haja luz e houve luz

Haja luz e houve luz: significado da expressão

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Você já ouviu falar algum dia nessa expressão ‘haja luz e houve luz’, porém, de forma preliminar e antecipada, poderá imaginar que seja ligada uma frase ou postulado ou até uma premissa bíblica ou de emprego em ritual religioso; ou quem sabe, já teria lido na própria Bíblia!

Entendendo a expressão ‘haja luz e houve luz’

Outros sabem que a expressão esta registrada na Bíblia, no primeiro livro do Pentateuco, o Gênesis. Outros ainda, sabem especificamente onde esta, usa de forma regular, e conhece a expressão inscrita no capítulo 1, versículo 3, onde aprendeu e assimilou quem sabe na via catequese ou crisma, ou no templo que frequenta. Outros ainda, nem sabem bem de onde surgiu e a expressão e confundem com percepção e atenção mais ligada à Astronômica e que seja algo ligado quem sabe ao sol. Por fim, temos aqueles que sabem do que se trata, mas não aceitam a expressão.

Mas afinal, o que significa esta expressão ‘haja luz e houve luz’ e qual a sua intersecção (interface) com a Psicanálise? A expressão apareceu pela primeira vez no mundo, pelas mãos de Moisés (1526AC-1406AC) quando na condição de ‘hagiógrafo’ ou escritor de livros sagrados que se tornaram bíblicos lançou a expressão no Livro das Origens ou Genesis, o 1º livro dos cinco livros do chamado ‘Pentateuco’. As pesquisas arque-teológicas continuam no sentido prospectando dados e informações sobre a expressão para provar que foi Moisés o autor do conjunto da obra toda, dos cinco livros, o que muitos discordam pesquisando as fontes.

Alguns fragmentos de textos são atribuídos à autoria de Moisés, mas não o todo do Pentateuco (Genesis, Êxodos, Levítico, Numeros e Deuteronômio). Ele teria sido mais coordenador e organizador dos textos. Sabe-se por fontes de tradições orais que Moisés concebeu e colocou a expressão, no ‘Baristh’ ou Gênesis, pois, o desejo era fundar e estruturar a visão e percepção social de que o espirito precedeu a matéria e não o inverso, e que foi Deus que criou o mundo e estabeleceu um fio genealógico. Este era o pensamento original de Moisés. E mais ainda, Moises estruturou e firmou o princípio de que quem negar o fio genealógico estaria negando o ‘haja luz e houve luz’.

Moisés e a expressão ‘haja luz e houve luz’

Mais tarde, os que vão firmar um novo postulado, de que houve a mega explosão original e não o houve luz e haja luz, na realidade estavam propondo e invertendo o juízo de Moisés. Eles colocaram que foi a matéria que precedeu o abstrato, entendido como sendo o espiritual e deu sentido aos caos da energia. O que significa tal condição?

Que nas origens não houve a expressão ‘haja luz e houve luz’, e sim, ocorreu uma imensa e gigantesca mega explosão hiper atômica, formando depois a sopa primordial ou a panspermia, ou seja, a molécula se agregou e fundou a célula e esta depois se especializou e se tornou complexa e evoluiu. Para os que comungam a mega explosão original a questão não se reduziria quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha (?!) mas, que foi a célula. Portanto, o ovo levou a gerar a galinha.

O dilema do ‘haja luz e houve luz’ é a filamento genealógico que demonstra um encadeamento de estirpes (gerações) de pessoas. Impossível negar Moisés como muitos dizem que ele nunca existiu se ele teve o irmão Aarão e a irmã Miriam, o pai Anrão e mãe Jocabed relatado que seria a tia de Aarão, todos de E Levi que seria o patriarca filho de Jacó, um dos doze filhos. Fica muito difícil de negar Moisés e reputá-lo como um mero mito.

A Psicanálise a expressão ‘haja luz e houve luz’

O ‘haja luz e houve luz’ diante desses fatos se transformou e ganhou o ‘status’ de paradigma. E este paradigma ingressou no inconsciente das pessoas, no ego e superego. Eis onde a Psicanálise ingressa com sua estrutura firmando uma interface. Porque este paradigma do haja luz e houve luz vai enfeixar uma série de questões críticas que a Psicanálise terá que se debruçar e ajudar a responder, questões que deixam de ser meramente filosóficas e teológicas e se tornaram psicanalíticas.

Aliás, o motivo que levou Caim matar Abel foi um ato psicanalítico. Ciúmes, inveja, desprezos, egoísmo são atos psicanalíticos. Uma das perguntas analisadas: ‘não teria tudo sido premeditado?’ Ora, se Deus é onisciente, onipresente e onipotente, não teria ele já imaginado que haveria uma ruptura humana na criação? Vejam, que após o dilúvio diz Yahwed (O eu sou) chamados de ‘Deus’ que nunca mais castigaria os homens e mulheres com uma mega destruição como foi o dilúvio porque é da natureza humana a maldade o que nos remete a conceber que Deus sabia de tudo.

