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Tipos de Ansiedade: TAG, TOC, TEPT, TDC e pânico

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Quais os tipos de ansiedade, suas denominações e sintomas? Como a psicanálise pode ajudar em situações de ansiedade? Veremos essas questões neste artigo.

Entendendo os sinais de ansiedade

QUEM NUNCA? Sofreu por antecipação… Sentiu fadiga… Teve dificuldade ou perdeu o sono… Teve seu coração acelerado… Sentiu falta de ar ou sensação de sufocamento… Sentiu picadas ou dormência nas mãos e nos pés…

Se sentiu extremamente confuso… Se sentiu instável ou teve sensação de desmaio… Sentiu afrontamentos, arrepios, suores, frio, mãos úmidas tudo ao mesmo tempo…

Sentiu a boca seca… Sentiu gastura no estômago… Teve medo de julgamentos… Teve contrações ou tremores incontroláveis… Sentiu tensão muscular, dores…

Sentiu necessidade urgente em defecar ou urinar… Teve dificuldade em engolir, parecendo ter um “nó na garganta”… Assaltou a geladeira ingerindo uma grande quantidade de alimento em pouco tempo…

Sentiu incapacidade em relaxar… Sentiu uma inquietação impedindo de se concentrar em tarefas simples… Teve leve tontura ou vertigem… Teve receio de fazer exames com medo de descobrir uma doença grave… Teve vômitos incontroláveis… Teve sensação de impotência…

Teve receio de enfrentar situações que envolvam outras pessoas… Se preocupa ou pensa demais… Teve pensamentos negativos… Quis ter sempre o controle… Deixou de viver o momento presente…

Essas são algumas manifestações da ansiedade em seus diversos tipos, tema que veremos a seguir.

Hábitos de vida que favorecem vários tipos de ansiedade

Vivemos num mundo moderno acelerado, em que há um excesso de informações, de atividades, de consumismo, de uso de celular e computador. Mundo esse que acaba gerando um excesso de desafios, de preocupação, de cobranças, de mudanças constantes; exigindo demais das pessoas.

As pessoas parecem correr contra o tempo! Estão sempre com pressa, querendo tudo “pra ontem, pra já”, numa aceleração constante. Preocupações com a vida, com o horário, com a família, com a economia, com a política, com a procura por status, com os bens e etc.

Já não as vemos curtindo coisas e momentos simples, como:

  • ler um livro,
  • cuidar das plantas,
  • saborear uma boa conversa,
  • saborear um bolo, um café,
  • sentar-se numa varanda para admirar as flores, os pássaros, o vento….

Pelo simples prazer de viver, de manter relações sociais, de desenvolver a criatividade e a inteligência.

Então, vão acumulando situações estressantes, vivendo esses excessos e se esgotando em fazer tudo de forma acelerada, em pensar demasiadamente.

Isso afeta o ritmo da construção de pensamentos, gerando consequências sérias para a saúde emocional, para o bem-estar físico, social e mental.

Pesquisas mostram que o mal do século é a ansiedade! Segundo o DSM-V (manual de doenças mentais), a ansiedade é um transtorno que apresenta características de medo e excessivas perturbações na mente, que são refletidos por meio do comportamento.

As pessoas (crianças, jovens, adultos e idosos) estão ficando, cada vez mais com a mente acelerada, agitada, estressada e angustiada. Estão pensando em demasia, perdendo o “simples prazer de pensar”. E isso independe da posição social ou cultural; aflige a sociedade de modo geral.

O que é ansiedade para a psicanálise e Freud

Para Sigmund Freud, a ansiedade tinha uma base biológica, ou seja, já nascemos propensos à ansiedade, ela faz parte das reações normais da pessoa diante de estímulos reais e de situações de perigo existente.

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    Na psicanálise freudiana, a ansiedade é uma reação defensiva do organismo, ou seja, uma espécie de sinal de alerta diante dos estímulos existentes e dos perigos iminentes, sejam reais ou imaginários.

    Seria uma capacidade de reagir aos perigos que poriam em risco a nossa sobrevivência. Todos nós possuímos ansiedade, uns em menor, outros em maior grau.

