era pós-verdade

Era Pós-Verdade e a batalha dos paradigmas

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Possivelmente, você e muitas pessoas, já ouviram falar e até já entenderam a definição e o conceito do termo emergente ‘era pós-verdade’ e, possuem uma percepção, do que sejam os macro paradigmas em vigor social e compreenderam a pós-modernidade.

Neste sucinto artigo, vamos abordar os temas acima e buscar a significação do que seja a já propalada e difundida batalha dos paradigmas na pós-verdade na era pós-moderna.

Importante: as ideias constantes nos artigos não condizem necessariamente com as ideias do projeto Psicanálise Clínica. O site é aberto a publicação de colunistas de variadas linhas de pensamento, em respeito à pluralidade, sendo que a responsabilidade pelos conteúdos e opiniões são do autor de cada texto.

Entendendo a era pós-verdade

Como ponto de partida, afinal, o que é então a pós-verdade?! Este termo ‘´pós-verdade’ é um neologismo, algo novo, um substantivo definido como relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos têm menos influência em moldar a OP (opinião pública) seja em que escala for, local, regional, nacional e até internacional por apelos às emoções, sentimentos, afetos e crenças pessoais”. É um neologismo que descreve algo no qual os fatos objetivos começam a ter menos influência do que os apelos emocionais e sentimentais.

Alguns chamam de pós-factual, ou seja, os fatos subjetivos passam a ter maior importância que os objetivos e provados. Existe um exemplo típico da teoria da terra plana versus esférica. Os defensores da pós-verdade relatam que fomos enganados, que o planeta nunca foi redondo. Os fatos científicos foram deixados de lado e houve um imenso apelo social para emoções e crenças. Isso é a pós-verdade. Parte da OP, opinião publica, passou a aceitar. Porém, é preciso frisar que a pós-verdade difere da falsificação da verdade.

A pós-verdade passou a ser mais importante que a verdade, pois é colocada como algo que aparentemente é verdade, mas é mais importante que a verdade. Na falsificação da verdade apenas é relevado a fato secundário. A pós-verdade pode ser uma mentira, uma fraude ou até uma falsidade encoberta como algo até politicamente correto. Porém, é um fenômeno no qual a OP reage mais pelos sentimentos, emoções, afetos do que pelos fatos científicos provados. Podemos citar como exemplo clássico que temos, os UFO e alienígenas, ou teoria dos antigos astronautas onde grupos lutam pela manutenção de uma pós-verdade construída.

A emoção das massas e a era pós-verdade

Uma pessoa informa que foi abduzida e examinanda numa nave alienígena e apela para emoções e sentimentos como foco em tentar provar que houve o fato e que a informação não pode ser colocada em segundo plano e ser simplesmente esquecida. Então, recorrem às crenças e emoções das massas, resultando em opiniões muitas das quais manipuláveis até de forma mercadológicas para venda de livros, revistas, enfim. Porque é uma informação ou asserção que distorce deliberadamente a verdade ou algo real caracterizada por emoção forte de apelos e o seu substrato são crenças arraigadas e difundidas em detrimento de fatos apurados o que vai influenciar a OP mundial inclusive e seus comportamentos.

Temos o case da ‘Àrea 51’ (suposta nave/UFO que caiu nos EUA e teria sido capturada por militares americanos e ocultada face guerra fria em 1955) como um caso clássico de pós-verdade que virou filme em 2015. Contexto ou situação que ganha contornos de fato social e psicológico como já se fosse comprovado ou objetivo. Outro exemplo típico de pós verdade, as pirâmides do Egito teriam sido construídas por alienígenas o que Autoridade das Antiguidades daquele país, localizado em Cairo, nega veementemente esclarecendo que foi uma obra humana provado pela Arqueologia.

Essa palavra ‘pós-verdade’ foi empregada pela primeira vez num ensaio de 1992, pelo falecido dramaturgo sérvio-americano Stojan Steve Tesich (1942-1996) na revista ‘The Nation’ (criada em 1865, EUA), muito respeitável, onde ele refletia sobre o escândalo do Irã-Contras (nov1886) e Guerra do Golfo Pérsico (1980-88), onde ele expressou: “nós, como um povo livre, decidimos livremente que queremos viver em um mundo pós-verdade”. Ou seja, para ele uma verdade depois que é mais conhecida nos seus meandros seria a pós-verdade.

