mecanismos de defesa

Os 9 Mecanismos de Defesa na psicanálise

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Você sabia que o psicanalista deve estar sempre atento para identificar os vários mecanismos de defesa usados pelas pessoas? Esses mecanismos vão ajudar a reduzir tensões internas da mente, protegendo o psiquismo durante as sessões de análise. Além disso, o profissional também deve estar atento aos chistes e aos diversos tipos de atos falhos. Quer saber mais? Então continue a leitura!

O que são mecanismos de defesa?

Basicamente, são formas com que o ego busca se esquivar de seu encontro com elementos potencialmente inconscientes e que possam levar a uma autocrítica que coloque em risco uma capa protetora do próprio ego.

O conceito foi criado pelo psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939), o pai da psicanálise, e aprofundado por sua filha e discípula, a psicanalista Anna Freud (1895-1982). Mecanismos de defesa são subterfúgios criados pelo ego (a ideia que todo mundo tem a respeito de si mesmo) diante de determinadas situações, com o objetivo de proteger a pessoa de prováveis dores, sofrimentos e decepções.

Em outras palavras, os mecanismos de defesa são as estratégias do ego, de forma não consciente, para proteger a personalidade contra o que ela considera ameaça. É mais cômodo ao ego continuar a reproduzir sua autoverdade, sua autoimagem, em sua redoma. Esses mecanismos são diversos tipos de processos psíquicos, cuja finalidade é afastar o evento que gera sofrimento da percepção consciente.

Além disso, eles são mobilizados diante de um sinal de perigo e abertos para impedir a vivência de fatos dolorosos que o sujeito não está preparado para suportar. Ou seja, essa é mais uma função da análise e da terapia psicanalítica, a saber, preparar o indivíduo para suportar tais eventos dolorosos sobre si mesmo e sobre fatos externos.

Principais mecanismos de defesa

1. Recalcamento, recalque ou repressão

O Recalque, repressão ou recalcamento em Psicanálise nasce do conflito entre as exigências do Id e a censura do Superego.  Assim, é o mecanismo que impede que os impulsos que causam ameaças, desejos, pensamentos e sentimentos dolorosos cheguem à consciência.

Através da Repressão, o histérico vai a fundo no inconsciente da causa de seu distúrbio. Então, o acesso ao elemento recalcado é censurado. Sua energia se sintomatiza, isto é, transforma-se em mal-estar, transferindo-se para o próprio organismo as dores do inconsciente e transforma elas em sonhos ou em algum sintoma da neurose.

Os processos inconscientes  se tornam indiretamente conscientes através dos sonhos, neuroses e outros mecanismos. Assim, o recalque é uma defesa para a dificuldade em aceitar ideias penosas. Ou seja, é um processo que tem por objetivo proteger o indivíduo, mantendo no inconsciente as ideias e representações das pulsões que afetariam o equilíbrio psíquico.

Além disso, o recalque é uma força contínua de pressão, que baixa a energia psíquica do sujeito. Por isso, o recalque pode surgir na forma de sintomas e o tratamento visa o reconhecimento do desejo recalcado. O fim dos sintomas é consequência do processo da análise. 

2. Negação 

A negação (ou negativa, em algumas traduções) é um mecanismo de defesa que nega a realidade exterior e a substitue por outra realidade que não existe. Portanto, ela tem a capacidade de negar partes da realidade que não são agradáveis, pela fantasia de satisfação dos desejos ou pelo comportamento. Assim, a negação pode ser pontual (e ser uma neurose) ou se tornar sistêmica e combinar uma sequência de negações para a criação de um universo paralelo, que é uma condição essencial para o desencadeamento de uma psicose.

3. Regressão

A regressão, em psicanálise e psicologia, é o recuo do ego, fugindo de situações de conflitos atuais para o estágio anterior. Um exemplo é quando um adulto volta a um modelo infantil, no qual se sentia mais feliz e mais protegido. Assim, a infatilização é uma forma de regressão que protege o ego do encontro com as dificuldades do mundo adulto.

Outro exemplo é quando nasce um irmão, e a criança mais velha volta a usar chupeta ou urinar na cama como defesa.

4. Deslocamento

O deslocamento acontece quando os sentimentos e emoções (geralmente a raiva) são projetados para longe da pessoa que é o alvo e, de forma geral, para uma vítima mais inofensiva. Ou seja, quando muda os sentimentos da sua fonte provocadora de ansiedade original, para quem você percebe  ser menos provável de lhe causar mal.

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Por exemplo, quando um adolescente pratica o bullying contra um colega de escola pode estar deslocando a raiva que tem por também ser submetido a condições opressivas em seu contexto familiar.

