Descubra as premissas da psicanálise e os riscos quando elas são ignoradas ou distorcidas na prática clínica.

O que nunca foi Psicanálise: premissas inobservadas e distorções na clínica

Publicado em Publicado em Conceitos e Significados

Este é o terceiro artigo da série O que nunca foi, jamais será Psicanálise. Nos textos anteriores, analisamos relatos de equívocos na prática clínica e conceitos aplicados de forma equivocada, que afastam a Psicanálise de seu verdadeiro objeto: o inconsciente. Neste artigo, vamos examinar como sujeitos tendenciosos e unilaterais comprometem a prática e também refletir sobre as premissas da Psicanálise que muitas vezes são inobservadas, gerando distorções clínicas.

Sujeito tendencioso e unilateral

Esta concepção se refere aos profissionais que se ofertam no mercado operando o conceito de prospecção de clientes, que lidam com outros focos fora do inconsciente.

Vamos encontrar os que laboram apenas a libido, ou comportamentos, regras de egos rígidos, disciplina e princípios para o superego, a parte moral e outros termos como catexia ou complexos de energias retidas ou encapsuladas.

Idem, o uso de horóscopos, cartas de tarô, incensos, astrologias, PNL (Programação Neurolinguística), ortomolecular idade, salmos e leituras bíblicas, reconciliação de separados e divorciados, aconselhamentos, palestras, eventos de descarrego, banhos de sal, sessões de catarse, gritos, terapias alternativas do nudismo desinibido, planilhas de registros e controles, report, massagens, mentoring, coaching, enfim, nada disso é prática de Psicanálise.

Isto se revela como prática do pensamento único, unilateral impositivo, ou de lateralidade selecionada, sem a concepção do par analítico.

Tudo isso e mais outros pontos focais não é e nunca foi Psicanálise. Não existe na Psicanálise cura pronta e rápida, não é uma prática inflexível e estática, mas uma dinâmica psíquica. Não comporta jamais tratamento criativo, inédito, imediato, temporal e acelerado.

Não está atrelada ao comportamental. Não opera com dogmas. E principalmente, não é uma abordagem generalista tipo padrão para todos. Cada caso é um caso bem peculiar e singular, porque lida com a subjetividade e o inconsciente que é atemporal.

Não existem soluções prontas em Psicanálise, elas têm que ser construídas no par analítico e no setting. Não há na prática da Psicanálise jamais a manipulação e controle por uma das partes.

TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) nunca foi Psicanálise. Psicanálise não é um braço da Psicologia e nem uma de suas subdivisões. Ela até estuda a teoria da mente, mas não tem seu foco no ego e superego para discipliná-los e guiá-los.

Dentro da Psicanálise existem várias linhas de escolas e abordagens, como lacaniana, freudiana clássica, reformada, junguiana, entre outras. Custos elevados das sessões não têm absolutamente nenhum vínculo com cura. Isso jamais limita o campo de aplicação que é a sociedade.

A Psicanálise tem sua caixa de ferramentas própria, com seus conceitos, teorias, métodos, técnica, reflexões, avaliações e autocríticas. Porque ela jamais está subordinada a outros campos do saber, em que pese realize interfaces.

O que está constatado tecnicamente é que existe um equívoco quanto à aplicação de suas premissas-chaves.

Premissas psicanálise inobservadas

A Psicanálise, desde sua sistematização, opera com premissas-chaves bem firmadas, testadas, comprovadas e consolidadas. A inobservância ou negligência dessas premissas levou a uma prática equivocada, porque Psiquiatria é Psiquiatria; Psicologia é Psicologia; Filosofia é Filosofia; Sociologia é Sociologia; Antropologia é Antropologia; Teologia é Teologia; Psicanálise é Psicanálise. Cada campo do saber tem seu objeto, sujeito, ferramentas ou instrumentos e campo de aplicação.

Vamos avaliar algumas dessas premissas. Selecionamos dez premissas importantes das quase cinquenta que existem. Não existe entre elas hierarquia.

Dez premissas fundamentais

  1. Psicanálise é Psicanálise, não é divisão, subdivisão e muito menos braço da Psicologia, Psiquiatria, enfim. É um campo do saber totalmente autônomo.