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Deus sabia que o homem e a mulher iriam conspirar contra a criação! Paralelo e lateral a esta pergunta, existe outras questões mais dolosas, um feixe de questões psicanalíticas para se tentar entender e resolver. As questões não são mais meramente filo-teológicas, elas transcendem até ao alcance da inter e multi disciplinariedade. Depois surgiu a percepção pluri e logo em seguida, com a chegada da pós-modernidades dos tempos líquidos as questões poli, trans, meta e ecodisciplinares.

Os inconscientes coletivos

Impossível examinar uma questão atual e emergente sem mergulhar nos inconscientes coletivos e singulares e verificar também como reagem os superegos. Por esta razão que os que partilham e comungam da percepção da mega explosão original e que lhe deram também ‘status’ de paradigma similar ao haja luz e houve luz, passaram a argumentar que todas as questões que estão alojadas e sob o guarda-chuva geral do haja luz e houve luz são meras ficções, que estão fulminadas e destruídas e alimentam mentes ainda fora do estágio positivo.

É uma tentativa de esmagar e destruir tudo o que foi construído paulatinamente pelo ‘haja luz e houve luz’. Muitos chamam esse processo de ‘novo normal’ que para os defensores da mega explosão original, levou ao fim dos chamados tempos diabólicos das mentes loucas ou ainda, usam o termo ‘disrupção’ acoplado na pós-modernidade.

Então, quando alguém expressa que vivemos a pós-modernidade dos tempos líquidos e das “disrupções” deseja expressar que é a troca da base, ou matriz ou subestrato (contrapiso) ‘haja luz e houve luz’ pela substrato ‘houve uma mega explosão original’. Porém, o processo todo não se resume nisso. Também, é preciso inverter as premissas, de que o espírito não precedeu a matéria, mas que foi a matéria que precedeu o abstrato chamado pelos operadores do haja luz e houve luz de espírito ou alma mas que seria uma mera ficção, eis que não existe e nunca existiu o mundo espiritual e sim a bioquímica cerebral.

Inverteram os termos

Evidente que isso se for levado as últimas consequência vai mudar toda face do planeta. Para consolidar essa inversão, muitos querem se voltar para a Astrofísica ou Cosmologia Universal, como última fronteira a ser desbravada. Argumentam os operadores da mega explosão original que somos seres no Universo ou existem multi-versos e vidas esperando serem descobertas. Essa preconcepção ou macrovisão vai dar sustentação ao novo paradigma da mega explosão original.

Para os partilhantes da mega explosão original não existem deuses, almas, espíritos, mundo espiritual, hierarquias de anjos, salvação, vida eterna, diabo, inferno, que tudo isso é uma ficção e sofisma, uma falácia, eis que é apenas um estágio metafísico humano que vai falecer antes o estagio positivo ou científico se posicionar. Que a crucificação de Jesus, chamado o Cristo ou Messias é algo sentido, que não existe uma salvador mundial. Os que são contra o ‘haja luz e houve luz’ ficam atônitos e perplexos em saber que alimentam essa visão.

Entretanto vale salientar e destacar bem, que os mecanismos que regem as leis científicas são apenas ‘descobertos’ e ‘generalizados- universalilzados’ com o átomo, os elétrons, os neutros, prótons, cátions e ânions, os quarks, os barions, os hádrons, que podem ser até apropriados, como no caso da bomba atômica. Não podem ainda ser criados, pois já existiam e foram descobertos.

O paradigma da expressão

Assim como novas micro-partículas serão descobertas no futuro. São incriadas. mas ‘descobertas’ pela tecnologia dos humanos, como foi por exemplo descoberto por tecnologia como o microscópio eletrônico, os vírus e bactérias, ou pelo telescópio fora da atmosfera terrestre para não distorcer as resoluções com uso de raios laser, descobertos novos astros.

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    Os que comungam e partilham a mega explosão original argumentam que tão-logo este paradigma venha ser hegemônico a humanidade estará emancipada e livre da metafísica e sua arquitetura e das pseudo-escatologias. Que a tendência do mundo sempre foi polarizar e inexiste um apocalipse teológico.

    Que todo o edifício construído pelo haja luz e haja luz irá ruir, implodir gerando uma fase de profundas decepções e que o silêncio dos deuses ocorrerá e que esta é a verdadeira morte de Deus. Mais tarde filósofos irão tentar desenvolver tais ideias.

    Conclusão

    A renúncia ao paradigma haja luz e houve luz e adesão em massa ao paradigma da mega explosão original não ocorrerá espontaneamente, mas será ato das novas gerações no novo normal.

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    O que vai mediar à questão será o fio genealógico e a fé, ou seja, o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem, o invisível. Acreditar no invisível.

    Vivemos tempos dolorosos aguardando o futuro chegar e as ciências ‘psi’ serão chamadas a entrar em campo para abrandar a dor dos humanos.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira. Graduado com licenciatura em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. Contato via e-mail: [email protected]

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