Ab-reação: significado na Psicanálise

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Você sabe o que significa ab-reação, também grafada abreação? Este artigo será enriquecedor, vamos tratar do tema em suas diversas dimensões. Vamos mostrar como o fenômeno da ab-reação é abordado na Psicanálise e na Psicologia, e como este conceito nos ajuda a compreender mentes e comportamentos.

Cercados por regras sociais

A vida em sociedade impõe padrões, definições de certo e errado, criando assim, um modelo a ser seguido por seus membros. Com o fim de enquadramento nas regras e diretrizes, o ser humano se vê cada mais refém desse enquadramento social. Isso ocorre em detrimento das características psíquicas individuais. Então, há uma busca desenfreada por:

  • ganhos individuais
  • lucros materiais sem medida
  • sucesso
  • tentativa de alcançar o sucesso a todo custo

Esses processos ocorrem mesmo que haja uma perda gradual do moral e de valores.

Uma resposta frente a uma aparente normalidade

Diante deste quadro, a psique humana se torna um terreno fértil para mutações estereotipadas. Elas se adequam a essa realidade social, criando mecanismos para regular ou até mesmo bloquear os impulsos instintivos Ou seja, como forma de resguardo a uma aparente normalidade.

Freud divide o funcionamento da mente humana em três instâncias psíquicas que interagem entre si dentro no Modelo Estrutural. Assim definidos, o ID é uma estrutura psíquica primitiva e instintiva voltada à satisfação e ao prazer. É ele quem busca garantir desde o nascimento que as necessidades básicas sejam atendidas, com vista à sobrevivência.

O EGO, por sua vez, é a maneira pela qual a mente mantém os impulsos e desejos do ID “sob controle”. Por consequência, um mecanismo de manutenção da sanidade mental.

Por fim, fechando os estágios, o SUPEREGO age como moderador do EGO. Ele proporciona discernimento ao indivíduo daquilo que seria moralmente aceito ou não.

Sendo assim, estará sempre alicerçado nas experiências vivenciadas ao longo da vida.

A Ab-reação como uma defesa da psique

Ao longo da vida, o indivíduo passa por uma série de situações em que seus instintos vão sendo contrapostos às questões éticas e morais do Superego. Cabe ao Ego a difícil tarefa de contrabalancear esses polos tão extremados entre si, bloqueando ocorrências traumáticas. O Ego se utiliza de mecanismos de defesa, podendo ser:

  • negação,
  • deslocamento,
  • sublimação ou
  • qualquer outro artifício que a mente seja capaz de criar na busca de um equilíbrio constante.

Toda ação gera, necessariamente, uma reação. Mas, conforme dito anteriormente, algumas dessas reações, ou mesmo impulsos originários do ser humano são suprimidos pelo Ego. Isso ocorre de acordo com o seu julgamento. Assim, essas supressões ao longo da vida vão enfraquecendo o “véu” que as esconde e gerando uma ab-reação.

A ab-reação e a vazão de sentimento causados por eventos traumáticos

Por se tratar de algo que não se encontra no consciente, sendo algum evento traumático ocorrido no início da infância, a liberação da dor causada ocorre de forma psicossomática.

A psicossomatização é a forma pela qual a dor bloqueada pelo ego consegue “rasgar o véu” que a mantém escondida do consciente. Ela frustra então o seu controle sobre as emoções. O que acaba desencadeando limitações das atividades funcionais.

Essa limitações podem ser de ordem motora, respiratória, emocional ou ainda, a ocorrência de vários desses sintomas. Além disso, existindo uma infinidade de meios para a saída dessas emoções represadas ao longo de anos.

Os eventos traumático e as somatizações

A amplitude dos efeitos transcende o evento ocorrido. Por exemplo, uma criança que fora agredida de forma física pelos responsáveis e teve esse evento traumático regulado pelo ego, não necessariamente vai somatizá-lo na fase adulta. Ou seja, sendo um pai agressivo.

As somatizações podem ocorrer desde um adulto que tem dificuldade em falar em público, de se relacionar com mulheres ou tenha dores no corpo… Enfim, uma vasta gama de mecanismos de “pedido de socorro” para que aquela dor, até então inacessível ao consciente, seja curada.

A forma mais comum para o tratamento de uma ab-reação, é medicar o paciente. É necessário reforçar o poder de controle do ego sobre tais emoções. Por conseguinte, o retorno à uma vida “normal”.

O melhor tratamento para uma ab-reação

Esse tipo de tratamento, no entanto, na maioria dos casos reconstrói a barreira que mantinha a dor contida. Mas poderá haver um novo enfraquecimento futuro e uma nova somatização do evento traumático. Surgindo assim, um mecanismo de defesa nomeado de conversão.

Por meio da Psicanálise, por outro lado, a busca está fundamentada em encontrar o sentimento contido e jogá-lo para fora. Assim, um acontecimento que à época não foi capaz de ser compreendido, passaria a ser aceito pelo consciente como algo que causou dor. Mas, que não representa mais uma ameaça, deixando de ser “refém” do ego e passando a integrar o consciente como uma lembrança do passado.

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Revivendo o passado

Ab-reação é o nome dado à descarga emocional que leva o indivíduo à reviver os sentimentos do evento passado. Vai muito além, da lembrança do fato ou de lágrimas advindas dessa lembrança. Nesse caso, ocorre uma liberação emocional tão intensa que é capaz de fazer com que o indivíduo se veja exatamente no momento do trauma.

Ou seja, essa descarga emocional traz à tona todos os sentimentos ruins sobre determinado fato. E, caso o indivíduo esteja num estado psíquico em que seja possível uma melhor compreensão, ocorrerá a catarse. A catarse nada mais é que a forma pela qual o trauma é expurgado definitivamente.

Coclusão

Por fim, é importante salientar as duas formas mais comuns de se atingir a ab-reação.

A primeira é um acontecimento espontâneo em que a mente por si só realiza o processo.

Na segunda, o profissional direciona o paciente a um estado mental ao fazê-lo regredir dentro de si e o faz encontrar o ponto chave.

Assim, não é o profissional que o leva até o ponto, mas apenas lhe dá ferramentas para que ele trilhe seu próprio caminho e atinja a catarse, o que o prendia.

Deixe seu comentário abaixo. Este artigo foi criado por Bruna Malta, exclusivamente para o blog do Curso de Formação em Psicanálise.

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