suicídio entre adolescentes

Suicídio entre adolescentes: por que tantos casos?

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O Suicídio entre adolescentes se caracteriza como um ato atentatório contra a própria vida. É uma ação intencional que tem inúmeras causas, dentre elas estão: depressão, uso excessivo de drogas e medicamentos, problemas de cunho financeiro e emocional, alcoolismo, esquizofrenia, transtorno bipolar.

Recentemente, saíram inúmeras pesquisas que comprovaram que tem sido crescente os números de suicídios ocorridos, atingindo verticalmente os jovens, inclusive crianças e adolescentes.

Sendo listado entre as maiores causas de morte em adolescentes, inclusive acima de acidentes com veículos. Só nos resta um questionamento: Por que tem ocorrido tanto entre adolescentes?

Entender o suicídio entre adolescentes

Apesar da listagem acima incluir os casos mais comuns de suicídio entre adolescentes, baseado em evidências de como a pessoa se encontrava antes de se suicidar ou por relatos de cartas, avisos, oriundos de quem tirou a própria vida. Contudo, essa lista não é limitadora, pois, a motivação verdadeira do suicídio é subjetiva e mesmo que socialmente transpareça pelo convívio antes da morte e sinais que a pessoa demonstrava, não há como fazer um enquadramento.

Já que cada caso tem sua unicidade e o indivíduo também seria o único realmente capaz de fornecer as suas motivações, se esse realmente soubesse. Noutro passo, com base em uma observação empírica do meio social a que todos estamos inseridos atualmente, em especial os adolescentes, pode-se verificar que de maneira evolutiva estamos envoltos em uma série de adequações a um padrão estabelecido socialmente.

Havendo, de fato, uma idealização cultural pré-estabelecida do modo como devemos agir em busca do alcance desse ideal social.

Aspectos sociais que influenciam no Suicídio entre adolescentes

Nessa busca incessante pelo ideal social, que se vê mais exacerbado pela facilidade que as mídias no geral o propagam, ideal de corpo, beleza, comportamento, do que é ter sucesso, estudos, trabalho, modo de viver, ser, estar, tão enquadrado e tipificado pelos artistas e sociedade capitalista. Sistema capitalista este que usa desse artifício para vender soluções inimagináveis para o alcance dessa idealização, que acaba por nesse enlace originar pessoas neuróticas na busca incessante pelos ideais, vivendo em estado de busca, insatisfação, próprios de muita idealização, da falta do momento presente.

Com essa neurose latente, surgem sentimento de culpa para cada padrão que as pessoas se impõem nessa cultura do ser o melhor sempre, bem como na de que o esforço faz parte. Havendo, de maneira inevitável, com o acesso à internet, redes sociais, blogueiras, uma comparação com esses sujeitos, uma disputa por demonstrar mais felicidade, sucesso.

O que de certa forma, origina uma insatisfação e infelicidade em todos os envolvidos, porque quem se expõe tem que alimentar a fome de “conteúdo” da plateia e agradá-la com suas postagens de felicidade continua, mesmo que não seja o real, mas formata um simbólico popular.

O ego

Outrossim, a plateia que vibra e alimenta esse Ego por vezes narcísico desses fomentadores, vive numa idealização de que a vida virtual do vizinho que é a verdadeiramente mais feliz, novamente idealizando formas para a alcançar.

Numa continuidade neurótica e comparativa idealista de perfeição com momentos, corpo, prazeres, dinheiro, relacionamentos que enaltecem formas de vida que não se sabe se são reais.

Os ideais, as redes sociais e o problema do suicídio entre adolescentes

O que inevitavelmente, já que quando se compara dificilmente se iguala, origina uma infelicidade com tudo que está em evidência no outro, atingindo esta geração de adolescentes por ser a que mais utiliza esses meios de comunicação, por vezes como única forma de se comunicar com o mundo. O mundo virtual, paralelo, criou uma realidade que por vezes, dificulta o adolescente de se comunicar, essa fase que é desafiadora a todos que convivem, mas em especial para o próprio adolescente.

Já que é uma fase de transição, que o jovem deixa de ser criança para se tornar adulto, descobrindo tudo o que essa mutação significa, com a mudança em relação a posição dos pais, como eles se enxergam diante dos outros, descoberta sexual, uma série de fatores que fazem nesse momento o diálogo ser crucial. Diante da transição existente na adolescência o diálogo sempre foi um desafio, já que nessa fase geralmente há um embate com os país.

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Ocorre que atrelado a isso tudo, o uso excessivo dos celulares e a absorção que este uso provoca, com horas e horas perdidas produzindo e olhando conteúdo por todas as partes envolvidas, aumentou o afastamento que já era condizente com a condição de desafio aos pais e embate próprio da fase. Assim como, aumentou a visibilidade quanto ao alcance de um ideal amplamente divulgado nas redes sociais, gerando mais cobrança do que já existia sentimento de culpa.

Homofobia e intolerâncias que afetam adolescentes

Cumpre destacar também que a homofobia dentro e fora do contexto familiar tem sido fonte primaz de sofrimento e não aceitação dos desejos. Agindo como meio inibidor das vontades, o que é mais uma fonte de insatisfação do jovem que está descobrindo sua sexualidade e não encontra aparato familiar e social para o seu eu verdadeiro.

Com cultos religiosos que fomentam curas e uma ignorância na falta do acolhimento devido, também têm sido fontes dos inúmeros suicídios entre os adolescentes, diante do enquadramento a um ideal de sociedade patriarcal e familiar que não é condizente com a vontade do sujeito por vezes. Como Freud ditava no trecho “Patologia dos vínculos”, como sendo uma elucidação de que as relações interpessoais tem sido fonte produtora de infelicidade e origina nas pessoas, em especial adolescentes, em fase de transição, adoecimentos de todos os tipos.

Já que nessas relações interpessoais é que há a formação do meio social como ditador de modos de viver, sem uma avaliação da subjetividade, originando uma busca pelo alcance do ideal, a frequente necessidade de aceitação em todos os meios. Sendo o que foge desse ideal, o diferente, execrado pelos meios, inclusive pelos colegas em forma de bullying, o que é mais uma fonte de adoecimento para quem sofre.

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    Conclusão: sobre o acometimento de suicídios entre adolescentes

    Resta evidenciado, portanto, a urgência no cuidado com a saúde mental dos adolescentes, com o fortalecimento da autoestima, observação das cobranças internas, do bullying no ambiente escolar.

    Faz-se importante o diálogo com este jovem, o enfrentamento das barreiras de convívio e a troca com as escolas e seus professores como fonte de orientação e observação, apoio a tanta cobrança e culpa que os jovens têm passado, principalmente por assumir riscos e decisões que não enfrentavam antes.

    Tanto por conta da escolha profissional e estudos, tanto na sua formação como sujeito que ainda está se encontrando, necessitando do apoio familiar e escolar.

    Este artigo foi escrito por Priscila Wanderley Saraiva( [email protected]gmail.com), advogada, psicanalista com foco no social.

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