misoginia o que é

Misoginia, machismo e sexismo: diferenças

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A misoginia é um termo da Grécia antiga para conceituar as relações nocivas que ocorrem entre homens e mulheres. Atualmente com cada vez mais discussões a cerca de direitos e garantias das minorias, se revelam também a necessidade de novos conceitos, que surgem com objetivo de explicar a origem que determinadas pessoas recebem.

Neste artigo, veremos a diferenciação entre conceitos de misoginia, sexismo e machismo. Veremos também uma visão da psicanálise sobre a misoginia.

A importância de entender o que é misoginia

A sociedade sempre teve capacidade de estimular o comportamento da população. E usa isso de diversas formas, principalmente para controlar. É constante a manipulação sofrida para criar um personagem e levá-lo à vida social. Estimular comportamentos adequados para homens e mulheres.

Exige-se:

  • do homem: um potencial de virilidade;
  • da mulher: a subserviência.

Quando o indivíduo, especialmente a mulher, não atende a estas expectativas, as violências começam, sejam elas piadas com intuito de ofender, abusos, estupros e pode chegar ao feminicídio.

Devido à base misógina que possuímos, muitas vezes é difícil identificar atitudes das mais nocivas às leves causadas ao feminino.

Estamos falando apenas de:

  • violências físicas,
  • violências psicológicas e
  • outros formas de violência, como material, social, política, patrimonial.

Desta forma não é difícil ver a todo momento não somente homens, mas também muitas mulheres reproduzirem argumentos, atos e expressões opressoras com outras mulheres quase que de forma inconsciente.

Muitas vezes como forma de defesa, a mulher ataca outra mulher. Muitas vezes, a mulher assume aparente tranquilidade como forma de sobrevivência, o que não deve ser entendida como aceitação em situações que lhe fere a dignidade, mas sim como mecanismo de defesa.

No Brasil, infelizmente os dados são cada vez mais alarmantes e, a vida das mulheres se torna pauta essencial.

Misoginia x machismo x sexismo: qual a diferença?

Apesar de os três conceitos estarem interligados e serem motivo de recorrentes violências contra mulheres, são formas diferentes de violência.

  • A misoginia é um sentimento de ódio pelo feminino, que se mostra em práticas machistas, em que as opiniões e atitudes do homem têm o único objetivo de ofender, diminuir, denegrir a mulheres.
  • A misoginia é uma base para entendermos o funcionamento do machismo: o homem se sente superior, melhor, a cima da mulher em todos os sentidos.
  • Já o sexismo pode ser definido por atitudes discriminatórias e com intuito de objetificação sexual que buscam determinar qual papel cada gênero deve performar, limitando jeito de falar, andar, vestir.

Misoginia na Psicanálise?

Podemos dizer que as histéricas dão início a fundação da Psicanálise, há mais de um século.

Atualmente a histeria é entendida dentro da Psicanálise como uma dentre outras formas com as quais o sujeito tem de lidar com a falta, sentimento que determina a condição humana, não importa de qual sexo o indivíduo seja.

Mas sabemos que o conceito de Sigmund Freud, nem sempre foi assim. Por volta do século 19, apenas mulheres “histéricas” são olhadas não mais somente como “loucas” sem cura que deveriam viver amarradas em camisas de força, mas sim como indivíduos que poderiam conseguir a cura ou controle de suas aflições.

Para a ciência, a histeria virou um grande mistério que, para manter a burguesia padrão da época, era necessário ser desvendado.

A psicanalista Maria Rita Kehl, explicou em seu livro Deslocamentos do feminino que naquela época em específico, a histeria surge como uma espécie de salvação para muitas mulheres que não suportavam mais viver um período de servidão, reprodução, cuidados, de abrir mão de seus desejos e impulsos em nome da sociedade burguesa.

Essas mulheres desenvolviam fobias, prisão de ventre, dores crônicas, tudo em consequência desse controle que tinham que fazer a todo tempo de seus reais sentimentos.

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    Ao serem excluídas da vida pública, restando apenas o cuidado com o lar e com filhos, essas mulheres não conseguiram se manter aprisionadas, esquecidas e gritaram. Ainda bem!

    Os estudos sobre a histeria de Charcot, Breuer e Freud

    O médico frânces Jean-Martin Charcot, foi quem começou a estudar e ouvir as histéricas, interessado principalmente na cura pela hipnose. Nesse momento ele encontra também homens “histéricos”.

    Após Charcot, vêm Sigmund Freud, que avança nas pesquisas sobre a origem da histeria. Anos mais tarde, Freud desenvolveria uma de suas mais conhecidas teorias, o Complexo de Édipo. Freud se propôs a ouvir o desejo dessas mulheres, ele não deu voz a elas, elas já gritavam, vale a pena frisar.

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    Freud estudou por muitos anos uma teoria sobre a histeria ser causada em mulheres, devido inclusive a traumas sexuais sofridos na infância. Mas desistiu após muitos anos de sua teoria. Freud deixa a mensagem de que os abusos sempre deixam marcas, mas que cada indivíduo vai reagir e será marcado de forma diferente. Freud diz que o sujeito não é definido pelo trauma, mas marcado por ele.

    Para evitar uma leitura equivocada sobre o que é Psicanálise, é importante que este assunto esteja sempre em debates públicos, com pessoas leigas e estudiosos. Seja para estudar, esclarecer ou desmistificar conceitos.

    Existem muitos psicanalistas diferentes, muitas leituras e ajustes posteriores aos textos e livros originários. Não é um assunto que se encerre, pois, o mundo está em constante mudança. A Psicanálise não é um livro de regras e conceitos fixos e rígidos, que não podem ser modificadas e ajustadas, pelo contrário.

    Para benefício do paciente e do tratamento, é necessário estarmos estudando e nos atualizando sobre este e todos os assuntos de esfera global. Falando em Brasil, somos o país que mais mata mulheres no mundo. Um psicanalista precisa estar preparado, atento e ter a sensibilidade de entender o medo matéria de uma realidade vivida por uma mulher brasileira, por exemplo.

    Então, acredito que cabe a nós (novos e atuais psicanalistas) produzirmos novas formas de organização para que a psicanálise possa continuar contribuindo com que homens e mulheres consigam compreender melhor sua existência nessa vida.

    Este artigo sobre misoginia, sua diferenciação com machismo e sexismo e seu contexto em psicanálise foi escrito por Pamella Gualter, estudante de Psicopedagogia e Psicanálise. Amo descobrir e conhecer como funciona a mente humana para a partir disso junto com o indivíduo hegarmos a um equilíbrio entre o que se é e, o que precisa ser para convivermos em sociedade, evitando sempre anular nossos desejos reais.

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