um dia eu voltaria para você, tenha certeza que não. Você é um ser desprezível e me arrependo muito de ter perdido 4 anos e meio de minha vida com você. Não me procure mais, caso contrário irei à polícia”.

 

De volta ao tratamento após a automutilação na adolescência

Foi, então, que se deu conta de que precisava novamente de tratamento psicanalítico e voltou a frequentar as sessões. Após 6 meses de tratamento, sua vida está voltando aos eixos, parou de tomar 2 dos 4 medicamentos psiquiátricos, controlou a bulimia, está estudando novamente para ampliar sua área de atuação profissional.

Também, conseguiu emagrecer 6 kg, aumentou sua autoestima, tem cuidado dos cabelos, rosto, corpo, mente e espírito e diz que se sente feliz. Mas, ainda, tem questões a resolver, como, por exemplo, a desconfiança em relação aos homens, que adquiriu após muito analisar o relacionamento com J.

Diz que conseguiu enxergar que J. nunca a amou e que a bajulava, falando e fazendo coisas que a agradavam, para conseguir o que queria. Como, por exemplo, não precisar trabalhar e ainda assim passear, comer do bom e do melhor, ter cama e sofá confortáveis, dispensa e geladeira sempre cheios, etc. Na casa dele, dormia no sofá ou no chão, nem sempre tinha carne, dividia a TV e tudo mais com 8 pessoas.

Louise diz ter entendido que foi usada, mas devido à terapia, não se revoltou, pois entendeu que ela quis viver aquela situação devido a sua carência emocional e que, querendo ou não. Também, o usou para suprir essa dependência emocional, que antes achava ser amor.

 

Percepções da paciente, culpa e a automutilação na adolescência

Louise ainda relata nunca sentir-se merecedora de ser feliz no amor. Sentia culpa quando estava feliz ou próxima de realizar algo que a deixaria feliz no amor.

Só não sentia culpa se essas realizações fossem no campo profissional ou escolar.

 

Análise e Conclusão sobre a automutilação na adolescência

Pela análise dos relatos de Louise percebemos, de forma clara, que foi impedida de passar, de forma plena e saudável, pelo Complexo de Electra (que inclui automutilação na adolescência). Isso devido ao comportamento do pai, que isolava-se, não demonstrava carinho ou amor e estava sempre bravo e estressado.

Louise sentia vontade de sentar em seu colo, abraçá-lo e mexer em sua barba, ouvir um “eu te amo” ou ser elogiada, mas sempre que esperava estes elogios recebia críticas, como “quero ver tirar 10 na vida”. O padrão perfeccionista exigido pelo pai foi interiorizado pela criança e, por ser um padrão não realista. Portanto, inalcançável, o fracasso não poderia ser evitado.

Louise, continuamente, frustrava-se, sentia culpa, se autocondenava e se desvalorizava. Sentia-se rejeitada pelo pai, o que ocasionou-lhe problemas como insegurança e isolamento. E, assim, buscando sempre relacionamentos com homens que lhe dessem atenção o tempo todo e quando não recebia essa atenção sentia-se sozinha, carente e frustrada.

 

A importância atribuída à aceitação do pai

Sempre buscou a aceitação do pai para tudo na vida, queria ser motivo de orgulho para ele, admirada pelo mesmo. Mas, apenas conseguiu isso aos 35 anos, com suas mudanças comportamentais e após longos anos de terapia.

De acordo com a psicanálise, caso o Complexo de Electra não seja corretamente ultrapassado, a menina pode enfrentar diversos problemas na vida adulta, como dificuldade em lidar com relacionamentos amorosos, por exemplo. Também, dificuldades em assumir responsabilidades e projetar a figura paterna nos seus relacionamentos futuros.

O desenvolvimento da compulsão alimentar, da bulimia e do TOC, juntamente com a depressão e automutilação na adolescência, ocorreram no período da puberdade. Na qual, há alterações no corpo físico do adolescente e em sua forma de ver o mundo e comportar-se.

No caso de Louise, essa fase coincidiu com a mudança da cidade natal, onde estavam seus amigos de infância e familiares, indo para uma cidade nova. Nessa nova cidade, não foi aceita como era pelos colegas de escola, sofrendo bullying por não ter os padrões de beleza e de moda ali exigidos; quando antes era admirada por seu carisma e inteligência.

