angústia hoje

Angústia hoje à luz da Psicanálise

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Uma experiência intrínseca à condição humana é a angústia hoje. Ela assume contornos particulares nos complexos cenários contemporâneos. Diante das demandas incessantes, das incertezas da vida e das transformações aceleradas, a angústia emerge como um fio condutor que tece as tramas das experiências individuais e coletivas.

Falaremos sobre a angústia nos dias de hoje à luz da Psicanálise. Propomos uma breve reflexão sobre a angústia nos dias de hoje à luz da psicanálise, buscando compreender as nuances desse fenômeno psíquico considerando: o sentido existencial da angústia, a percepção positiva da angústia e a compreensão da angústia nos dias atuais.

Entendendo sobre a angústia

Ao lançar um olhar psicanalítico sobre as manifestações presentes da angústia, pretendemos desvelar aspectos singulares dessa vivência emocional, oferecendo insights que possam contribuir para um entendimento consistente das dinâmicas psíquicas na era atual.

Origem da angústia para Freud: angústia hoje difere da de ontem?

Desde os primórdios de sua prática clínica, Freud demonstrou um interesse contínuo pela angústia, um tema que permeou suas reflexões ao longo de sua vida e que culminou no desenvolvimento das teorias psicanalíticas. Através desse percurso, suas concepções sobre a angústia passaram por transformações significativas, adaptando-se às descobertas emergentes. Essa evolução resultou na formulação de duas teses distintas sobre a angústia, as quais ficaram conhecidas como as teorias da angústia segundo Freud (1976).

A primeira tese pode ser desdobrada em duas fases. Inicialmente, no período de 1893 a 1895, a angústia era vinculada à tensão sexual, concebida como inscrita no corpo. Posteriormente, de 1909 a 1917, a angústia passou a ser associada ao desejo sexual reprimido, sendo considerada inscrita na psique.

Essa perspectiva inicial amadureceu durante o desenvolvimento teórico de Freud, dando origem a um segundo argumento que emergiu entre 1926 e 1932, sendo inicialmente apresentado em sua obra “Inibição, Sintoma e Angústia” (Caropreso & Aguiar, 2015).

A nova tese

A nova tese se desdobra nos conceitos fundamentais da segunda tópica do aparelho psíquico, explorando o surgimento do ‘Eu’ e os mecanismos de defesa. Nessa abordagem, Freud postula que a fonte da angústia reside nesse papel psicológico, caracterizando o sentimento como dinâmico.

O sentido existencial da angústia

Na abordagem psicanalítica, a angústia ganha uma dimensão existencial que vai além das manifestações sintomáticas, revelando-se como um fenômeno inerente à condição humana. Para a Psicanálise, a angústia não é simplesmente um mal-estar a ser eliminado, mas sim uma expressão profunda das inquietações existenciais que permeiam a vida de cada indivíduo.

A análise freudiana reconhece que a angústia está entrelaçada com a própria experiência de existir, emergindo em resposta às complexidades inerentes à busca por sentido e significado. Ela se torna uma voz interior que ecoa as tensões entre desejos individuais e as demandas da realidade externa. Assim, a angústia, longe de ser vista como um mero sintoma, é considerada uma resposta genuína diante das incertezas, limitações e confrontos existenciais.

Inspirada nas contribuições de pensadores como Viktor Frankl, a psicanálise enfatiza o papel da angústia na busca por um propósito de vida. Nesse contexto, a angústia é vista como um sinal de que o indivíduo está confrontando questões fundamentais sobre sua identidade, valores e a própria natureza da existência. Ela se torna uma força propulsora na jornada de autorreflexão e autotranscendência.

A angústia e a Psicanálise

Assim, a psicanálise traça a angústia como uma expressão viva que pode catalisar um profundo questionamento sobre o sentido da vida. Ao invés de ser evitada, a angústia é entendida como parte integrante da busca humana por significado, tornando-se um canal que conduz à compreensão mais profunda de si mesmo e do mundo que o cerca.

