dependência emocional e amor

Dependência Emocional e Amor: quais as diferenças

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Entenda mais sobre o que é ter dependência emocional e amor. O homem passou por diversas evoluções ao longo das mudanças históricas e que culminaram em mudanças sociais, o que inclui novas formas de relacionamentos, sendo inclusive cobrado de ter relações bem-sucedidas.

E dentre estas relações interpessoais está o amor e suas ligações afetivas e de afirmação (ARAGÓN, 2007). Porém, o amor pode vir acompanhado da chamada dependência emocional, que pode levar ao desenvolvimento de patologias.

Entendendo sobre a dependência emocional e amor

A princípio a dependência emocional é definida como um transtorno, em que o indivíduo necessita do outro para manter seu equilíbrio no âmbito emocional e bem-estar, sugerindo o aprisionamento, podendo levar a violência psicológica e/ou física (GARCÍA, 1997). Sua origem é relacionada ao desenvolvimento da dependência a uma pessoa de referência na infância e os tratamentos indicados são todos que envolvam terapia, mas o sucesso só ocorrerá quando a pessoa desejar sair desta relação de dependência, e acima de tudo, quando ela se der conta que se mantém numa relação assim, seja como causador ou como vítima.

Logo o que mantém esta relação já não é amor, mas a sua incapacidade de renunciá-lo (NOGUEIRA.L., 2010). Em geral, as mulheres tendem a se manter mais nestes relacionamentos abusivos, pois homens e mulheres sofrem violência de forma diferenciada. Os homens em geral são vítimas em espaços públicos e as mulheres passam isso de forma cotidiana e muitas vezes silenciosa, dentro dos seus próprios lares, por familiares e também cônjuge ou companheiro (SCHRAIBER et al., 2002).

No geral, diante de uma ameaça espera-se que a vítima recue, busque ajuda, entre no estágio de evitação, mas num relacionamento conjugal há uma repetição deste ciclo e junto a isso existem diferentes situações que impedem as mulheres de sair destes relacionamentos violentos. Sem ajuda externa dificilmente a mulher rompe os ciclos com o abusador (INGRIDD RAPHAELLE ROLIM GOMES; SHEYLA C. S. FERNANDES, 2018). Dentro desta esfera do relacionamento tóxico, amor e dependência emocional, podemos falar do abusador narcisista.

Ser narcisista e possuir dependência emocional e amor

Ser narcisista significa estar no outro extremo do ideal cristão pois só pensa em si mesmo, ver o outro dominado por ele e sob seu controle é o grande prazer e não aceitam perder isso. Normalmente, chegam na vítima oferecendo tudo que falta a elas, baseado em observações prévias, e tentam mostrar que tudo é zelo e cuidado, enquanto na verdade é apenas manipulação (ARAÚJO, M. das G., 2010).

Portanto, o que justifica esse trabalho é ser um assunto muito falado, mas pouco aprofundado, pois muitas vezes as pessoas externas conseguem identificar o tipo de relação abusiva, muito comum na sociedade atual, que é uma sociedade ferida emocionalmente e em sua maioria sem boas referências de relacionamento e afetividade, mas não sabem como ajudar, como direcionar a pessoa a sair deste lugar e impulsioná-la para um novo lugar.

Com isso, o objetivo é esclarecer sobre o assunto e instigar um aprofundamento no leitor e/ou na vítima e ajudá-la não só a ter conhecimento, mas encorajar a atitude de mudança, de ressignificação, a qual é dolorosa mas necessária para cura.

  • Na primeira parte do trabalho abordaremos sobre o amor, a luz da ciência e da psicanálise.
  • Na segunda parte, falaremos sobre dependência emocional conjugal.
  • Na terceira parte, veremos como a dependência emocional pode ser atrelada a um relacionamento narcisista.
  • Na quarta parte, falaremos sobre a solução que pode vir através de uma rede de apoio.

O amor a luz da ciência e da psicanálise

Para atingir esses objetivos, em cada capítulo, a metodologia empregada foi de busca em bases de dados científicos como Scielo e Pubmed, selecionando artigos com abordagens na área da psicologia e psiquiatria, usando termos de busca que tivessem ligação com o tema, não restringindo idiomas e ano de publicação, além de livros que abordam o assunto.

