complexo de Wendy

Síndrome de Wendy: significado, traços e sintomas

Posted on Posted in Comportamento, Conceitos e Significados, Psicanálise, Transtornos e Doenças

A síndrome de Wendy, também conhecida como um complexo de Wendy é um tipo de transtorno mental, mas também social. O problema é conhecido por afetar, em grande maioria, as mulheres. Porém, existem inúmeros registros de diagnósticos em pacientes do sexo masculino.

Contudo, o complexo ainda não foi reconhecido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como uma doença. De todo modo, a psicanálise é uma das maiores responsáveis em tratar dos pacientes com essa disfunção.

É necessário tratar o problema, dado que a síndrome de Wendy pode acometer mulheres e homens, prejudicando todas as suas relações pessoais. Logo, é essencial entender como essa síndrome se manifesta e como tratá-la. Por essa razão, a seguir entenda o que é e quais os sintomas da síndrome e como ela deve ser acompanhada e controlada. Continue a leitura e confira!

O que é síndrome de Wendy?

Caracterizada pelo zelo excessivo com as pessoas, o nome da síndrome faz analogia à personagem Wendy, do conto “Peter Pan“. Como na ficção, a pessoa que sofre do complexo não permite o outro sofrer, assumir responsabilidades e se tornar independente.

Entretanto, não é com qualquer pessoa que o paciente terá esse cuidado em excesso, mas apenas com pessoas amadas. O desejo de proteger seus afetos faz com que o indivíduo desenvolva uma relação quase maternal. Assim, é mais comum que a síndrome afete relações amorosas, porém qualquer laço familiar ou de amizade pode estar sujeito aos efeitos da síndrome.

Ademais: é provável que os envolvidos jamais percebam a situação até que ela cause algum incômodo ou prejuízo concreto. Dessa forma, o que começa como atos de gentileza e proteção, pode evoluir para tentativa de domínio da outra pessoa. E claro, há uma remoção da responsabilidade do outro, uma vez que o indivíduo com a síndrome assume muitos compromissos alheios para si.

Significado de síndrome de Wendy

Como explicamos logo acima, o complexo de Wendy faz com que o paciente assuma culpa e responsabilidades de outras pessoas. Porém, a princípio, o intuito do comportamento é proteger e evitar que pessoas amadas sofram frustrações ou decepções com dificuldades da vida.

Entretanto, esse comportamento pode ter origens muito mais complexas e urgentes para se desvendar. Afinal, o modo como este indivíduo lida com as pessoas que ama e com situações adversas pode condicionar sua vida por inteiro.

No geral, essa vontade de proteger, zelar e agradar as pessoas mais próximas pode ser motivada pelo medo da rejeição. Ou seja, a síndrome de Wendy faz com que o paciente se sacrifique para satisfazer e realizar os interesses alheios.

Na realidade, o complexo faz com que o indivíduo acredite que esse tipo de atitude é sua obrigação. Assim, ver os seus amados sofrendo tende a causar mais dor do que o próprio sofrimento. Por isso, a própria felicidade da pessoa acaba sendo negligenciada sem ela menos perceber.

Complexo de Wendy e a questão social

Como mencionamos, a síndrome de Wendy afeta mais mulheres e a questão social gera um paradigma que dificulta o diagnóstico. Isso porque a ideia do instinto maternal e de que a mulher tem um papel de cuidadora reforça o complexo.

Leia Também:  Psicologia Fenomenológica: princípios, autores e abordagens

Por consequência, muitos dos sintomas e comportamentos de alerta são naturalizados — ou mesmo exigidos — como parte da função social feminina. Logo, em casos assim, o desgaste mental do paciente se agrava, além de comprometer muito mais as relações pessoais.

Justo por causa dessa relação maternal construída, a síndrome de Wendy é mais frequente de mães para filhos e de esposa para marido. Ademais, não é incomum essa situação em que mulheres se privam por completo em virtude da manutenção da família.

Quanto mais a pessoa se compromete com a segurança e responsabilidade dos outros, menos controle ela tem sobre suas emoções. Assim sendo, a cobrança excessiva e a instabilidade emocional resultam em conflitos e outros problemas a curto e longo prazo.

Sintomas da síndrome de Wendy

Sabendo dessas informações, a primeira coisa a se fazer para evitar entrar em uma relação assim — seja como protetor ou como protegido — é ficar de olho nos sintomas. São comportamentos sutis e inofensivos que vão se mostrando com mais frequência. 

