história de Enoque

História de Enoque: ficção ou realidade?

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Muitas pessoas já ouviram falar nele, no Enoque bíblico e histórico. Alguns defendendo a tese de que não passa de uma lenda, mito e ficção e outros, defendendo a história de Enoque foi uma realidade histórica e espiritual, que existiu efetivamente e que deixou um legado ainda inexplorado e associado a nossa realidade atual e futura depois de milênios.

Mas, afinal, quem foi Enoque? Qual sua descendência? Por que relutam aceitá-lo como uma realidade? E como a história de Enoque poderia ser aproveitada na Psicanálise? Esta e outras questões são seguidamente suscitadas.

Entendendo a história de Enoque

Porém, antes de realizarmos enfoque sobre o Enoque histórico, espiritual e psicanalítico muito importante destacar e salientar bem, que sob o prisma do paradigma ‘da mega explosão’, dos que defendem que tudo surgiu de uma explosão de matéria e energia e evoluiu não aceitam a existência real do Enoque histórico, ou seja, ele não foi uma realidade concreta, mas tão somente uma mera ficção, um mito.

Argumentam que é pelo simples fato de que o paradigma da mega explosão ou do evolucionismo entende que a matéria precedeu o espírito (entendido como abstrato, pulsão resultante de moléculas e células conformadas pela evolução da energia e matéria). Ponto. Não admite controvérsia. Os que comungam a visão e percepção do ‘haja luz e houve luz’, confirmam Enoque como uma realidade incontestável e que ainda guardaria evidências pelo fato do paradigma postular que o espírito é que precedeu a matéria.

Esta é a diferença na ótica dos dois paradigmas. Não existiria a mínima possiblidade de se analisar Enoque pelo paradigma da ‘mega explosão’. E foi a Psicanalise que analisou bem as fronteiras desse panorama. Somente pela operacionalização do paradigma ‘haja luz e houve luz’ é possível tentar entender quem foi de fato Enoque histórico. E, ainda, qual foi o seu legado.

O período do mundo pré-diluviano e a história de Enoque

Não basta apenas argumentar e contra argumentar que Enoque foi uma lenda, um mito perdido. A história de Enoque apareceu no livro de Gênesis, o primeiro livro do Pentateuco, escrito por Moisés e o Enoque é citado como uma pessoa que viveu no seu tempo, no período do mundo pré-diluviano. E aparece em outras partes das escrituras. Importante mentalizar que o mundo pós-diluviano foi de Noé para frente, após o grande hecatombe (inundação) da humanidade.

Enoque é anterior ao dilúvio, ele esta inscrito no seu ‘lócus’, ou seja, no mundo que antecedeu o grande diluvio. Moisés ao redigir o Pentateuco, os cinco livros iniciais da bíblia, faz questão de dar conhecimento da existência desse personagem. Com o aparecimento do livro apócrifo chamado 1º livro de Enoque, traduzido como livro I, foi possível mergulhar mais na sua historicidade e enraizamento.

Depois apareceu o livro II de Enoque, o segundo livro. Os registros demonstram que Enoque desenvolveu a escrita e atribuiu um símbolo para cada fonema e separou as consoantes e as vogais montando os parágrafos o que viabilizou alfabetizar outros, seus pares e desenvolver textos.

A história de Enoque e outros registros

Ele teria construído a primeira gramática rudimentar do nosso planeta, isto na esfera do mundo pré-diluviano, no tempo da língua adahmica. E ele usava tábuas de argila para grafar e também couro de animais curtido, em rolos. E notem bem que os hebreus e arameus usavam rolos escritos. Enoque teria então escrito o primeiro livro do mundo relatando a história de Adão e Eva, do mundo pré-diluviano, até Noé.

E ele informa também a árvore genealógica. Que Adão gerou Seth; Seth gerou Enós; Enós gerou Cainan; Cainan gerou Mahalalael; Mahalalell gerou Jared, o pai de Enoque. Jared gerou Enoque. Enoque relata que tinha um canal de contato por telepatia com os anjos e arcanjos. E menciona a hipnose. Os registros de Enoque dão conta de que Noé teve duas esposas: a Noema (Naama) e a Emzara.

A Enzara era da estirpe de Enoque e foi mãe dos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafet. Apareceu como apócrifo o livro de Adão e Eva, que dividiram também em dois tomos, e que muitos trechos (enxertos) foram atribuídos à autoria de Enoque e até de Noé, que sabia escrever e ler que aprendeu na escola de Enoque; Enoque foi quem gerou Matusalém, o homem a quem todos atribuem ser o que mais tempo viveu na face da terra; Matusalém gerou Lamec, o pai de Noé.

