sonhos em crianças

Sonhos em Crianças sob o olhar psicanalítico

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Neste artigo, entenderemos juntos a importância dos sonhos em crianças na Psicanálise.

O sonho e o seu significado sem grande importância para o senso comum cético da época nunca mais foi o mesmo depois que Freud, em 1900 lançou sua celebre e polemica obra A interpretação dos sonhos dando caráter científico ao conteúdo onírico, provando que os sonhos são as realizações de desejos, e que essa poderia ser a “estrada perfeita” para chegarmos ao tão emblemático e formidável inconsciente.

Assim como os adultos, as crianças também sonham e por vezes o significado desses conteúdos podem trazer angústias e sentimentos manifestados dessa forma sendo importante dar “ouvidos” e atenção aos seus sonhos. Continue a leitura e entenda mais sobre o assunto.

Como os sonhos em crianças acontecem?

Primeiro precisamos desmistificar aquele mito de que tem gente que não sonha. Na realidade TODOS sonhamos, TODAS as noites e em TODAS as idades, mas nem todo mundo se lembra, segundo a psicologia.

Nosso sono é dividido em quatro estágios. Nos dois primeiros a pessoa está saindo do estado de vigília e geralmente tem sonhos curtos, mas intensos para a transição de sono. O terceiro estágio praticamente não há sonho algum.

É realmente no estágio 4, também conhecido como sono REM que se caracteriza pelos movimentos repetitivos dos olhos que o sonho tende a ser mais expressivo, com conexões e princípio, meio e fim.

Os sonhos em crianças para a psicanálise

Para muitas vertentes teóricas o sonho não passa de restos diurnos de pensamentos ou apenas uma “faxina” para recuperar a saúde do organismo e do cérebro. Mas como se explicam os insights e até mesmo premonições que, ao longo de nossa história foram relatadas por meio dos sonhos?

Freud é o primeiro autor a expor em uma obra a origem enigmática do sonho, mostrando que, em suas experiências pessoais e clínicas todos esses conteúdos poderiam ser considerados realizações de desejos. Ele então nomeia esses conteúdos em manifesto e latente. O manifesto, como o próprio nome diz é o sonho tal qual lembrado e relatado pela primeira vez e latente o significado do sonho, depois de analisado (por um psicanalista). Os sonhos manifestos, ou seja, os que “chegam até a nossa consciência” vem geralmente de uma maneira louca e desordenada, não?

Isso porque a partir de impulsos reprimidos do inconsciente (ID), cria-se o disfarce e a distorção que formam a fantasia em que se mostra esse sonho. Freud descobriu e trouxe à tona diversos processos na formação de disfarce do conteúdo latente até se formar irreconhecível na forma de sonho tal qual chega até nós. Toda essa elaboração é necessária para que o sonho possa passar pela barreira de censura da parte inconsciente do ego. Essa barreira, serve como mecanismo de defesa contra ideias insuportáveis que sejam incompatíveis com o ego do sujeito (eu).

A interpretação dos sonhos

É na primeira edição de A interpretação dos sonhos que Freud propõe os sonhos da criança como uma realização – sem deformações – de desejos não satisfeitos no dia. “Não levantam problemas para serem solucionados, mas por outro lado, são de inestimável importância para provar que, em sua natureza essencial, os sonhos representam realizações de desejos” (Freud, 1900/ 1996c, pp. 161-162)

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No entanto em 1911, o pai da psicanálise passou a considerar a existência de distorção em sonhos de crianças a partir de 4/ 5 anos de idade, uma vez que em torno dessa idade começa a se dar a censura e uma certa distinção entre a parte reprimida e o resto do inconsciente, ou seja, com essa idade a criança já começa a reprimir os seus desejos e os “joga para escanteio” lá no inconsciente.

“Um sonho de uma criança é uma reação a uma experiência do dia precedente, a qual deixou atrás de si uma mágoa, um desejo que não foi satisfeito”.

Caso clássico

Durante toda sua vida, Freud analisou os sonhos e percebeu logo cedo a importância desses conteúdos oníricos. Antes mesmo da publicação de A interpretação dos sonhos, em meados de 1890 ele já analisava os sonhos de seus filhos e seus próprios: sonhos recordados de infância e na fase adulta.

Um caso clássico na literatura psicanalítica não passou em branco no que diz respeito a hipóteses de Freud sobre a distorção nos sonhos de crianças. No caso “Pequeno Hans”, vários sonhos são relatados pelo menino de 5 anos e é extensivo o trabalho de interpretação realizado por Freud em conjunto com o pai do paciente.

“Hans confirma de maneira mais concreta e sem compromisso o que eu tinha dito na minha A interpretação dos sonhos, com respeito as relações sexuais de uma criança com seus pais. Hans era realmente um pequeno ÉDIPO que queria ter seu pai fora do caminho, para que pudesse ficar sozinho com sua linda mãe e dormir com ela”. (Freud, 1909/1996d, p. 103)

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    Conclusão sobre os sonhos em crianças

    Segundo Freud, a deformação onírica já se inicia bem no início da infância e ele pode relatar sonhos sonhados por crianças entre 5 e 8 anos possuindo todas as características de sonhos de idade maior, mas quase sempre com a ressalva que esses sonhos são de fácil interpretação, comparados ao sonho de um adulto.

    Como deve ser o trabalho do analista nesses casos? O analista que, de fato valoriza o sonho na clínica com crianças pode fazer intervenções para que esse trabalho seja efetivo.

    Na psicanálise com crianças devemos deslocar a responsabilidade do trabalho com sonhos também para o analista. Segundo Gensler (1994), quando a criança percebe que o analista valoriza os sonhos ela os reporta com mais frequência e pode, então, através do jogo, do desenho ou de estórias fazer associações sobre o material onírico.

    O presente artigo foi escrito por Ana Turci([email protected]). Aluna do curso de formação Psicanálise Clínica.

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