A percepção positiva da angústia

Para a Psicanálise, a angústia oferece uma visão que destaca seu potencial positivo e transformador. Ela passa a ser um indicador rico em significados sobre os processos psíquicos individuais. Freud, em suas incursões teóricas, reconheceu que a angústia desempenha um papel crucial na movimentação psíquica, indo além de expressões de conflitos internos.

O sentido positivo da angústia, nesse universo, reside na sua capacidade de sinalizar a presença de desejos reprimidos e de demandas não expressas. Ela se revela como uma linguagem do inconsciente, um chamado para a reflexão e exploração das camadas mais profundas da psique.

A angústia muitas vezes é considerada a força motriz para o autoconhecimento e o amadurecimento psicológico. Ao enfrentar a angústia, o indivíduo tem a oportunidade de mergulhar em sua interioridade, compreendendo melhor suas necessidades, conflitos e aspirações. Esse confronto consciente em como a angústia pode abrir portas para a transformação pessoal e a superação de obstáculos emocionais.

Nessa condição, ao invés de ser encarada como um desconforto a ser evitado, a psicanálise sugere que a angústia pode ser uma aliada na jornada do desenvolvimento emocional, instigando a busca por significado, autenticidade e equilíbrio psíquico.

Compreendendo a angústia nos dias atuais

A incessante busca por validação social, a pressão por desempenho constante e a exposição a um fluxo incessante de informações digitais são apenas algumas das variáveis que contribuem para a emergência e intensificação da angústia nos indivíduos contemporâneos.

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    Nesse cenário, a psicanálise busca desvendar as raízes dessa angústia, explorando os mecanismos inconscientes que moldam as respostas emocionais diante dos desafios modernos. A virtualização das relações interpessoais, a fragmentação da identidade em meio às redes sociais e a constante sensação de inadequação diante dos ideais inatingíveis de sucesso podem gerar um terreno fértil para a eclosão da angústia.

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    Ao refletir sobre esses fenômenos, a psicanálise propõe uma compreensão mais profunda das dinâmicas psíquicas atuais, destacando como as mudanças socioculturais influenciam as formas de sofrimento emocional. Em meio à complexidade da vida moderna, a psicanálise se apresenta como um guia, como um farol valioso para a navegação em águas turbulentas do sofrimento moderno, oferecendo insights que podem contribuir para uma vivência mais consciente e equilibrada.

    Conclusão

    Em suma, a compreensão da angústia nos dias atuais à luz da psicanálise revela-se fundamental para decifrar os intrincados desafios emocionais da era contemporânea. Ao considerar reflexões sobre o sentido existencial da angústia, sua percepção positiva e sua compreensão nos dias atuais, a psicanálise oferece um olhar penetrante sobre as raízes dessa angústia.

    Nessa conjuntura, não apenas como um sintoma a ser drenado, mas como um eco das complexidades existenciais, a angústia moderna é um chamado à reflexão e à compreensão mais profunda de nós mesmos. Ao integrar as contribuições da psicanálise na abordagem clínica e na busca por sentido, podemos vislumbrar caminhos para enfrentar e transformar essa angústia, promovendo uma jornada rumo a uma vivência mais autêntica, resiliente e significativa nos tempos presentes.

    Este artigo foi escrito por José R. Júnior, Psicanalista pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica (IBPC). Mestre em Ciências Ambientais pela UFPA/ITV. Terapeuta, Docente, Membro efetivo do Grupo de Pesquisa Grandes Projetos na Amazônia da UFPA/NUMA. Graduado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural da Amazônia, Analista Ambiental na Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará.

    2 thoughts on “Angústia hoje à luz da Psicanálise

    1. Romulo Caixa Ferreira disse:

      Quem nunca sofreu de angústia?

    2. Adriana Maria Bigolin disse:

      Somos seres que experienciam momentos de angústia na nossa condição humana. Faz parte do processo evolutivo para a nossa evolução, autoconhecimento e transcendência.

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