    Ansiedade positiva e ansiedade negativa

    A ansiedade pode ser

    • positiva: quando ela auxilia as pessoas a serem pontuais nos compromissos, a levantarem dados para prever algum perigo e etc… Também leva a pessoa a tomar medidas de proteção para enfrentar uma ameaça.
    • negativa: quando a ansiedade se torna patológica, quando essa reação é desproporcional à situação que a provoca.
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    No caso da negativa, pode prejudicar a capacidade da pessoa de discriminar situações, fazendo com que ela selecione e exclua objetos ao seu redor, apenas com a intenção de provar que estava certo ao ponderar a situação como perigosa; fazendo generalizações ou considerando determinadas situações de maneira mal adaptada ou excessiva.

    Quando a ansiedade está associada a depressão ou a timidez, bem como quando está em nível muito alto, impede que a pessoa desenvolva seu potencial intelectual, prejudicando na inteligência cognitiva e social.

    Tipos de Ansiedade e o medo

    A ansiedade e o medo geralmente andam juntos e são reações normais diante de situações novas ou de perigo e ameaça. Na ansiedade há a expectativa, a antecipação de uma futura ameaça, enquanto no medo a ameaça é real ou percebida.

    O medo é uma resposta emocional que tem por característica geral a preservação da vida.

    Até certo ponto, ambos são normais e fazem parte da vida das pessoas; pois são essenciais para a sobrevivência e para os processos de adaptação a novas situações.

    Três tipos de transtorno de ansiedade para Freud

    Freud também nos diz que, a ansiedade surge como resultado de um conflito mental. No entanto, se essa ansiedade não estiver controlada, ou se tornar excessiva, desproporcional à situação que a provoca (como por exemplo: revisar o fechamento da porta várias vezes antes de sair de casa), pode inviabilizar as atividades simples do cotidiano e se transformar numa doença chamada distúrbio ou transtorno de ansiedade.

    A ansiedade se torna preocupante quando afeta nossos relacionamentos, nossas ações e quando apresentam reações físicas persistentes por um longo período de tempo.

    Os sintomas do transtorno da ansiedade podem apresentar-se tanto na mente, quanto no corpo físico (doenças psicossomáticas, como: úlceras, gastrite, colite, etc.).

    Classificação da ansiedade segundo Freud.

    Freud classificou três tipos de ansiedade: Realista, Moral e Neurótica.

    • Realista: Medo de algo existente (de perigos reais) do mundo exterior.
    • Moral: Medo de ser punido pelo sentimento de culpa.
    • Neurótica: Medo sem objeto reconhecido, ou seja, temor de algo que pode ou não existir ou acontecer.

    Há casos de ansiedade que podem se transformar em depressão e vice-versa. Assim como há sintomas comuns entre ambas, como por exemplo: estresse, medo, insegurança, irritabilidade, etc.

    Categorias ou tipos de transtornos de ansiedade

    Os distúrbios ou transtornos de ansiedade foram divididos em categorias:

    TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada)

    A pessoa não consegue relaxar, apresenta preocupação excessiva (difícil de ser controlada) com a vida e em relação a tudo que envolve sua rotina: estudos, vida profissional, condições de saúde e segurança dos amigos e familiares.

    A pessoa com TAG sempre espera o pior e se preocupa com coisas sem motivo real. Ela tem uma sensação persistente de que a qualquer momento tudo vai dar errado e a vida vai tomar um rumo ruim, fazendo com que perca o controle.

    Geralmente resulta na combinação de vários desses sintomas:

    • enxaquecas constantes,
    • tensão muscular,
    • crises de ansiedade (preocupação e medos excessivos),
    • noção irreal dos problemas,
    • úlceras estomacais,
    • náuseas,
    • inquietação (síndrome das pernas inquietas),
    • irritabilidade (sempre nervoso),
    • indisposição mental e física,
    • dificuldade de concentração,
    • insônia crônica ou dificuldade de dormir ou ficar acordado,
    • assustar-se facilmente,
    • sudorese, fadiga, tremores e espasmos.

    Dificulta o desempenho de atividades triviais do dia a dia, podendo prejudicar a pessoa na vida social, no trabalho, na saúde e nas demais áreas de sua vida.

    TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)

    A pessoa produz ações repetidas, rituais compulsivos específicos e situações marcadas por ideias ou comportamentos obsessivos. A pessoa acredita que desalinhar determinados objetos ou não realizar certos rituais pode causar efeitos sobre sua vida, sobre o mundo e sobre as pessoas mais próximas a ela.

