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Coaching para ser mulher: de mulher prendada a mulher segura

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O conteúdo escrito por Isabella Oliveira aprofunda a discussão sobre o Coaching para ser mulher, ou coaching feminino. Quais as ideias por trás do “tutorial definitivo” de como se transformar de mulher prendada em mulher segura?

Coaching para ser mulher: o tutorial definitivo

O coaching sempre existiu direcionado para desenvolver habilidades gerenciais e de liderança nos profissionais do mundo bussiness. Mas em tempos de youtubers e influencers, com a janela de comunicação das mídias sociais, surge uma onda em que qualquer um pode treinar tudo e todos para qualquer coisa.

Eis que o coaching chegou ao universo das demandas femininas. Todo tipo de gente se aventura a ensinar, a nós mulheres, tudo o que precisamos saber para sermos empoderadas, realizadas e felizes. É um mar de treinos, dicas, passo a passo, tutoriais que ficamos perdidas sem saber se precisamos mesmo aprender sobre tudo.

Como conquistar, como esquecer, como mandar mensagens românticas, como deixar ele louco na cama, como se vestir bem em qualquer ocasião, como fazer renda extra, como ser sexy, como ser feminista, como ser antifeminista, como organizar a casa em três passos

São estes alguns temas obrigatórios pelos quais as mulheres devem passar para conseguir fazer as coisas como devem ser feitas. A mulher perfeita nunca decepciona, ela sabe ser sexy sem ser vulgar, ser independente sem ser autossuficiente, ser empoderada sem ser antipática, ser romântica sem ser chata, ser madura sem ser pedante, ser bonita naturalmente mesmo exausta!

Feminismo e autonomia da mulher

Vamos rebobinar a fita e nos recordar da dura caminhada percorrida pela mulher para conseguir alguma autonomia, seja sobre seu corpo ou suas ideias. O Feminismo nos trouxe maiores possibilidades, nos abriu as portas do mercado de trabalho, da escolha de como educar nossos filhos, da escolha sobre como ocupar nossos dias.

Em contrapartida, a mulher pós-moderna é pressionada a executar brilhantemente infindáveis tarefas que antes não precisava. O problema, no entanto, não reside na mulher ter que realizar bem suas funções, mas na impossibilidade de rejeitar alguns destes papéis que lhe são impostos por medo de perder o título de “mulher segura”; título este tão fundamental para a aceitação e apreço social das mulheres como outrora fora o de “mulher prendada”.

Na sociedade atual, assim como nos tempos passados, as mulheres foram sutilmente treinadas para serem competitivas entre si, sempre mediando quem é a mais bonita, a mais agradável, a mais inteligente. Este torneio cotidiano de prendas e qualidades impediu que as mulheres pudessem desenvolver um sentimento autêntico de solidariedade umas com as outras.

Com isto não se quer reforçar o falso cliché de que a mulher é traiçoeira, os espaços de privilégio a serem ocupados pelas mulheres eram restritos, sendo necessário se destacar frente as demais.

Pós-modernidade e conquistas das mulheres

Chegou a pós-modernidade e com ela as conquistas femininas; com as conquistas vieram também as exigências e responsabilidades.

Nesta realidade inédita que confronta a mulher como nunca antes surgem medos, inseguranças e angústias.

O sentimento de solidão existe em toda mulher, ele se revela quando se está sozinha com seus pensamentos e obrigações se questionando se ao fim do dia terá conquistado a medalha de “mulher realizada”. Este percurso solitário rumo ao sucesso, de certa forma, talvez tenha tornado as mulheres mais competitivas umas com as outras potencializando o sentimento de isolamento. Ao mesmo tempo em que se tornaram alvos de diversas expectativas sobre suas capacidades e habilidades pessoais.

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Entre estes vazios estão infinitas perguntas sem repostas, onde submerge a individualidade e a subjetividade no oceano de comportamentos adequados e idealizados para a mulher de hoje. Nem tudo mudou! Daí que estão disponíveis os tutoriais de como a mulher deve fazer isto ou aquilo, nesta ou naquela situação.

Os coachs nasceram para treinar o homem para ser bem-sucedido nos negócios. Considerando que estes espaços foram majoritariamente masculinos, a simples adaptação para as demandas femininas, um mercado carente e em expansão, tem como ponto de chegada muito mais adestrar a mulher para se moldar ao ideal de feminino que paira no imaginário masculino pós-moderno, do que propriamente ajudá-las na caminhada do autoconhecimento.

Conclusão: coaching feminino, coaching para ser mulher?

Em certos momentos podemos nos sentir perdidas, mas é preciso tomar cuidado com o discurso que nos conduz para um campo fantasmagórico de sucesso e perfeição, que ninguém sabe ao certo onde é, mas é para lá que os vencedores e as vencedoras vão. Vale lembrar que nem sempre a pessoa que está ensinando, seja homem ou mulher, tem propriedade para tal.

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    É preciso que nós mulheres olhemos para dentro de nós com auto amor, este é o primeiro passo para sabermos o que precisamos e o que pode ser descartado. Descobrir isto não é nada impossível, basta confiar em seus sentimentos. A retórica de que é dificílimo saber o que se quer também foi criada para monetizar nossas angústias e inseguranças. Não devemos absorver estes conteúdos para reforçar nossa superioridade ou inferioridade diante de outras mulheres, nem para alimentar a sensação de incompletude.

    Este conteúdo sobre coaching para ser mulher foi escrito pela autora Isabella Oliveira, estudou Filosofia e Direito na PUC Minas, escreve no site Mulher de Verdade.

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