 

O luto e o equilíbrio psíquico

Estava vivendo um momento de luto, quando ocorreram as mortes de duas pessoas importantes em sua vida, enlutando-a ainda mais. Sem saber como lidar emocionalmente com tantas perdas, pois nem sequer havia formado uma identidade, apresentando um Ego frágil e bastante primitivo, o adoecimento cada vez maior foi inevitável.

Tudo isto trouxe-lhe ainda mais solidão e já que não era aceita isolou-se e deprimiu-se. Pois, nada do que era ou fazia era bom o suficiente para ser aceita pelo pai e agora por todos os colegas da escola e do prédio em que vivia.

Comia para preencher o vazio interior, mas na sequência sentia culpa por estar estragando sua saúde e por estar engordando cada vez mais. Também, por acreditar que seu pai tinha mais um motivo para rejeitá-la (estar gorda) e então vomitava.

Suas qualidades ali não tinham nenhum significado, o importante era “ter” e não “ser”, não era aceita e precisava mudar: ser linda e magra. Entretanto, não havia perda de peso ao vomitar, ainda mais que já tinha os sintomas de hipotireoidismo, mas não estava sendo medicada.

 

TOC e bulimia

Também desenvolveu TOC devido a bulimia, com rituais para comer, vomitar e limpar o banheiro.  Diz que sentia-se escrava de seus comportamentos, sentia ter duas personalidades e a sensação de perda de controle a incomodava muito.

“Em um primeiro momento, a compulsão pode parecer tola e absurda, mas é possível que, posteriormente, no decurso da análise, o sujeito elabore, pela via da fala, um saber acerca dela. Construindo-lhe, assim, o sentido. Isso se torna possível na medida em que a compulsão está relacionada com um conflito inconsciente e submetida ao regime simbólico da falta.”

E foi o que ocorreu com Louise, conseguindo libertar-se da compulsão, da bulimia e do TOC ao compreender as causas que levaram-na a desenvolvê-los. Além de tudo isso, os padrões religiosos que seguia, fazia com que sentisse culpa por vomitar, estragar a saúde, desperdiçar alimento e, então, automutilava-se (automutilação na adolescência).

 

Como enfrentar a automutilação na adolescência

A automutilação na adolescência também servia-lhe como alívio do sofrimento interno. Desviando, assim, a dor para algo concreto; como se também precisasse enxergar essa dor através do sangue e das feridas.

Há também a questão da fixação que se conceitua, como um ponto de fuga e defesa para onde a libido pode regredir em fases posteriores do desenvolvimento, em situações específicas. Ela é, portanto, condição básica para a ocorrência do que Freud conceituou como regressão.

Trata-se, pois, a fixação, de um fator predisponente interno à regressão: a semente da neurose. No caso de Louise, a fixação ocorreu na fase oral: o leite da mãe secou, viu a mãe amamentar o irmão e, provavelmente, sentiu inveja e rejeição.

Lembra-se do episódio da chupeta e da mamadeira, então, roia unhas e desenvolveu compulsão alimentar e bulimia, de forma crônica E, por mais de 10 anos.

 

De volta à infância da paciente

Na infância, as brigas dos pais e assaltos, por exemplo, trouxeram a sensação de insegurança e medo, sentimentos muito presentes na vida adulta.

As mudanças comportamentais começaram a ocorrer a partir da análise, quando Louise passou a aceitar-se. E, entendeu o porquê de tanta culpa e de todos os sintomas.

Foi um processo bastante doloroso e lento, um dia de cada vez e, dessa forma, construindo um Ego fortalecido capaz de enfrentar as dificuldades. E, também, passando a enxergar suas qualidades, sua força, potencial e capacidade.

De criança desamparada cresceu e virou mulher. Ainda hoje, entretanto, há questões emocionais, em seus relacionamentos, a serem tratadas. E por esse motivo Louise continua em tratamento.

 

Referências bibliográficas – automutilação na adolescência

Fixação: estagnação da libido e semente da neurose

Uma análise psicanalítica da compulsão e da impulsão a partir da perspectiva do gozo e do ato – Ana Carolina Pacheco Bittencourt; Laéria Bezerra Fontenele

Electra: significado do Complexo de Electra para Jung

 

Este material sobre Automutilação na Adolescência  foi elaborado por Carla C. Silva, concluinte do nosso Curso de Formação em Psicanálise Clínica

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