Antes de surgir o amor, há um interesse pelo outro (denomina-se paixão). Havendo esse interesse o cérebro começa a produzir e liberar hormônios em grande quantidade alterando também funções fisiológicas, pois é um fenômeno fisiológico. Isso é gerado pelo aumento da endorfina, oxitocina e dopamina que geram sensação de apego, bem-estar e segurança e no corpo as sensações serão de aumento dos batimentos cardíacos, corpo quente, excesso de suor, perda de apetite, obsessão, insônia, ansiedade, euforia e sensação de “borboletas no estômago” (ARAGÓN, 2007; FORGAS et al., 2007)

Devido essa regulação dos neurotransmissores algumas pessoas são mais difíceis de se apaixonar pois são mais rígidos, racionais e acessam menos a área do cérebro que controla as sensações e emoções. Apesar de atingir todas as idades, é na fase da adolescência e início da vida adulta que costumam ser mais avassaladores e requerem maior cuidado, pois a rejeição pode vir acompanhada e com isso gerar traumas que vão influenciar nas gerações futuras (LEMIEUX; HALE, 2000).

Paixão, dependência emocional e amor

O que a ciência já sabe é que a paixão tem data de validade, durando de doze a vinte quatro meses, no máximo. Quando este estado apaixonado passa, já existe um vínculo construído, e então as relações entram no modo de amor companheiro, ou seja, a relação permanece por decisão, ideais comuns, projetos e não mais pelas sensações oferecidas pelos neurotransmissores. Por isso, se diz que o tempo suficiente para se determinar o futuro de um relacionamento para algo mais sério são dois anos, pois a paixão terá sido findada.

Entra-se na teoria da Compreensão Triangular do Amor que une a intimidade, junto a paixão e o compromisso como partes essenciais do relacionamento romântico (DE ANDRADE; GARCIA, 2014). Esse amor dito romântico faz um indivíduo considerar o outro como especial e único, supervalorizando e engrandecendo suas qualidades e minimizando seus defeitos, ou seja, o amor é uma decisão de permanecer, mesmo com a possibilidade de se relacionar com outros pares românticos (ARON; FISHER; STRONG, 2009).

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Na psicanálise, quando se fala de amor aponta que amar é uma busca por si mesmo e esse sentimento sobre o outro ajuda a dar respostas sobre si no momento presente e nos demais que virão. Freud trouxe a ideia de que o amor tende a funcionar como modelo de busca da felicidade, porém isso sendo ilusório no sentido apenas de consolar um mal-estar próprio, ou seja, pode-se dizer que o outro vira sua extensão, visto que necessita atender às suas expectativas (FERREIRA, 2005).

Portanto, para Sigmund Freud, o conceito de amor tem a ver com o narcisismo primário, pois envolve a pulsão sexual. Logo, amor e sexo têm o prazer ligado, de início à boca.

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    O amor para Freud

    Mesmo o psicanalista definindo duas formas de amar, ele não deixa de correlacionar aos destinos pulsionais. Então, o objeto de escolha de amar ocorre pela libido entre o eu e o outro, gerando uma supervalorização do eu ou do objeto em questão e no primeiro caso (supervalorização do eu), fala-se de um narcisismo. Devido essa idealização do outro que é tido como uma fonte de todo bem há uma tendência a sua submissão neurótica a ele (FERREIRA, 2005).

    Dependência emocional conjugal

    A dependência emocional tem seu desenvolvimento na infância, pois foram crianças que experimentaram situação de abandono, negligência ou de qualquer carência afetiva onde aprenderam que para merecerem amor e atenção deviam lutar por isso e fazer de tudo para conquistá-los (ABREU, C., TAVARES, H., CORDAS, 2007). Ocorre esta origem na infância e principalmente nos primeiros meses e anos, pois é um ser totalmente dependente de outro para todas as suas funções de sobrevivência e necessidades com o ambiente.

    Então, essa dependência construída na infância e na família, que pode se somar ou não a negligência, se projeta ao estabelecer a construção da sua própria família. E estes seres já adultos tendem a vivenciar e reproduzir situações semelhantes à sua família de infância, pois ao casar, reflete toda bagagem aprendida na família base em sua nova família (MARTINI, 2012). Quando se fala desta dependência emocional entre os cônjuges, consideramos como amor patológico onde sua maior característica é sua dependência de afetividade do parceiro.

