Conheça os relatos mais comuns de práticas equivocadas que se apresentam como psicanálise, mas distorcem seus fundamentos.

O que nunca foi Psicanálise: relatos de equívocos na prática clínica

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Este é o primeiro artigo de uma série dedicada a esclarecer o que não é, nunca foi e jamais será Psicanálise. Ao longo de quatro textos, vamos analisar relatos equivocados, conceitos equivocados, premissas inobservadas e preocupações irrelevantes que confundem a prática clínica.

Neste artigo vamos abordar um tema inquietante e sugerido por pessoas interessadas na área das “ciências ou campo Psi”, que questionam rotineiramente: afinal, o que não é, o que nunca foi e o que nunca será prática efetiva da Psicanálise?

O pedido por um enfoque esclarecedor tem sido formulado por muitos que enviam relatos e questionam: “Será que estamos realizando a teoria e a prática, como analisando ou analistas, na Psicanálise, de forma correta ou ainda estamos confusos?

Muitos operadores acabam corrigindo rotas. E pasmem-se, mais de 80% dos relatos não são psicanálise. Vamos avaliar bem tudo isso e muito mais. Ao final, no fecho, em conclusão, vamos ofertar uma resposta à problematização levantada na introdução.

Relatos equivocados na prática clínica

Como o tema é inquietante e desafiador, nosso primeiro passo foi selecionar alguns relatos para deflagrar a análise. São pessoas operadoras do campo Psi, com tempo de consultório, porém preocupadas se estão ou não praticando a Psicanálise, que encaminharam suas narrativas.

A partir da análise desses relatos, vamos alinhavando e nivelando a questão. E após, vamos consignar nossas impressões.

Primeiro relato

“Sou psicanalista de formação leiga, 4 anos, tenho uma boa carteira de pacientes, onde oriento eles, faço anamneses, fichas, pastas e tenho parceria com psiquiatra, e eles, os pacientes, se reportam informando se estão seguindo o que estamos orientando na busca da cura plena.”

Segundo relato

“Sou psicanalista, 7 anos, uso salmos bíblicos nos clientes, estimulo interface com oração, acredito na psicanálise com espiritualidade, curo gays, faço terapia de casais desorientados, revertendo divórcios e tenho bons clientes.”

Terceiro relato

“Sou psicanalista, 12 anos, uso mentoring e coaching com sucesso, a cura tem se mostrado eficaz, muitos estão felizes, faço pacotes de viagens de turismo para a parte lúdica de idosos em crises e conflitos, já visitei museu do Freud na Inglaterra, tenho vários livros dele e uso autoajuda também, alguns livros do Cury, tem dado tudo certo.”

Quarto relato

“Sou psicanalista, quase 15 anos, formação leiga e mestrado na academia formal, estou lendo obras de Lacan, seminários. Acredito na cura de neuróticos e parafílicos, as psicoses mando para parceria com Psiquiatria, eles tomam remédios que controlamos. Uso divã com sucesso.”

Quinto relato

“Sou psicanalista há muitos anos, mais de dez, sou leigo, mas fiz pós e quase concluí mestrado, fui seminarista, gosto do Bion e não descarto Reich, a cura por masturbação é um caminho, uso Freire, e sei que Freud é meio ultrapassado, uso Lacan e curo muitos. Não gosto de divã e uso poltronas, olho no olho. O coaching foi um avanço.”

Sexto relato

“Sou psicanalista há muitos anos, fiz na Argentina, em Buenos Aires, sou fã da astrologia, busco visão interdisciplinar, minha ênfase é na sexualidade, a chave de tudo está na libido e na psicossexualidade. Sou caro porque no neoliberalismo é competição e estou bem no mercado. Atendo também insônias.”

Sétimo relato

“Sou psicanalista com quase 10 anos de ofício, tenho parcerias com psicólogos e psiquiatras, meu método é rápido, bem comportamental, tenho um conjunto de regras infalíveis, trabalho com PNL (Neuro-Linguística), dou palestras, tenho soluções otimizadas, terapias aceleradas com massagens e com muita supervisão.”

Prática clínica e equívocos recorrentes

Existem outros relatos, porém estes sete foram selecionados e são importantes para que possamos inferir o que não é, nunca foi e nunca será teoria e prática de Psicanálise.

Tomamos precaução para fazer uma espécie de devolução informando que nada disso era psicanálise. Houve um choque psicológico e dialético e contestações pontuais. Entretanto, houve um processo de conscientização.

Nosso “report” e “feedback” (relatório e opinião) foi direcionado para o uso de conceitos equivocados que vamos expor no próximo artigo.

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No próximo artigo da série, vamos analisar os conceitos equivocados e a perda de foco que afastam a prática clínica do verdadeiro objeto da Psicanálise: o inconsciente.

Este artigo foi baseado no artigo da aluna Elane Cristina De Araújo, originalmente apresentado sob o título: “Neurose /Psicose e Perversão”.

Parte 1: O que nunca foi Psicanálise: relatos de equívocos na prática clínica

Parte 2: O que nunca foi Psicanálise: conceitos equivocados e perda de foco

Parte 3: O que nunca foi Psicanálise: premissas inobservadas e distorções na clínica

Parte 4: O que nunca foi Psicanálise: preocupações irrelevantes e pesquisa crítica

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