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Alguns desses sinais de alerta são:

    • Sentimento de culpa sempre que algo dá errado;
    • Sentimento de inferioridade diante de outras pessoas;
    • Medo e insegurança com relação às próprias relações pessoais;
    • Isolamento e distanciamento em circunstâncias aleatórias;
    • Irritabilidade e picos de ansiedade sem razão aparente.

    Todos esses são indícios complementares. Porém, os principais sintomas e os mais notáveis são a superproteção, a baixa autoestima, o apego excessivo e uma sensibilização sufocante por acontecimentos corriqueiros.

    Cuidado!

    Apesar dos sintomas serem claros, eles podem se confundir muito facilmente com qualquer outro transtorno ou condição emocional. Contudo, com acompanhamento psicológico, é possível identificar traços mais característicos do problema e iniciar o tratamento mais interessante o quanto antes.

    Nesse contexto, a terapia da psicanálise é uma grande chave para a exploração bem-sucedida do tratamento da síndrome de Wendy. Com ela, os terapeutas podem oferecer apoio sem julgamento, ajudando qualquer pessoa a examinar padrões indesejáveis em sua vida.

    Síndrome de Wendy na psicologia

    Os especialistas apontam que pacientes com o complexo de Wendy também podem desenvolver depressão e ansiedade. Semelhantemente, a pré-existência dessas doenças pode desencadear a síndrome.

    Se o paciente for diagnosticado com algum desses transtornos ou um outro que seja semelhante, além do psicólogo, um psiquiatra também deve fazer acompanhamento. Ademais, o uso de medicações varia conforme a gravidade do caso.

    A psicologia é a principal aliada no tratamento da síndrome de Wendy, auxiliando seu controle com a psicanálise ou outras práticas terapêuticas similares. É a partir das consultas com o psicanalista que o paciente poderá descobrir o que ocasionou o complexo.

    O autoconhecimento, o desenvolvimento pessoal e a valorização do ser individual são alguns dos métodos utilizados nesse tipo de tratamento. Portanto, o domínio da situação depende em grande escala da colaboração do paciente e das outras pessoas sofrendo com as consequências de alguém com o problema.

    Considerações finais: como lidar com a síndrome de Wendy

    É importante lembrar que os homens não estão imunes a síndrome de Wendy. Logo, eles também precisam ficar de olho nos sintomas. Identificar o problema com precedência é fundamental para garantir a estabilidade mental e conservar as relações sociais.

    Ademais, vale lembrar que a síndrome de Wendy envolve questões sociais, comportamentais e psicológicas que precisam de compreensão, inclusive de quem não a enfrenta. Essa é uma maneira não apenas de contribuir com o tratamento dos outros, mas de se blindar contra o complexo.

    Leia Também:  Quem cala consente: significado e interpretação

    Se você tem interesse em aprender mais sobre síndromes e transtornos mentais como a síndrome de Wendy, o nosso curso de psicanálise clínica online é para você. Com aulas remotas e certificado de conclusão, mais do que conhecimento, você conquista autonomia para clinicar com seus próprios pacientes. Faça hoje a sua matrícula!

    3 thoughts on “Síndrome de Wendy: significado, traços e sintomas

    1. São sintomas mais comuns, em quem ainda insiste na “manutenção” da “Rainha do Lar” (donas de casa)! Em julho, um dos meus irmãos comentou da cura que nossa mãe teve, outrora (por volta de 2006), da “ulcera varicosa”, um “flagelo” que durou pouco mais de meio século! Quando ela me informou da cura, me dispus a ir caminhando até a Igreja, com ela, domingo de manhã: salutar a ela e até porque meu irmão que a levava de carro, nunca gostou de “madrugar”! Numa ocasião em que ela foi caminhando, ainda com a úlcera, uma senhora disse que nos acompanharia e, com empatia disse a ela: “caminhe nos passos que puder, que lhe acompanho”! Mesmo com toda essa acolhida, mesmo depois da cura, ela continuou optando ir de carro, com o chamado “filho querido” (mesmo pai e mãe “negando” sabemos que “eles” existem)! Mas como era previsível no dia que ele anunciou morar sozinho (já aos 50 anos), ela adoeceu, falecendo no ano seguinte! Ai aquela questão: com a graça da autonomia e quem gosta de caminhar, sabe o quanto faz bem, mas como diz um conhecido padre: “Ela não tomou posse da graça recebida” que foi a cura da úlcera, que em dias de verão como ela sofria com a dor!

    2. Achei super legal e ameii o nome da sindrome.
      Tem uma de peter pan tambem e tudo se liga, amo o filme então achei super interessante.
      Ótima explicação!

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.