    A pessoa dependente apresenta insegurança e baixa autoestima, tentando suprir as necessidades do parceiro de forma incessante, deixando-se a si mesmo de lado, em suas necessidades, sentimentos e desejos (BOSCARDIN; KRISTENSEN, 2011). As mulheres têm uma tendência maior aos relacionamentos patológicos. Isso ocorre pelo fato de serem naturalmente mais amorosas, demonstrando mais apreço e confiança em seus relacionamentos, ficando viciadas nele, a ponto de viver pelo outro, considerando a relação a dois com uma prioridade de sua vida.

    O homem na dependência emocional e amor

    Já no sexo masculino, essa dependência patológica no outro, não é tão comum, mesmo para aqueles que se desenvolveram em um ambiente familiar com a falta de carinho e atenção, principalmente da figura feminina, materna. No caso dos homens, é mais comum isso ser vinculado a atividades externas como como jogo, trabalho, esportes, política e hobbies (MARTINI, 2012). Desse modo, o amor patológico é caracterizado pelo excesso de atenção e cuidados com o parceiro, de maneira repetitiva, impulsiva e sem controle em um relacionamento amoroso.

    Ele se define quando existe perda de controle e liberdade de escolha sobre os comportamentos em relação ao parceiro. A pessoa perde o interesse por coisas que antes considerava importantes e passa a priorizar tais comportamentos e os mantém mesmo que perceba que isso traz sofrimento para si e para os outros (MARTINI, 2012). Dentro deste contexto da dependência emocional é comum o ambiente ser mais propenso a violência, incluindo as duas principais: doméstica e psicológica.

    As mulheres que são dependentes emocionais por tornar a sua vida amorosa uma prioridade acabam vivendo conflitos fazendo com que se mantenham nesta situação (FABENI et al., 2016). Os conflitos nos relacionamentos não são ausentes e a partir deles o casal vai aprimorar sua relação, mas deve-se atentar a forma como esse conflito é resolvido, sendo portanto positivo ou negativo. São negativos quando se tornam abusivos e/ou violentos e o outro se mantém neste relacionamento conflituoso devido fatores econômicos, vínculo emocional, submissão e medo de recomeçar, considerando que sair da relação é mais difícil do que permanecer (FABENI et al., 2016). No entanto, a dependência emocional justifica as mulheres permanecerem no relacionamento mesmo com o seu psicológico abalado, pois não se sentem com competência de cuidar de si mesmas, e com isso perdem sua própria identidade.

    A dependência emocional pode ser atrelada a um relacionamento narcisista

    Trata-se de um amor excessivo que ultrapassa seu bem-estar, que mesmo diante dos abusos sofridos, silenciam, por medo de romper a relação conjugal, mesmo sendo que ela é doentia (FABENI et al., 2016). O termo narcisista vem da cultura grega e significa o amor por si mesmo e apenas no século XIX foi incorporado ao discurso científico. Através de Freud o termo passou a fazer parte do âmbito psicanalítico quando o mesmo abriu caminho para o entendimento do termo como elemento constitutivo do amor-próprio e da autoestima, sendo também conhecido pelo seu caráter patológico a partir da neurose, perversão e psicose (ARAÚJO, G. M., 2010)

    Esse acolhimento de Freud ao termo, em 1910, se deu por ele ao se referir aos homossexuais, tendo a ver com os seus Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Para Freud há o narcisismo primário (infância) e secundário (quando sai das figuras parentais e seus representantes). De modo geral, tanto os traços do narcisismo primário ou secundário irão constituir a personalidade e acompanhar o indivíduo durante toda a sua existência (ARAÚJO, G. M., 2010).

    O narcisismo é um transtorno psicológico caracterizado por uma supervalorização de si próprio, necessidade de aprovação e prazer em desprezar outros, sendo mais comum nos homens, e tendo início nos primeiros anos da vida adulta. As pessoas narcisistas tendem a ter uma autoestima vulnerável, o que faz com que não recebam muito bem as críticas, pois não sabem lidar com a hipótese de serem humilhados e isso pode levar a um comportamento de raiva, muitas vezes desafiando a pessoa que gerou a crítica (ARAGÓN, 2007).

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    Ainda sobre o narcisismo

    O narcisismo acompanha o sujeito por toda sua existência, pois como é um problema de identidade, vivem num mundo paralelo, e lidar com a sua realidade é algo que não é plausível.

    Porém, por precisarem ser aceitos, fala-se do momento que o ego torna-se capaz de fazer com que a energia psíquica aja em seu favor, e então há uma transformação (máscara social) tornando-se agradável, empático e até mesmo com senso de humor, sendo chamada de capacidade de transformações do narcisismo (NOGUEIRA.L., 2010).