    Quando a pessoa não consegue realizar esses rituais, a angústia se torna mais grave, acompanhada de um medo iminente de que o pior poderá acontecer.

    Há o TOC de simetria e o TOC de limpeza. Situações de pressão sobre a pessoa, algo que a obriga a tomar determinada atitude e a qual ela se submete.

    Geralmente as pessoas com esse perfil têm consciência de que esse comportamento não faz sentido, mas não conseguem evitar esses pensamentos que levam a posturas prejudiciais à saúde mental. Nesses casos, é preciso buscar ajuda profissional antes que os sintomas evoluam para outras complicações.

    TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático)

    Costuma ser desenvolvido após a pessoa vivenciar uma experiência traumática, como: acidentes, cirurgias, casos de violência e agressão, assaltos, tortura, catástrofes naturais, guerra, terrorismo, doença grave ou qualquer outro fato que ameace a vida.

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    O TEPT faz com que a situação ruim (que geraram um evento traumático no passado da pessoa) não saia da cabeça, voltando sempre como flashback ou pesadelos. Se a situação não for resolvida ou a pessoa não receber um tratamento eficiente, ela pode passar a vida toda revivendo esses episódios e sofrendo como se o fato ocorresse novamente.

    TP (Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico)

    Pode ser desencadeada por diferentes fatores, mas geralmente ocorre sem nenhum motivo aparente. Alguns disparadores de angústia podem desencadear a crise de pânico, como situações fóbicas: estar aprisionado (no elevador, no trânsito, dentro de túnel), estar em meio à multidão e situações de ameaça. As crises chegam de forma repentina. A pessoa acha que vai morrer ou em outros casos, que vai enlouquecer.

    Os sintomas são muito intensos e afetam o funcionamento dos órgãos do corpo. Os sinais mais comuns durante o pânico são: falta de ar, batimentos cardíacos acelerados (taquicardia), tonturas, tremores, aumento da pressão arterial, dores torácicas, formigamento em membros, dedos e/ou lábios, suor frio, tonturas e vômitos.

    TDC (Transtorno Dismórfico Corporal)

    É um transtorno mental caracterizado em pessoas que possuem a ideia obsessiva de que possui algo defeituoso ou imperfeito na sua aparência. Embora haja uma minúscula imperfeição presente, a pessoa se preocupa de maneira acentuada e excessiva.

    Acaba afetando negativamente a vida dessa pessoa, gerando um sofrimento psíquico significativo, resultando em prejuízo no funcionamento emocional e social. Os sintomas físicos acabam se manifestando no corpo, por meio da somatização.

    Por isso, a pessoa acometida por esse transtorno, costuma procurar variadas formas de tratamentos cirúrgicos e estéticos, não reconhecendo a causa psíquica que o transtorno detém.

    Fobia Social

    É uma doença mental crônica em que as interações sociais causam uma ansiedade irracional nas pessoas.

    Medo excessivo de situações em que a pessoa possa ser julgada, como: primeiro encontro, primeira entrevista de emprego, ao mudar de escola, participar de reuniões, palestras, eventos, festas, de falar em público com pessoas desconhecidas. Uma preocupação excessiva de passar constrangimento ou humilhação ou receio de ofender alguém.

    Os sintomas podem ser emocionais ou físicos, tipo: fica aflito ou preocupado antes do evento, entra em pânico por ser visto ou julgado pelas outras pessoas, medo de fazer algo errado, fica preocupado se as outras pessoas vão perceber seu nervosismo, fica com rosto vermelho, sente falta de ar, náuseas, enjoo, tremores, taquicardia, suor excessivo e tonturas podendo levar a desmaios. As pessoas acabam se isolando para evitar toda e qualquer situação pública.

    Outros tipos comuns de fobias

    A Agorafobia é um transtorno de ansiedade e síndrome do pânico, em que a pessoa fica nervosa em ambientes desconhecidos, com multidões ou onde percebe que tem pouco controle. Diferente de outras fobias, pode acontecer tanto em espaços abertos, quanto em espaços pequenos. A pessoa já começa a sofrer mesmo antes do evento acontecer.

    Há algumas situações e lugares onde pessoas que sofrem desse transtorno procuram evitar, já que podem ser gatilhos para suas crises:

    • ficar sozinho dentro ou fora de casa;
    • viajar de ônibus, de avião, de trem ou metrô;
    • espaços com multidões; filas de espera;
    • espaços abertos como parques, estacionamentos e feiras;
    • espaços fechados como teatros, cinemas e lojas;
    • sentar no meio de uma sala de aula, de cinema ou de teatro;
    • transporte público;
    • locais onde a possibilidade de saída ou fuga não seja fácil.

