Sexualidade e desejo

Sexualidade e desejo em Kinsey e Deleuze

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Freud, médico neurologista e psiquiatra, criador da psicanálise, muito contribuiu para o avanço da medicina e entre outras áreas, mas sabemos que em questão da sexualidade e desejo, ele ficou muito engessado, até porque pouco se falava sobre este assunto, principalmente sobre a sexualidade feminina, e a isso é devido a sua época.

Entendendo a sexualidade e desejo

Antigamente a sexualidade era apenas para a função reprodutiva, e com a influência da igreja que dominava o pensamento de toda a massa, tinha o pensamento de que existia apenas o instinto e que somente ele deveria ser seguido para se considerar uma sexualidade ‘’normal’’.

Hoje sabemos que não existe apenas o instinto, e mesmo o considerando, o instinto também vai além de apenas uma função reprodutiva, Freud nos considera animais domesticados, sendo os instintos sexuais humano guiados pela pulsão sexual genital, ou seja, agora considerando que somos animais, só que racionais, temos inúmeras formas de satisfazer essa energia sexual acumulada, sendo o prazer além de um papel apenas reprodutivo, há o desejo.

E nós seres humanos somos dotados de desejos. A reprodução não é necessariamente um instinto biológico que temos fixados na nossa mente inata, não nascemos com essa necessidade. Sócrates no livro ‘’o banquete’’, faz menção a reprodução como um papel narcisista de um desejo de ser imortal, o homem quer isso, ele anseia pela eternidade, e se não formos levar para um lado religioso, a reprodução teria esse fim, a imortalidade.

Vida, sexualidade e desejo

Há homens e mulheres que não querem ter filhos, não sentem vontade, e para alguns, esse sentimento não é apenas uma fase, ela é levada até o fim de sua vida. Levando a pensar que a reprodução como definitivamente um instinto é apenas uma ilusão pragmática como forma de dominação. Um papel ou uma função imposta.

Alfred Kinsey (1894 – 1956) foi um biólogo americano, professor e sexólogo, e foi um grande pesquisador e escritor sobre o comportamento sexual humano. Kinsey desenvolveu uma escala de 0 à 6 explicando que existe nuances diferentes entre essas categorias.

Antes de como foi elaborada e explicar cada uma delas, vale dizer que o pensamento de Kinsey era que a sexualidade não é fixa e nem muito menos permanente, ela é constante e mutável ao longo da vida e de nossas experiências, e para ele, se aprisionar em rótulos era uma bobagem.

A liberdade da sexualidade

A sexualidade é livre, desde que seja consciente e que não invada a privacidade e segurança do outro. 0 corresponde a heterossexuais exclusivamente. 6 corresponde a homossexuais exclusivamente. Escala:

  • 0 = Exclusivamente heterossexual;
  • 1 = Predominância heterossexual, podendo apenas ocasionalmente ter experiências homossexuais;
  • 2 = Predominância heterossexual, mas mais do que ocasionalmente se permitindo ter experiências homossexuais.
  • 3 = Igualmente heterossexuais e homossexuais (bissexualidade).
  • 4 = Predominância homossexual, mas mais do que ocasionalmente se permitindo ter experiências heterossexuais.
  • 5 = Predominância homossexual, podendo apenas ocasionalmente ter experiências homossexuais;
  • 6 = Exclusivamente homossexual.

Depois Kinsey incluiu também a assexualidade representada pela letra X, que são pessoas que tem 0 ou pouca atração sexual por outras. Com o resultado final de sua pesquisa, Kinsey insinuou que a maioria das pessoas se enquadram na escala intermediária entre 1 à 5, sendo a bissexualidade algo normal e natural do ser humano, e não mais uma raridade ou desvio sexual.

Assim como já descobrira Freud, todos nós quando nascemos, nascemos de natureza bissexual, mas para Freud, para se ter uma sexualidade ‘’normal’’ e bem desenvolvida, o padrão seria a heterossexualidade, propondo então a teoria do desenvolvimento psicossexual e do Complexo de Édipo com o propósito de explicar como seria o seu desenvolvimento e a dinâmica da escolha objetal da criança.

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Sedução, sexualidade e desejo

Algum tempo depois ele formula a teoria da sedução e depois acaba rompendo com alguns tabus e paradigmas da época dizendo que a escolha objetal se da quando adolescente e que é movida pelo desejo. Mas até hoje alguns psicanalistas e até mesmo pessoas comuns usam o complexo de Édipo com o intuito de dizer que a heterossexualidade é padrão e natural do desenvolvimento.

Deleuze e Guattari em ‘’Anti-Édipo’’ nos diz que o Édipo de Freud é uma construção social dominante e que é necessário romper, e não o resolver. Lacan diz que o Real é a linguagem do inconsciente, mas o que é esse Real? Uma língua que nos obrigaram a falar. Édipo = Corpos dóceis.

‘’É lastimável ter de dizer coisas tão rudimentares: o desejo não ameaça a sociedade por ser desejo de fazer sexo com a mãe, mas por ser revolucionário” – Deleuze e Guattari, Anti-Édipo, p. 158. Para ele a criança é uma máquina desejante, e o Édipo vêm para fazer dessa máquina um modo de produção escravista.

Conclusão

Concluímos que por muito tempo tudo que era fora do padrão imposto pela sociedade repressora (e que ainda hoje atua fortemente) era um desvio, talvez até mesmo uma doença (como consideravam a homossexualidade), e hoje com o avanço das pesquisas cientificas e biológicas, vemos que tudo não passava de manipulação para o domínio de nossos corpos e de nossas vontades.

Ainda podemos ser máquinas desejantes e livres. Como citado anteriormente, A sexualidade é livre, desde que seja consciente e que não invada a privacidade e segurança do outro.

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    Referência bibliográfica

    ALENCAR, Paulo. O que a escala Kinsey pode dizer sobre a nossa sexualidade. <O que a escala Kinsey pode dizer sobre a nossa sexualidade. – Psicólogo Paulo Alencar (psicologopauloalencar.com.br)> TRINDADE, Rafael. O império de Édipo. <https://razaoinadequada.com/2013/05/19/o-anti-edipo/>

    O presente artigo foi escrito por Diovana Cristina dos Santos ([email protected]).

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