    O relacionamento com um narcisista se compõe de três fases:

    • Idealização,
    • Desvalorização e
    • Descarte,

    e ela, por ocorrer de modo ininterrupto, quando não se cumpre a última etapa. A vítima não consegue sair deste ciclo (dependência emocional) (SILVA, 2018).

    Ter um relacionamento com um narcisista por ser incrível no início, pois ele chega oferecendo tudo que o seu objeto de escolha necessita, e geralmente é carinho, amparo e proteção. Eles estudam a vítima, notam suas fragilidades e se apresentam como verdadeiros “príncipes encantados”. A vítima, recebe tudo além de suas expectativas, se intoxicando rápido, e por portanto gerando uma co-dependência emocional, decorrente de lacunas na infância (SILVA, 2018).

    Podemos levar ao entendimento que é um doente emocional junto com outro, por isso um dos envolvidos precisa enxergar e ver a verdade, lidar com ela, para quebrar o ciclo, mas nem sempre isso acontece, devido a fragilidades pessoais, cultura, vergonha, família. Muitas vezes a fase da desvalorização demora a acontecer, mas quando ela surge, se torna um pesadelo, e para ter sua vida de volta, precisa ser forte e estar disposta a reconquistar sua liberdade. Os narcisistas costumam se alimentar do outro emocionalmente, psicologicamente, fisicamente e / ou financeiramente (SILVA, 2018).

    O abuso do narcisista na dependência emocional e amor

    O narcisista é um abusador e justamente por isso, fará você viver o mundo dele, para ele, e logo você terá se afastado da família, dos amigos e de fazer as coisas que gosta. Praticamente, eles põem fim a individualidade do outro, pois são invasivos, manipuladores, ciumentos e muitas vezes também infantis, mostrando onde foi o bloqueio emocional.

    O narcisista costuma não expor seu passado e consegue isolar e degradar a identidade e autoestima da vítima para igualar à sua. Quando ele retira o máximo de você, é quando chega o momento em que ele pode descartá-la sem olhar para trás, como se nunca tivesse existido, e aqui se trata do narcisista perverso, mas nem todos chegam a este nível, por isso muitas mulheres suportam os relacionamentos, pois estão dependentes emocionais e eles não dão oferecem o descarte (ARAGÓN, 2007).

    A rede de apoio para solução do problema da dependência emocional

    No Brasil, o levantamento realizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) aponta que a Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, no 1º semestre de 2016, atendeu 67.962 relatos de violência, sendo:

    • 31,10%, violência psicológica;
    • 6,51%, violência moral;
    • 4,86%, cárcere privado.

    Dados estes que podem caracterizar abusos sobre a dependência emocional (ZANINI; GALELI; ANTONI, 2019). O processo da relação estabelecida pelo casal, muitas vezes, pode levar a uma violência do tipo terrorismo íntimo (JOHNSON, 2011).

    A dinâmica dessa relação cria uma tensão constante e estratégias ineficazes são utilizadas para tentar resolver a situação, podendo levar a um ciclo de violência mais grave. As redes de apoio sociais, são compostas por todas as pessoas com as quais há um vínculo de forma regular, ou seja, não se limita apenas a familiares, mas trata-se de todas as relações significativas e diferenciadas (ZANINI; GALELI; ANTONI, 2019). A rede social pode apresentar diversas funções como companhia social e/ou apoio emocional e sente-se valorizado, cuidado e apoiado por alguém que está afetivamente disponível.

    A função de guia cognitivo é desempenhada quando um indivíduo fornece informações, apoio e a regulação social quando alguém assume a função de recordar uma pessoa de suas responsabilidades e papéis, ajudando em seus conflitos e oferecendo ajuda profissional, além de novos vínculos com pessoas em mesma situação de vulnerabilidade emocional (JOHNSON, 2011). O apoio emocional é a forma de suporte que mais evidencia a disponibilidade e a preocupação dos familiares e amigos com a situação vivenciada (INGRIDD RAPHAELLE ROLIM GOMES; SHEYLA C. S. FERNANDES, 2018).

    Ajuda profissional para a dependência emocional e amor

    O mesmo é provido a partir de uma relação que proporcione compreensão, empatia e estímulo para os envolvidos. Para desenvolver este apoio é preciso manifestar preocupação com a situação, demonstrando empatia (ZANINI; GALELI; ANTONI, 2019). O grito da vítima normalmente é silencioso, por isso se deve prestar apoio de forma muito cuidadosa. Nem sempre haverá força de vontade para mudar e o apoio familiar é essencial para encarar as mudanças e os problemas.

