Este é o quarto e último artigo da série “Tempo na Psicanálise”, dedicada a refletir sobre como a concepção psicanalítica de tempo se articula com a clínica e a história das ciências Psi. Nas partes anteriores, vimos os fundamentos e o inconsciente atemporal, a ruptura do DSM-III e a crise da psiquiatria e da psicologia. Agora, discutimos a psicanálise na pós-modernidade e os novos caminhos possíveis diante do agravamento dos transtornos psíquicos.
O que fazer na psicanálise pós-modernidade
Para muitos operadores das ciências Psi, em especial os psicanalistas, uma nova visão deverá ocorrer, onde irão buscar uma saída pela Psicanálise.
Porque o objeto da Psicanálise é o inconsciente, e já está firmada a convicção de que muitos transtornos psíquicos têm sua chave de explicação não na aplicação massiva de remédios para correção de disfunções de sinapses cerebrais, mas no inconsciente.
Acesso ao inconsciente e limites da medicalização
Muitos operadores do campo Psi, psiquiatras e psicólogos não sabem acessar o inconsciente. Preferem apelar para a alopatia do que examinar a história de vida do sujeito, entender as narrativas dos analisandos, buscar a ressignificação das causas sociais e individuais dos sofrimentos, conhecer as formas de manifestações em certos comportamentos.
E isso significa regressar àquilo que eles defenestraram de caso pensado no DSM-III.
A solução pela psicanálise na pós-modernidade
A solução tem sido uma busca nos instrumentos psicanalíticos para acessar a chave da patologia, que na maioria dos episódios está alojada no inconsciente.
Conclusão geral da série
Face ao exposto, no exame das questões-problemas pré-selecionadas, tópico a tópico, de forma concatenada, e com base em novas pesquisas e dados estatísticos confiáveis, possuímos em tese condições de responder à problematização formulada:
“Ocorreu um equívoco grave no passado quanto à forma como foi percebido o tempo na Psicanálise?”
Entendemos que sim, ocorreu uma fase de poucas luzes e ignorância de muitos operadores do campo Psi, notadamente psiquiatras e psicólogos, em não compreender bem como é parametrizado o tempo na esfera do inconsciente, o objeto da Psicanálise.
Essa percepção equivocada direcionou as ciências Psi (Psiquiatria, Psicologia, muitas Psicoterapias e parcelas da Psicanálise) para o paradigma biológico e a concentração dos tratamentos na psicofarmacologia.
O resultado foi a ampliação das categorias nosológicas e a instauração de um quadro crônico, agudo e profundo de crises que não conseguem mais debelar. Concentraram-se de forma maciça no conjunto de sinais e sintomas.
Uma das alternativas na emergente pós-modernidade seria o regresso à Psicanálise, que tem seu foco no inconsciente, onde para muitos analistas estão as explicações que podem levar à remissão, e não no tempo da sessão ou na duração do percurso.
O tempo no inconsciente é diferente. O inconsciente é atemporal.
Com isso, concluímos o quarto e último artigo da série sobre o tempo na psicanálise, destacando a relevância da psicanálise na pós-modernidade como alternativa diante do agravamento dos transtornos psíquicos.
A série mostrou como o inconsciente atemporal permanece central para compreender o sujeito e propor novos caminhos clínicos no cenário contemporâneo.
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QUERO INFORMAÇÕES PARA ME INSCREVER NA FORMAÇÃO EM PSICANÁLISEErro: Formulário de contato não encontrado.
Série baseada no artigo originalmente intitulado “O tempo cronólogico na Psicanálise” escrito por Edson Fernando L Oliveira, formado em Psicanálise, possui PG em Psicanálise, cursou Pós em Psiquiatria e Saúde Mental e concluindo Psicofarmacologia. Contato: [email protected]
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Parte 1: Tempo na Psicanálise: fundamentos e o inconsciente atemporal
Parte 2: Tempo na Psicanálise: o DSM-III e a ruptura históric
Parte 3: Tempo na Psicanálise: a crise da psiquiatria e psicologia
Parte 4: Tempo na Psicanálise: novos caminhos da psicanálise na pós-modernidade
