publicações pré-psicanalíticas e outros esboços inéditos de freud

Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos (Freud)

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Este conteúdo traz uma visão sobre a obra Estudo da Obra Publicações Pré-psicanalíticas e Esboços Inéditos (1886-1889), texto da fase inicial da obra de Sigmund Freud.

Essa primeira grande obra escrita por Freud, conhecida como pré-psicanalítica, descreve a transição do médico vienense, que desviou o caminho das pesquisas em Neurologia, indo de encontro para temas da Psiquiatria em várias apresentações patológicas, como histeria, fobias, somatizações, ansiedade, depressões, e mais tarde, finalmente, elaborando essa nova ciência, a Psicanálise.

Sendo a Psicanálise oriunda da Psiquiatria, mas como Freud não foi compreendido pela sociedade médica da época, acabou sendo incorporado somente por alguns médicos. Atualmente a psicanálise pode ser realizada não somente por médicos, existem físicos, advogados, psicólogos, artistas, todos se dedicando e construindo novos vieses de estudo, fortalecendo ainda mais a psicanálise.

A obra “Estudo da Obra Publicações Pré-psicanalíticas”

Freud recebeu em 1885 uma bolsa de estudos e escolheu o Hospice de la Salpêtrière, em Paris, pois lhe despertou interesse as descobertas da escola francesa em assuntos como o hipnotismo e a histeria e também o aprendizado com pesquisadores como Jean-Martin Charcot.

Após seu retorno para Viena, Freud continua sua investigação sobre a histeria, relatando um caso de um paciente masculino histérico, pois o trabalho de Charcot nesse momento girava em torno desse assunto. Esse paciente passou por dois traumas importantes, sofreu ameaça de homicídio pelo seu irmão e após três anos foi acusado de roubo por uma mulher.

Nessas duas situações o paciente apresentou um quadro de somatização semelhante, seu hemicorpo esquerdo foi tomado por fraqueza, dores, como se fosse vítima de um acidente vascular cerebral, apresentou ainda episódios de convulsão e na sua hemiface esquerda uma total anestesia, inclusive à estímulos dolorosos, essa anestesia também ocorria no tronco e membros esquerdos.

Primeiros estudos de Freud

Freud inicia então um uma pesquisa bastante aprofundada para identificar no paciente histérico as manifestações físicas presentes e identificou quais as manifestações mais frequentes e também identificou diferenças dessas manifestações em pacientes histéricos e não histéricos, ou seja, portadores de outras doenças responsáveis por determinado quadro clínico.

Alguns sinais e sintomas foram classificados por Freud no paciente histérico:

  • crises convulsivas,
  • zonas histerógenas,
  • distúrbios da sensibilidade (anestesia ou hiperestesia),
  • distúrbios da atividade sensorial,
  • paralisias,
  • contraturas musculares.

Na obra Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos, Freud destacou que estes aspectos clínicos são muito importantes para o diagnóstico e entendimento da histeria.

Destacou dois principais fatores de risco para seu surgimento:

  • primeiro a hereditariedade e
  • segundo fatores ambientais.

Fatores que podem provocar uma crise aguda, como trauma, intoxicação, luto, mas outras vezes, segundo Freud, acontecimentos banais algumas vezes provocam uma crise dessa natureza.

Além desses fatores ele destacou que um prejuízo do funcionamento da sexualidade também pode ser responsável por esta doença. Para aquela época, Freud fez algumas orientações gerais como forma de prevenir uma agudização da histeria, visto que ele avaliava a histeria como uma condição crônica do paciente.

Entre esses cuidados ele orientava um equilíbrio pessoal para lidar com atividades profissionais, visto que o estresse e a fadiga duradoura, sem contrapartida de uma melhor qualidade de vida, sem uma atividade física, sem um lazer, poderiam sobrecarregar psiquicamente o paciente e provocar uma nova crise.