    É importante conduzir a vítima para um apoio psicológico/psicanalítico pois este profissional vai avaliar, conduzir, confrontar e inclusive identificar traços de ansiedade e depressão, podendo indicar ajuda também de um médico psiquiatra. O abuso emocional pode ser mais prejudicial que o físico, pois a vítima carregará cicatrizes psicológicas para o resto da vida (SILVA, 2018). É muito importante o profissional ter acesso aos detalhes para ajudar as vítimas, ouvindo não apenas elas, mas todos que fazem parte da rede de apoio, pois estes olhares externos, também são fundamentais para guiar o tratamento/acompanhamento, pois nos relacionamentos abusivos a vítima tem assistência para se recolocar no caminho do resgate de sua autoestima (ARAÚJO, M. das G., 2010).

    É muito complexo o profissional realizar intervenção em um relacionamento abusivo, pois a vítima muitas vezes não se enxerga em um, pois culpa e medo são os motivos para essa percepção distorcida da realidade em que vive. E se o reconhecimento da relação tóxica é difícil, a libertação dela torna-se quase impossível. É preciso muita ressignificação e apoio na mobilização destas cicatrizes, a fim de proporcionar uma mudança de realidade.

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    Conclusão: diferenças entre amor e dependência emocional

    Diferenças entre dependência emocional e amor Através deste levantamento observa-se a necessidade de mais publicações sobre o tema, pois existem poucas pesquisas envolvendo o tema. Este é um assunto muito falado mas ainda pouco explorado, tanto que cresce muito o número de relacionamentos abusivos, logo, se houvesse uma exposição dos fatos, as pessoas seriam treinadas a reconhecer se estariam entrando num relacionamento desta magnitude. No entanto, foi possível concluir que existem multiplicidades de fatores que contribuem para a dependência emocional conjugal.

    Predominaram as informações que as influências afetivas e socioculturais estão muito marcantes na incidência e manutenção da dependência, mostrando que a dependência emocional entre casais tem sua origem na história emocional pregressa do indivíduo, que inicia na infância, mais especificamente, na relação com seus pais e demais pessoas de influência no desenvolvimento emocional de sua vida. A dependência emocional tem características marcantes como a carência excessiva de amor e afeto em relação à pessoa amada causando sensação de vazio, insegurança e medo de perda.

    Quanto às consequências que a dependência emocional gera nos relacionamentos, nota-se que os dois são vítimas, pois o parceiro do dependente muitas vezes não se sente mais capaz de retribuir as necessidades de afeto exacerbadas, sentindo-se também aprisionado, sufocado pela necessidade de exclusividade do outro, vê sua privacidade invadida e sua liberdade desrespeitada e consequentemente a admiração inicial não existe mais. O relacionamento afetivo torna-se um fracasso, mesmo que os dois nunca venham a se separar, porque um relacionamento fracassado nem sempre é aquele que chega ao fim, há casais que passam anos ou a vida toda sustentando uma relação pouco ou nada satisfatória.

    O rompimento na dependência emocional e amor

    A decisão de romper pode ser permeada por medos ainda maiores do que o de sofrer na relação, e envolve questões como cuidados com os filhos, as questões financeiras e até mesmo o medo relacionado à dificuldade de recomeçar a vida. Isso ocorre porque a pessoa acometida a dependência conjugal, a vítima, aprende a viver com medo e acaba acreditando que a mudança é impossível, tornando-se pessoas com um desgaste psicológico profundo com uma identidade altamente prejudicada.

    Com isso buscou-se fornecer pontos de discussão para um melhor entendimento da problemática da dependência emocional, assim como um entendimento sobre a necessidade de que o profissional de psicologia/psicanálise adquira maior conhecimento desse assunto concentrando maior atenção nesse amor em excesso e doentio. Evidenciando que a pessoa acometida vive em função do outro trazendo prejuízo à sua vida pessoal e até mesmo dos demais envolvidos (amigos e familiares).

    Referências

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    Este artigo sobre a diferença entre dependência emocional e amor foi escrito por Geisa Guimarães Alencar.

    One thought on “Dependência Emocional e Amor: quais as diferenças

    1. Muito bom texto! O dependente emocional geralmente tornam pessoas perigosas, quando os seus sentimentos não são correspondidos.

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