    Os sintomas físicos podem ser:

    • aumento da frequência cardíaca;
    • hiperventilação ou falta de ar;
    • dor ou pressão no peito;
    • tonturas;
    • formigamento no corpo e
    • todas outras bem próprias das fobias.

    Os sintomas psicológicos costumam ser:

    • medo de morrer;
    • baixa autoestima;
    • medo de ficar ou sair sozinho;
    • insegurança e
    • medo de lugares cheios.

    Já na Claustrofobia, a pessoa tem um medo exagerado e irracional de permanecer em ambientes fechados ou com pouca circulação de ar. A pessoa sofre por pensar que terá que tomar um avião, pegar um elevador, passar por um túnel, ficar em uma sala pequena, pegar um transporte público ou até mesmo colocar roupas justas.

    Os sintomas podem interferir na sua forma de se relacionar em espaços e com as pessoas.

    Tripofobia: É um transtorno caracterizado pela aversão ou medo irracional de buracos, imagens ou objetos que tenham buracos ou padrões irregulares. A pessoa se sente extremamente incomodada ao ser exposta a imagens como agrupamentos de buracos na pele, madeira, poros das folhas das plantas, semente de lótus, romãs, morangos, cogumelos, corais, esponjas, bolhas de sabão, favos de mel, pano de crochê, conjunto de olhos de insetos, etc.

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    Pesquisas mostram que pessoas com essa condição, geralmente associam (inconscientemente), esses padrões de buracos a possíveis situações de perigo ou medo de animais venenosos (sua aparência).

    Quando deparam com imagens de buracos, esse reflexo é tido como inconsciente e podem provocar reações incontroláveis, tipo os de crise de ansiedade: crises de choro, angústia, mal estar geral, arrepios e tremores pelo corpo, irritações na pele, coceira e formigamento generalizados, desconforto na visão, sensibilidade nas mãos, náusea ou enjoo, sudorese e aumento da frequência dos batimentos cardíacos.

    TAN (Transtorno de Ansiedade Noturna)

    Esse é um mal que acomete milhões de pessoas atualmente, devido às preocupações constantes e excessivas do dia a dia, ao medo e insegurança, aos pensamentos descontrolados e ao estresse acumulado; todos proporcionados pelo estilo de vida e incerteza do futuro.

    O fato é, quando esses sentimentos (problemas e preocupações) tomam dimensões desproporcionais e a mente não consegue se desligar, vem a perda do sono.

    A pessoa não consegue se desconectar e fica pensando, relembrando fatos que aconteceram durante o dia, planejando e se preocupando com o dia seguinte.

    Nesse momento também costumam vir pensamentos negativos sobre coisas que “poderão acontecer”, deixando a mente em estado de alerta, focada nos medos e estresse; sem conseguir deixar o cérebro descansar e se desconectar durante a noite.

    Esse transtorno impede que o sono seja contínuo, podendo gerar também, nervosismo e tensão.

    Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, com intensidade diferente e se manifestar durante o dia, mas são mais incidentes na hora de dormir. São eles:

    • dificuldade para adormecer;
    • inquietação; cansaço;
    • sono interrompido; necessidade de levantar de madrugada;
    • falta de atenção durante o dia;
    • pensamento acelerado;
    • necessidade de ficar com os olhos abertos e
    • respiração intensa ou ofegante.

    Alguns fatores causam impacto direto na ansiedade noturna, como: a rotina de sono, o estresse e as preocupações.

    O transtorno de ansiedade (TA) deve ser tratado e acompanhado por profissionais diversos: Psiquiatras, Psicólogos, Psicanalistas, Nutricionistas, dentre outros que se fizerem necessários. Os tratamentos mais comuns, são: a Psicoterapia, os medicamentos e as terapias alternativas.

    Este artigo sobre os diversos tipos de ansiedade foi escrito por Fátima Quagliani (e-mail: [email protected]). Psicanalista em formação pelo IBPC. Pedagoga, orientadora Educacional e Vocacional. Professora do Curso Normal e Supervisora do Curso de Pedagogia; especialista em Educação Infantil. Nova Iguaçu/RJ.

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