O DSM-III marcou uma ruptura com a psicanálise, reforçando a medicalização e redefinindo o tratamento das patologias psíquicas.

Tempo na Psicanálise: o DSM-III e a ruptura histórica

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Este é o segundo artigo da série “Tempo na Psicanálise”, em que investigamos como a concepção de tempo e o inconsciente se relacionam com a prática clínica e a história da saúde mental.

Na primeira parte, vimos os fundamentos teóricos da psicanálise e a noção de inconsciente atemporal. Agora, vamos examinar como a exclusão da psicanálise do DSM-III em 1980 marcou uma ruptura histórica e mudou os rumos do cuidado em saúde mental.

O DSM-III e a exclusão da Psicanálise

O DSM é um manual de categorias nosológicas ou classificação das patologias psíquicas elaborado pela Associação de Psiquiatria Americana (APA). Muitos estudiosos do comportamento antropológico humano perceberam a necessidade de fazer um código ou manual de patologias mentais, e, em 1840, tentaram com 2 categorias.

Depois, em 1918, elaboraram um com 22 classificações. Porém, foi em 1952 que conseguiram estruturar o primeiro manual DSM, com 106 classificações de patologias psíquicas. Em 1968, elaboraram o segundo manual com 168 doenças (patologias mentais).

A virada de 1980

Foi no ano de 1980 que foi reestruturado o DSM, surgindo um novo manual com 265 tipos de doenças (patologias ou nosologias). Foi nesse ano que muitos operadores do campo Psi, dos quais muitos de poucas luzes e ignorantes sobre o papel do objeto da Psicanálise, chamaram de ponto de virada e resolveram romper o paradigma vigente.

Resolveram fazer uma ruptura entre Psiquiatria e Psicanálise e capturar para suas influências a Psicologia. Trocaram o miolo do paradigma, tiraram de dentro da Psiquiatria a teoria psicanalítica.

A ruptura com a psicanálise

Eles publicaram um documento defendendo a tese de que as patologias (transtornos, desordens, síndromes) mentais deveriam ser definidas a partir daquela data por agrupamentos, junções e interfaces de sintomas, e não mais por histórias de vida, nem de narrativas de analisandos, nem de causas psicológicas sociais e nem comportamentais.

Passaram a exigir exames hematológicos, de imagem, entre outros, introduzindo a psico-medicalização (psicofármacos) como solução. Fundamentaram isso buscando o respaldo de novos avanços científicos, ancorados em novos campos como a Neurociência.

Os neokraepelinianos e a medicalização

Foi a fase de dominância dos chamados “neokraepelinianos” (Emil Kraepelin, 1856-1926). Essa ruptura vai mais tarde demonstrar cabalmente, via estatísticas estocásticas principalmente, que foi um equívoco muito grave e sério.

Ajudou muito a indústria psico-farmacêutica, mas agravou a crise psíquica humana em alta escala e de repercussão planetária. As estatísticas provam que houve um salto quase quântico nos transtornos, aumentou tudo, desde suicídios até surtos e crimes graves de pessoas que usam psicofármacos.

A fase de poucas luzes

De 1980 até meados de 2013, alguns pesquisadores denominam de idade média ou de poucas luzes das ciências Psi, notadamente da hegemonia da Psiquiatria. Surgiu até o movimento denominado de antipsiquiatria. Foi a fase de poucas luzes e ignorância dos críticos, que vamos examinar na próxima parte.

Conclusão

Com isso, encerramos o segundo artigo da série sobre o tempo na psicanálise, discutindo a ruptura histórica do DSM-III e suas consequências.

No próximo artigo, vamos analisar como a crise da psiquiatria e da psicologia aprofundou os limites do modelo biologicista e reforçou a importância do inconsciente.

Série baseada no artigo originalmente intitulado “O tempo cronólogico na Psicanálise” escrito por Edson Fernando L Oliveira, formado em Psicanálise, possui PG em Psicanálise, cursou Pós em Psiquiatria e Saúde Mental e concluindo Psicofarmacologia. Contato: [email protected]

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Parte 1: Tempo na Psicanálise: fundamentos e o inconsciente atemporal

Parte 2: Tempo na Psicanálise: o DSM-III e a ruptura histórica
DSM-III psicanálise

Parte 3: Tempo na Psicanálise: a crise da psiquiatria e psicologia

Parte 4: Tempo na Psicanálise: novos caminhos da psicanálise na pós-modernidade

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