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Transferência psicanalítica: barreira ou ferramenta?

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Sigmund Freud propôs ao longo de sua obra, uma série de conceitos inovadores, alguns deles foram amplamente aceitos e inclusive transcendem a psicanálise, sendo adotados por outras correntes teóricas, como o é o caso do conceito de inconsciente, assunto estudado por Freud que levou à teoria da transferência psicanalítica.

Porém para muitos estudiosos e profissionais da área, o conceito de transferência seria tão ou mais inovador que o conceito de inconsciente e, seria um verdadeiro marco, um divisor de águas no estudo do comportamento e da sua interação com as emoções.

Sigmund Freud e a transferência

Freud foi muito além de definir uma hipótese plausível para o conceito de transferência psicanalítica, a conceituou e estudou de maneira cuidadosa, observou seu curso em seus analisandos, chegando mesmo a traçar seu contraponto, a contratransferência.

Evidenciou, de maneira incontestável a interação entre analista e analisando, a existência de pseudo-afetos, frutos do processo transferencial.

Sendo assim, como identificar um processo de transferência no setting terapêutico? Toda transferência seria positiva e poderia apenas beneficiar o tratamento da patologia do analisando? Como gerir o processo de transferência da maneira mais adequada possível?

O que é a transferência psicanalítica?

Para Sigmund Freud, o processo de transferência seria a reedição de conflitos infantis, sendo que no processo de análise, o psicoterapeuta desempenha o papel de algum familiar, que originalmente participava desse conflito emocional.

Partindo deste ponto inicial, a transferência poderia ser identificada por meio da observação dos afetos do analisando, que são direcionados ao analista. Afetos estes, que não possuem uma ancoragem na realidade.

Um analisando que reedita um conflito de abandono, pode evidenciar em sua fala, expressões, afetos e comportamentos, o medo de ser abandonado pelo psicoterapeuta, tentando antever os desejos que ele fantasia que o analista possui, como uma forma de preservar sua imagem ao outro, para assim não perder seu afeto (fantasiado) e não sofrer um abandono.

Neste intento o analisando pode por exemplo, esconder conteúdos que julga reprováveis, mas que são importantes para o processo analítico e, que uma vez tratados adequadamente, ajudar na identificação da neurose presente e consequente dissolução na atualidade.

A transferência nem sempre é positiva

Uma vez identificada uma transferência, ela se torna um material importante de trabalho, porém é necessário ter no horizonte que, nem toda transferência psicanalítica é positiva, como é nos casos de afetos de admiração, carinho, respeito, simpatia, confiança e mesmo em um caso bem mais delicado, mas que pode ser manejado de maneira adequada, amor e desejo sexual.

Como é de se imaginar, esses conflitos doravante reeditados, não são somente formados por laços afetivos positivos, mas vêm muitas vezes com conteúdos intensos de raiva, mágoa, agressividade.

Transferência negativa

A transferência negativa já mencionada pode ser explicitada por exemplo, no tom ríspido ou agressivo com o qual o analisando se dirige ao analista, ou algum momento de desconfiança no psicoterapeuta, quando isso ocorre nas primeiras sessões de análise, pode prejudicar o estabelecimento de vínculo terapêutico, mas em contrapartida, se já existe um vínculo mais robusto e, o analista consegue manejar e usar o conteúdo como material, a transferência negativa pode trazer à tona um conflito inconsciente, que está em reedição e que pode propiciar um maior do domínio do Ego, ante os conteúdos do Id.

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Em outras palavras, transferências negativas também são importantes e auxiliam a reorganização e reestruturação da personalidade. E como tudo que envolve o manejo de emoções e o estudo da psique, não existem fórmulas mágicas para o manejo da transferência, mas alguns cuidados podem auxiliar numa maior possibilidade de sucesso da análise.

Quando surge a transferência?

Esses cuidados se iniciam logo no primeiro encontro, quando a análise ainda nem teve um início propriamente dito, mas no qual já é possível fazer uma preparação do candidato ao processo de análise, seja falando o óbvio, como regras básicas, como tempo, sigilo, setting, chegando a elucidação de que inclusive os afetos dentro espaço do consultório, são materiais de trabalho e análise, que aquele é um espaço seguro, não só do ponto de vista físico, mas também do âmbito da expressão dos afetos e emoções e, que tudo importa, sendo o ideal a nomeação destes sem o censo da razão, o que constitui a livre associação de ideias, pedra fundamental do processo analítico.

E finalizando no mais óbvio para o técnico, mas total desconhecido para o candidato a analisando, os afetos direcionados ao terapeuta, tomam este de empréstimo, como alvo, sem ser este o real alvo. Um franco deslocamento de conteúdo, como é do feitio dos conteúdos recalcados no inconsciente humano.

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    O setting terapêutico

    Portanto, a obra da psicanálise e sobretudo, a obra Freudiana, deixam claro que nem toda resistência é um ato transferencial, mas que em toda transferência, algo resiste, ao mesmo tempo que anseia ser revelado.

    Em suma, a transferência incide na análise, sobre o analista, mas trata-se de uma reedição de um conflito anterior, possivelmente já reeditado outras vezes, porém não exclusiva do setting terapêutico, muitas vezes destinada a um familiar ou parceiro amoroso, mas que sempre significa uma chance de elucidar um conflito inconsciente, fortalecer o Ego e auxiliar na reorganização da personalidade em sofrimento.

    A Psicanálise de Freud

    Sigmund Freud propôs ao longo de sua obra, uma série de conceitos inovadores, alguns deles foram amplamente aceitos e inclusive transcendem a psicanálise, sendo adotados por outras correntes teóricas, como o é o caso do conceito de inconsciente.

    Porém para muitos estudiosos e profissionais da área, o conceito de transferência seria tão ou mais inovador que o conceito de inconsciente e, seria um verdadeiro marco, um divisor de águas no estudo do comportamento e da sua interação com as emoções.

    Conclusão

    Freud foi muito além de definir uma hipótese plausível para o conceito de transferência, a conceituou e estudou de maneira cuidadosa, observou seu curso em seus analisandos, chegando mesmo a traçar seu contraponto, a contratransferência.

    Evidenciou, de maneira incontestável a interação entre analista e analisando, a existência de pseudo-afetos, frutos do processo transferencial. Sendo assim, como identificar um processo de transferência no setting terapêutico?

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