  2. Psicanálise tem seu objeto no inconsciente, nada mais do que isso. Não tem como objeto o ego, nem superego, libido, catexia, psicossexualidade, comportamento, pecado, catarse, PNL, signo, sexo, enfim, nada disso é o foco do psicanalista. O foco é tão somente o inconsciente, o labor do psicanalista.

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  3. O inconsciente não é exclusivo e nem monopólio da Psicanálise.

  4. Não existe na Psicanálise hierarquia do saber e precedência de premissas.

  5. Psicanálise não possui manual e nem guia para egos e superego e muito menos cronologia para balizar o inconsciente. O inconsciente é atemporal.

  6. Psicanálise não depende do DSM (da APA, EUA) e nem do CID (OMS/ONU), pois tem seu próprio catálogo de nosologia (fenômenos mentais): neuroses, parafilias, psicoses.

  7. Psicanálise não compete com nenhum campo do saber.

  8. Psicanálise não usa o termo paciente, cliente, partilhante, mas o termo par analítico (analista e analisado/analisando).

  9. Não existe em Psicanálise cura total ou plena. O processo é aberto e em construção e busca auxiliar na contenção dos sintomas e remissão no atingimento da demanda dos desejos inconscientes. A remissão geralmente é parcial, porque busca o autoconhecimento. A própria pessoa precisa achar a saída do labirinto. Senão, não é prática da Psicanálise.

  10. Não existe em Psicanálise controle do analisando, supervisão de atos, censura, restrições, lista de passos, aplicação e fiscalização de manuais ou guias de conduta, receituário. O próprio analisando é que deve fazer suas opções e achar as saídas de seu labirinto. O psicanalista atua no despertar do autoconhecimento ao examinar o inconsciente no par analítico.

O repertório geral das premissas, quase cinquenta, é estudado por passos e etapas e demonstra de forma clara o que é e o que não é prática de Psicanálise.

Vale salientar que existem muitos pontos que são preocupações totalmente inúteis e não relevantes para a Psicanálise. O termo Psicanálise com inicial maiúscula é a ciência. E psicanálise em inicial minúscula é a prática.

No próximo artigo da série, vamos abordar as preocupações irrelevantes e apresentar uma pesquisa crítica que expõe os equívocos recorrentes na prática psicanalítica.

Este artigo foi baseado no artigo da aluna Elane Cristina De Araújo, originalmente apresentado sob o título: “Neurose /Psicose e Perversão”.

Referências: baseado em artigo relacionado ao tema escrito por Edson Fernando Lima Oliveira Fernando no Facebook.

Parte 1: O que nunca foi Psicanálise: relatos de equívocos na prática clínica

Parte 2: O que nunca foi Psicanálise: conceitos equivocados e perda de foco

Parte 3: O que nunca foi Psicanálise: premissas inobservadas e distorções na clínica

Parte 4: O que nunca foi Psicanálise: preocupações irrelevantes e pesquisa crítica

2 thoughts on “O que nunca foi Psicanálise: premissas inobservadas e distorções na clínica

  1. Edson Fernando Lima Oliveira Fernando disse:

    Caros amigos do http://www.psicanaliseclinica.com. Eu fiz um artigo sob o título ‘O que nunca foi, não é e nunca será Psicanalise’ e publiquei no Face, inclusive com a pesquisa que consta no artigo que a Elane Cristine de Araujo apresentou. Se ela me citou como fonte, tranquilo, show de bola. Se não o fez, solicito que ela cite. Senão vira plágio. Ok. Espero que ela tenha me citado como fonte, como autor do artigo que ela apresentou como se fosse dela. Se ela assim procedeu, show de bola, ótimo. Se não o fez, não me citou, falta de ética o Instituto precisa tomar providências e desligar ela. Ela faltou com a ética. Espero que tenha citado a fonte, pesquisei não vi. Segue para conhecimento.

    1. Psicanálise Clínica disse:

      Edson, o artigo é de uma aluna, na nossa verificação antiplágio não houve texto exato extraído de fonte anterior da internet. De toda forma, por sua solicitação, incluímos referência ao seu texto, ao final deste artigo. Obrigado.

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