Psicanálise e perversão: entenda a transgressão, o desejo e os limites do tratamento segundo Freud e Lacan.

Psicanálise e Perversão: Transgressão, Desejo e Freud/Lacan

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Neste artigo, concluímos a série dedicada às estruturas psíquicas na psicanálise, explorando agora a psicanálise e perversão. Freud e Lacan ofereceram contribuições importantes para compreender essa estrutura marcada pela transgressão das normas, pela busca do prazer e pela ausência de culpa.

Definição de perversão psicanálise

A perversão é uma estrutura de personalidade na qual a busca pelo prazer é constante. A pessoa sabe que existem normas, é capaz de reconhecê-las, mas tende a transgredi-las.

No lugar de sentir culpa ou remordimento, o perverso costuma desfrutar desses momentos, não mostrando quaisquer sinais de ansiedade. Ao contrário, a ansiedade somente aparece nos momentos em que deseja transgredir e não consegue.

O perverso costuma materializar seu desejo de perturbar a ordem natural das coisas, as normas estabelecidas, por meio de dois grandes grupos de comportamento: a perversão sexual e a perversão social.

Transgressão e desejo

É natural que reúnam características exibicionistas e descaradas, sendo impulsivas e manipuladoras. A canalização de seu prazer é direcionada a algo que destoa do comum, considerado o movimento saudável da estrutura neurótica – parceiro, família, realização pessoal – para algo perverso e desejos fora do padrão. Podemos mencionar: pedofilia, zoofilia, entre outros.

Como tratar uma personalidade disfuncional? O primeiro passo é procurar um especialista em transtornos de personalidade para fazer um diagnóstico detalhado, e tratar de entender como a estrutura da personalidade vem comprometendo o equilíbrio psíquico da pessoa.

Perversão sexual e social

Nos casos mais problemáticos, é importante que o tratamento seja feito de forma multidisciplinar, com a participação de um médico psiquiatra. Os medicamentos, além de minimizar determinados sintomas, controlarão eventuais crises e surtos.

Vale ressaltar que mesmo que o prognóstico do perverso e psicótico não preveja cura, o suporte adequado pode controlar a manifestação de sintomas e minimizar riscos que o indivíduo possa oferecer para si e terceiros, tornando-se indispensável.

O que está na base da neurose e da psicose é o mesmo mecanismo: a frustração, decorrente da não realização de desejos infantis em razão de exigências da realidade (mundo externo) ou do superego (mundo interno).

Tratamento da perversão

O aparelho psíquico de Freud e Lacan permite compreender essas manifestações:

  • Id, Superego e Ego em Freud.

  • Real, Simbólico e Imaginário em Lacan.

Sobre o delírio: o delírio é uma tentativa de cura, não uma manifestação de doença. O delírio é um modo de lidar com a castração; oferece ao sujeito psicótico a possibilidade, ainda que precária, de vínculo com o outro. No dizer de Lacan, um vínculo frouxo, pelo qual o sujeito investe na tentativa de cura.

Conclusão

A perversão psicanálise, como vimos, é marcada pela transgressão consciente, pela busca de prazer e pela ausência de culpa. Freud e Lacan contribuíram para esclarecer seus mecanismos, os limites e possibilidades de tratamento, assim como sua distinção em relação às demais estruturas.

Com este artigo, encerramos a série sobre as estruturas psíquicas fundamentais da psicanálise — neurose, psicose e perversão. Juntas, elas oferecem um panorama essencial para compreender como o sujeito se posiciona diante do desejo, da lei e da realidade, iluminando o trabalho clínico e o estudo da mente humana.

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Este artigo foi baseado no artigo da aluna Elane Cristina De Araújo, originalmente apresentado sob o título: “Conhecer a Diferença entre a Psicose e a Perversão”.

Parte 1: Psicanálise e Neurose: Tipos, Sintomas e Freud/Lacan

Parte 2: Psicanálise e Psicose: Delírio, Foraclusão e Freud/Lacan

Parte 3: Psicanálise e Perversão: Transgressão, Desejo e Freud/Lacan

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