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Recomendava também uma avaliação de exames bioquímicos e correção das alterações, lembrando que naquela época a disponibilidade de exames em relação à atualidade era bastante limitada. Atualmente dispomos inclusive de exames de imagem que mostram as funções cerebrais que são ativadas em determinadas ações como movimento, emoção, pensamento.

Recomendações de Freud nas Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos

Freud recomenda retirar o paciente daquela situação que lhe hiper excitou e desencadeou aquele surto histérico. Até este momento Freud acreditava que a sugestão hipnótica se consolidaria como uma de suas principais abordagens terapêuticas, porém, mais tarde abandonou esta conduta e aprofundou seus estudos na livre associação de palavras, baseando sua conduta na cura pela fala, acessando o conteúdo inconsciente desta forma.

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    Freud relata que a hipnose começou a lhe irritar, visto que não conseguia um estado hipnótico satisfatório em todos os seus pacientes. Entretanto, no futuro, Freud se mostrava grato à hipnose, por ter sido o método inicial que possibilitou chegar em conceitos mais complexos dentro da Psicanálise.

    No momento que Freud vai descrevendo os mecanismos envolvidos na origem de uma crise histérica, vai também estabelecendo as bases teóricas do conhecimento do inconsciente, que se tornaria uma das mais importantes contribuições científicas da sua longa trajetória como investigador da mente.

    Freud descreve que durante um ataque histérico ocorre uma dissociação do consciente, ou seja, ao se deparar com uma situação, até mesmo sem grande importância, uma lembrança inconsciente pode vir à tona trazendo o conteúdo histérico. Segundo o médico vienense, se este conteúdo inconsciente for trazido inteiramente ao estado normal de consciência, ele deixa de ter essa capacidade de provocar ataques.

    A maneira freudiana de entender o sintoma

    Uma atitude ou ideia ou experiência forem forçosamente rechaçados, ou forçados a serem esquecidos, em algum momento a lembrança deles pode retornar sob a forma de ataques histéricos.

    Fundamental nesta etapa das publicações pré-psicanalíticas, foram as cartas e rascunhos escritas por Freud ao médico Otorrinolaringologista, Wilhelm Fliess. Nestes escritos Freud aprofunda o conhecimento sobre os impactos que uma vivência sexual desfavorável, podem ter na etiologia das patologias mentais.

    Nesse momento Freud enfatizava a importância que a repressão sexual tinha na origem dessas doenças. Nesse momento histórico, algumas doenças sexualmente transmissíveis, como a Sífilis, não apresentavam métodos diagnósticos precisos e acessíveis como hoje, então era comum pacientes apresentarem a forma crônica, terciária da doença.

    A importância das Publicações Pré-Psicanalíticas na história

    Era normal que na época em que Freud escreveu estes rascunhos, a Sífilis representasse uma grande preocupação ao tratar do tema liberdade sexual, visto que havia um grande medo de contaminação.

    Outro problema levantado por Freud naquela época em relação à sexualidade eram os precários métodos contraceptivos, que provocavam um prejuízo da prática sexual, muitas vezes acompanhada por uma excessiva preocupação com uma gravidez indesejada, prejudicando um funcionamento mais natural.

    Por fim, nesta fase inicial de suas pesquisas psicanalíticas, Freud demandará grande parte de sua pesquisa na tentativa de quantificar a psicopatologia, a consciência e o funcionamento da mente como um todo.

    Realizou um esforço para desvendar como o comportamento neuronal refletiria todas as psicopatologias e atividades mentais. Dessa forma, as Publicações Pré-psicalíticas e Esboços Inéditos marcam a origem dessa magnífica descoberta para a humanidade, a Psicanálise.

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    O artigo sobre a contribuição de Freud nas Publicações Pré-Psicanalíticas foi escrito excluivamente para o blog Psicanálise Clínica por Humberto Pinheiro Jr. ([email protected]m). É médico, com especialização lato sensu em Psiquiatria. Tem experiência com depressão, ansiedade, bipolaridade, esquizofrenia, dependência de álcool e outras drogas.

     

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