liberdade de escolha

Liberdade de escolha e angústia

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Quem nunca perdeu algo pela qual se arrependeu? Seja uma pessoa, um objeto, um momento de vida que poderia ter sido vivido, mas não foi ou até mesmo uma oportunidade, todos nós em algum momento já nos arrependemos pelas coisas que, deliberadamente ou não, deixamos passar. Perder é sempre tarefa difícil, mas temos a liberdade de escolha.

Entendendo a liberdade de escolha

É por isso que, para a psicologia, o termo “luto” tem uma aplicabilidade muito mais ampla: Não apenas nos enlutamos por entes queridos que se vão, mas vivenciamos sentimentos de luto para as mais variadas formas de perda. Um trabalho que você desempenhou por muitos anos e acabou saindo abruptamente. Uma viagem que gostaria de ter feito, mas na última hora não conseguiu ir.

Às vezes, uma habilidade que você desempenhou durante a vida toda, mas o inevitável aproximar da velhice começa a criar imposições diante das suas possibilidades. Sentir-se enlutado é parte natural da vida. Enlutamo-nos pelos outros, por nós mesmos e pelas nossas expectativas.

A liberdade de escolha e o sentimento de perda é claro que não é característica exclusivamente humana. Tudo o que é vivo morre, e até mesmo os animais experimentam sentimento de perda e pesar. Nesse processo, a única coisa determinantemente humana é justamente a formulação que fazemos após a perda: O arrependimento.

O arrependimento e a liberdade de escolha

Você jamais verá um cachorro em um canil que, ao ver um companheiro ser adotado, pensará: “Eu deveria ter sido mais simpático. Se tivesse latido menos talvez eles me escolheriam”. Da mesma maneira, tudo na natureza segue seu rumo que inclui sim, perdas, mas jamais o arrependimento ou a ponderação.

Uma maça não questiona se deve ficar mais um dia na árvore antes de cair, ou cogita apodrecer na árvore. A ponderação, a possibilidade de escolha e, consequentemente, o arrependimento são atributos especificamente humanos.

E como escolher é excluir, todo tipo de decisão gera sempre algum tipo de arrependimento. A filosofia moderna chama esse debate de “filosofia da moral”. Essa corrente do pensamento busca responder, de maneira extensiva e profunda, qual é a melhor maneira de viver a vida. O que é o certo e o errado, o que define virtude ou fracasso.

Ética da liberdade de escolha

Ética é parte do nosso cotidiano mesmo para aqueles que jamais pensaram sobre a conceitualização de ética. Fazemos decisões com bases na ética todos os dias: Com quem queremos ou não queremos trabalhar. Se vamos devolver o troco dado errado ou não. Se traio ou não o meu conjugue numa oportunidade de fazê-lo de forma discreta. Todas questões éticas.

A culpa pela liberdade de escolha mal exercida Há pessoas que, lendo esse texto, se lembrarão de uma oportunidade que tiveram de ficar ricos desenvolvendo alguma atividade ilegal, porém por uma questão ética, não decidiram não fazê-lo. Outros se lembrarão da oportunidade única de “pular a cerca”, mas por uma questão ética, se mantiveram firmes ao matrimônio. Questão de ética.

Outras pessoas aproveitaram dessas oportunidades. Tiraram benefício financeiro, traíram seus companheiros. Questão ética. Por fim, ética nada mais é do que definir que tipo de vida você acredita ser a melhor para se viver. Quais são os valores que permearão a sua vida e guiarão suas escolhas e decisões nos dias porvir.

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Dizer não

Mas é claro que, ao escolher uma forma de viver, você diz não a todas as outras formas possíveis. Como já foi dito por Henri Bergson: Escolher é excluir. É por isso que, muitas vezes, algumas pessoas cada vez mais abrem mão da possibilidade de escolha. Denominamos instituições, marcas, religiões, políticos e gurus para escolherem por nós.

Escolher é perder, e perder gera culpa. Cresce o número de pessoas que preferem não se responsabilizar por aquilo que perderam. Compram livros e mais livros buscando os “dez passos para ser feliz”, ou “como se dar bem no trabalho em 5 passos”. Suas opiniões são pensadas por outras pessoas, seu posicionamento político foi adotado dos vídeos na internet, suas leis morais são determinadas pelo que o padre ou o pastor pregam todas semana na igreja do bairro.

Manuais de instrução que desconsideram sua subjetividade, mas em troca te apresentam respostas prontas: Alivio de consciência. Quem escolheu não fui eu. Foi o outro. Em um nível mais profundo, também é muito comum abrir mão da possibilidade de escolher tornando-nos incapazes de fazê-lo.

Considerações finais

As drogas, o álcool e outros tipos de entorpecentes também funcionam muito bem para aqueles que querem abrir mão de sua consciência. É claro que à primeira vista essas premissas podem parecer muito chamativas. Mas elas carregam consigo um detalhe que constantemente é desconsiderado: Muitas são as ferramentas que te eximem a possibilidade de escolher.

Porém você abrir mão do poder de decisão não consequentemente te exime das responsabilidades. Por fim, ter a liberdade de escolha sobre a vida que se quer viver, de dizer não para outras oportunidades e responsabilizar-se pelas perdas inevitáveis de uma vida ética é tarefa árdua.

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    Entretanto, como já vimos, é justamentamente a capacidade de decisão que nos diferencia dos outros animais. É o poder de decidir que nos torna o que somos. Então lembre-se: Qualquer coisa no mundo que te impeça de pensar, que te impeça de decidir e de definir por si mesmo rouba também um pedacinho da sua humanidade.

    O presente artigo foi escrito por Wellington Sayeg é Psicólogo Social([email protected]), com experiências em políticas públicas e garantia de direitos. Hoje, atua como psicólogo clínico na cidade de Ilhabela – SP e por atendimentos online.

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