The Post-Truth Era e a era pós-verdade

Em 2004, foi lançado o livro ‘The Post-Truth Era’, de Ralph Keyes e em 2005 o comediante americano Stephen Colbert popularizou uma palavra informal relacionada ao mesmo conceito: ‘truthiness’, definida pelo Dicionário Oxford como ‘a qualidade de parecer ou ser percebido como verdade, mesmo que não seja necessariamente verdade’. A pós-verdade estende essa noção a uma característica geral de nossa época mas ligados a paradigmas. Paradigma é um modelo ou padrão a seguir pelas pessoas, comunidade e sociedades.

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Etimologicamente, este termo tem origem no grego ‘paradigma’ que significa modelo ou padrão, correspondendo a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação e tem sinônimos, sendo conhecido em vários países como modelo padrão; exemplo; protótipo; referência; regra; norma; arquétipo; molde; esquema; escala são conceitos similares a paradigma. A direção, rumo ou sentido ou ainda proa que se pretenda seguir e inspirar pessoas é o paradigma. Pois bem, o mais antigo paradigma que possuímos em escala planetária, o macro paradigma geral que orienta o mundo todo é ainda o ‘haja luz e houve luz’.

A partir de 1800 DC, começaram a lançar as bases de um novo paradigma, que ainda não se firmou bem, chamado de paradigma ou modelo cosmológico da mega explosão original ou da panspermia ou ainda, big bang. O objetivo deste paradigma é derrubar o paradigma ‘haja luz e houve luz’ e inaugurar um novo modelo de sociedade ligada ao positivismo científico ou a supremacia da ciência. O novo Deus pós-moderno seria então a ciência. Essa transmutação de paradigma é chamada por alguns de a morte de Deus, o fim da metafísica.

A relação com a pandemia

A pandemia de do corona vírus não deixa de ser um teatro de operações onde a ciência reivindica a supremacia. Na realidade apenas estão tentando inverter as premissas. No paradigma ‘haja luz e houve luz’, o espírito precedeu tudo. Essa é a premissa. No paradigma ‘mega explosão original’, ocorre o inverso, segundo seus defensores, pois teria sido a matéria que precedeu o abstrato ou engendrou ele pela evolução das moléculas e células, porém, tudo se originou de uma mega explosão inicial que gerou o Universo em expansão.

O curioso é que nem conseguiram ainda firmar este paradigma da mega explosão original e já surge um novo modelo cosmológico, chamado de ‘metaverso’, que até inspirou a Internet mudar de nome. Ou seja, o Universo seria incriado, sempre existiu e nunca houve explosão original, mas universos paralelos que se chocam, se fundem e se recriam e os buracos negros seria a maior prova desse novo modelo metaverso. Para os defensores do haja luz e houve luz e que estão ligados a uma escatologia esses modelos se mostraram fracassados pois, não conseguiram convencer ainda o tecido social.

Esse novo modelo metaverso é chamado de cosmologia cíclica. Para muitos analistas, o paradigma ‘haja luz e houve luz’ que é o modelo cosmológico clássico ainda de pé e que tem o substrato ou matriz judaico-cristã continua firme. A batalha dos paradigmas na visão pós-moderna vão continuar. A busca pela pós-verdade vai seguir seu rumo. Os que defendem a teoria da visão social libertária e acreditam e querem a futura morte de Deus (suplantar o haja luz e houve luz) vão tentar achar formas de projetar um novo paradigma.

Conclusão

Para muitos analistas essa batalha intrínseca e intestina de paradigmas tem sido a origem de muitas patologias psicossomáticas. Muitas pessoas querem o fim da metafísica duma vez para, como dizem, se libertar da metafísica a assumir suas reais condições de finitude. E a pandemia potencializou certo desespero social.

O embate tenderá ser entre os que defendem o paradigma clássico ‘haja luz e houve luz’ e os que querem o fim desse modelo, de uma vez por todas, chamados de ‘os diabólicos’ com a premissa de que o melhor caminho é a morte de Deus.

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    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira, formado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. Contato via e-mail: [email protected]

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