Este é o quarto e último artigo da série O que nunca foi, jamais será Psicanálise. Nos textos anteriores, examinamos relatos de equívocos na prática clínica, analisamos conceitos equivocados e perda de foco, e refletimos sobre premissas fundamentais que foram inobservadas. Neste artigo final, vamos discutir as preocupações irrelevantes que confundem a prática clínica e apresentar uma pesquisa crítica que revela a extensão dos equívocos cometidos em nome da psicanálise.
Preocupações irrelevantes na prática psicanalítica
Não interessa à Psicanálise as opções sexuais das pessoas, o seu gênero ou incongruência, suas preferências políticas, seu status, valor da sessão e tempo de análise, formação da pessoa do analisado ou analisando, questões estéticas, vida pregressa penal e social, grau de conhecimento, censura de condutas alheias.
Isso não implica em óbices. São meras questões que são consideradas irrelevantes. Não pode jamais o analista fazer acepção de pessoas e observar condição de renda e classe.
Essas condições são irrelevantes. Cada caso é um caso e o inconsciente é subjetivo e singular. Igual vinho, uma experiência muito pessoal e subjetiva.
Vamos abordar por derradeiro um tópico que versa sobre uma pesquisa em relação aos equívocos e inobservância das premissas-chaves na prática da Psicanálise.
Pesquisa crítica sobre equívocos na psicanálise
Uma pesquisa informal, empírica e pragmática, baseada em três fontes como anúncios em jornais, revistas de circulação locais, regionais e até nacionais, rádio, encartes, panfletos de oferta de serviços, placas, malas diretas, em alguns casos uso de cartas ou aerogramas e banners, revela que, em tese e a priori, quase 80% de operadores das ciências ou campo Psi, que se autointitulam “psicanalistas” e com oferta de práticas inusitadas, com busca de diferenciais e nichos, não operam a Psicanálise de forma correta.
Estão fora de foco e em muitos casos fora do objeto, o inconsciente, e do sujeito, pois são monolíticos e unilaterais em suas ações, impondo o que deve ser feito, com uso inadequado de suas ferramentas.
Não existe a clareza de que o analisando é que deve buscar soluções e opções para suas demandas. A Psicanálise não dá rumos, manuais, regras, guias. Ela examina o inconsciente e desperta o autoconhecimento, porém é o analisando ou analisado que vai optar pela resolução de sua demanda.
E tem que querer: está no campo volitivo.
Conclusão da pesquisa e fechamento da série
Face ao exposto, no exame das questões-problemas pré-selecionadas, tópico a tópico, de forma concatenada, e com base em alguns dados, inclusive pesquisas empíricas informais, porém com muitos relatos confiáveis, possuímos em tese condições de responder à problematização formulada: “Será que estamos realizando a teoria e a prática como analisados ou analistas, na Psicanálise, de forma correta ou ainda estamos confusos?”
Entendemos que ainda estamos, em muitos lugares do país e até no exterior, operando de forma confusa a Psicanálise.
Possivelmente por imaturidade e equívocos decorrentes de falta de conhecimento técnico mais profundo, muitos usam a prática como caminho de monetização e sobrevivência, aplicando criatividades que não se coadunam com a técnica psicanalítica.
Essas práticas estão fora de foco, que é o inconsciente. Muitos operadores que laboram na esfera ou campo Psi em fatos e atos psicanalíticos ignoram as premissas-chaves da Psicanálise, arranhando a ética. Precisam se reciclar para ajustar o foco, encontrar sua linha e as formas adequadas de acessar o inconsciente e ajudar o analisado na sua demanda.
Assim concluímos a série “O que nunca foi Psicanálise”, mostrando relatos, equívocos conceituais, premissas inobservadas, preocupações irrelevantes e a necessidade de recuperar o verdadeiro foco da prática psicanalítica.
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Este artigo foi baseado no artigo da aluna Elane Cristina De Araújo, originalmente apresentado sob o título: “Neurose /Psicose e Perversão”.
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Parte 1: O que nunca foi Psicanálise: relatos de equívocos na prática clínica
Parte 2: O que nunca foi Psicanálise: conceitos equivocados e perda de foco
Parte 3: O que nunca foi Psicanálise: premissas inobservadas e distorções na clínica
Parte 4: O que nunca foi Psicanálise: preocupações irrelevantes e pesquisa crítica

1 thoughts on “O que nunca foi Psicanálise: preocupações irrelevantes e pesquisa crítica”
Texto bem explicativo e esclarecedor! Nos leva a refletir, o quanto a prática da psicanálise está sendo apresentada de maneira errônea. Hoje vemos várias pessoas se apresentando como psicanalista, no entanto, em suas práticas utilizam metodologias que distorcem o verdadeiro sentido da prática psicanalítica.