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O ritual da morte

Registros dão conta de que Enoque não passou pelo ritual da morte. Não se tem registro de que Enoque tenha falecido, velado e sepultado. O segundo livro do Enoque chamado livro II, relata vários segredos. Um deles de que Enoque não passou pelo ritual da morte, não teve velório e não teve um túmulo. Ele foi arrebatado fisicamente. Esta é uma das razões de o porquê daqueles que partilham do paradigma ‘da mega explosão’ não aceitarem a vida pregressa de Enoque.

Enoque teria tido os seguintes filhos: Matusalém, Rezim, Uchan, Chermion, Gaidad e Namos. O filho de nome Namos teve uma filha chamada de Hiacal, que seria a mesma Emzara, portanto, ela era neta de Enoque. A língua falada era o adhamico, como já referido, entretanto, surgiu o acádio depois.

Enoque teria aperfeiçoado melhor e desenvolvido a tal gramatica rudimentar e após o dilúvio surgiram os diversos dialetos. Alguns dialetos se transformaram em línguas nacionais. O dialeto de Héber, no hebraico, e o de Aram, no aramaico. A cronologia não esta definida porque ainda não existia um calendário.

O dilúvio e a história de Enoque

Depois do dilúvio Noé teve o neto Arfaxad, filho de Sem. Arfaxade gerou Salé; Salé gerou Hebér, que seria o paí dos hebreus. Heber teria gerado Peleg, e este teria gerado Regau; o Regau gerou o Nachor e este gerou o Abrãao. Abrãao teria gerado o Isaac e este Jacó, que teria trocado o nome para Israel. Assim era o fio condutor da descendência de Enoque.

Estes relatos só foram possíveis com a invenção da letra e escrita por Enoque. Resta ainda mais um dado. Enoque não conheceu o ritual da morte, porque ele teria sido arrebatado. Ele não faleceu e não ressuscitou como Jesus que ressuscitou ao terceiro dia. São dois relatos bíblicos: Enoque morreu, mas não foi velado e nem sepultado.

E Jesus morreu, porém foi ressuscitado. Alguns entendiam, como o rei Herodes Antipas (20AC-30DC), por exemplo, que Jesus seria a reencarnação de Enoque ou de um profeta, Elias. Dois fatos teológicos que o paradigma da evolução não aceita. E são também dois atos psicanalíticos distintos. Enoque tinha consciência da morte. Não se sabe bem se ele pediu para não passar pelo ritual ou se a ele foi dada essa singularidade específica inédita.

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    Uma esfera da Teologia

    Alguns analistas que comungam de forma bem transparente e explícita o paradigma da evolução fazem questão de deixar bem claro que os relatos são ficção e não tem como aproveitar nada na Psicanálise. E foi um erro porque adentraram a questão da fé, que é uma esfera da Teologia. O que interessa à Psicanalise é que a morte é um ato psicanalítico.

    Se e somente se, partindo da premissa pré-concebida de que Enoque não conheceu o ato da morte, o velório e o sepultamento seria um ato que foi suprimido da jornada existencial dele, que nunca deixou de ser um ato psicanalítico que envolve o vínculo com os lutos. Este seria o ponto de junção ou a conexão com a Psicanálise.

    Um ponto interessante derradeiro foi o fato de ser informado que Noé teve um quarto filho, pós dilúvio, chamado de Jetã ou Jonton. Este filho de Noé ensinou a Nimrod ciências. É um dado muito interessante.

    Considerações finais

    A questão de acreditar ou não acreditar é uma questão de comportamento e atitude, é um ato psicológico e um ato filosófico. Não tem nada haver com a Psicanálise que foca o fato e os atos psicanalíticos.

    Não podemos confundir atos psicológicos, atos psiquiátricos e os atos psicanalíticos com atos filosóficos e ideológicos. São dutos distintos que até se comunicam, possuem vasos comunicantes, mas são subpartes bem delimitadas.

    Enoque continua e continuará sendo um grande desafio para os estudos e pesquisas das ciências ‘psi’ seja na esfera histórica como analítica. Um clássico tremendamente atual que sobreviveu aos milênios dentro do paradigma haja luz e houve luz.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira. Licenciado História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. E-mail: [email protected]

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