5. Projeção 

O mecanismo de defesa da projeção é um tipo de defesa primitiva. Assim, é caracterizada pelo processo no qual o sujeito expulsa de si e localiza no outro ou em alguma coisa, qualidades, desejos, sentimentos que ele desconhece ou recusa nele. Por isso, a projeção é muito vista na paranoia.

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    6. Isolamento

    O isolamento é o mecanismo de defesa típico das neuroses obsessivas. Ele atua de forma a isolar um pensamento ou comportamento, fazendo com que as demais ligações com o conhecimento de si ou com outros pensamentos fiquem interrompidos. Assim, os outros pensamentos e comportamentos são excluídos da consciência.

    7. Sublimação: um dos principais mecanismos de defesa

    O conceito psicanalítico da sublimação só existe pois um recalque o precede. Ou seja, a sublimação é o processo através do qual a libido  se afasta do objeto da pulsão para outra espécie de satisfação. Isto é, o sujeito transforma a energia da libido (desejo sexual, agressividade e necessidade imediata de prazer) em trabalho ou arte, sem saber que o faz. 

    Com isso, o resultado da sublimação é a mudança da energia do objeto de desejo para outras áreas, como realizações culturais ou produtivas, por exemplo. A sublimação, para Freud, é um mecanismo de defesa muito positivo para a vida em sociedade, pois grande parte dos artistas, dos grandes cientistas, das grandes personalidades e dos grandes feitos só foram possíveis graças a esse mecanismo de defesa.

    Isso porque, ao invés de manifestarem seus instintos tais como eram, eles sublimaram os instintos egoístas e transformaram essas forças em realizações sociais de grande valor.

    O problema a sublimação não permite a realização nem de uma pequena parte da satisfação do desejo e não gera ao sujeito a mesma gratificação, aí podemos ter a origem de neuroses. Por exemplo, quando uma pessoa reprime sua libido para um trabalho obsessivo (workaholic).

    8. Formação reativa

    Esse mecanismo de defesa ocorre quando o sujeito sente o desejo de dizer ou fazer alguma coisa, mas faz o oposto. Assim, surge como defesa de reações temidas e a pessoa procura cobrir algo inaceitável por meio da adoção de uma posição oposta.

    Ademais, padrões extremos de formação reativa são encontrados na paranoia e no Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), quando a pessoa se prende em um ciclo de repetição de comportamento que ela sabe, a nível profundo, que é errado.

    9. Racionalização

    Quando falamos da Racionalização como defesa, não se trata de uma crítica à razão e à lógica, pelo contrário. Trata-se de um recurso “pouco racional”, em que o sujeito usa de argumentos lógicos, simplificações e estereótipos para que o ego permaneça em sua situação atual de “conforto”.

    Por exemplo, ocorre a racionalização como mecanismo de defesa quando listamos uma série de argumentos lógicos para criticar uma pessoa (estando ou não o nosso raciocínio correto), para evitar de as causas inconscientes que nos levam a isso. A racionalização funciona bem para a nossa psique, porque quando estamos raciocinando acredtiamos que estamos corretos.

    Conclusão sobre os mecanismos de defesa

    Em conclusão, o psicanalista deve estar atento e preparado para perceber as manifestações dos mecanismos de defesa do ego, que surgem da tensão entre o Id e o Superego. E o ego, sofrendo pressão de ambos, se defende por meio de alguns mecanismos.

    Além disso, o aumento dessa pressão, refletindo-se sob a forma de medo, cria uma ameaça para a estabilidade do ego, daí ele faz uso de certos mecanismos para se defender ou se ajustar. Como os mecanismos de defesa podem também falsificar a percepção interna da pessoa, o psicanalista deve estar atento para perceber os fatos, já que o que se apresenta é apenas uma representação deformada da realidade.

    Esse artigo sobre os mecanismos de defesa na psicologia e na psicanálise foi desenvolvido e escrito por nossa aluna de Psicanálise Clínica, Karla Oliveira: Psicanalista. Psicoterapeuta, Rio de Janeiro-RJ, [email protected]

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    9 thoughts on “Os 9 Mecanismos de Defesa na psicanálise

    1. Parabéns Karla Oliveira pelo ótimo texto! Contudo gostaria de mais informações sobre um mecanismo de defesa chamado Racionalização. Em alguns estudos sobre Psicanálise muitos textos se referem a este mecanismos, se poderem esclarecer mais sobre o mesmo ficaria grato uma vez que sou apreciador da page e admiro sua opinião. Peço que continuem a desenvolver esse excelente trabalho tem sido de grande ajuda e desejo sucesso a todos.

      1. Legal o artigo, mas fiquei com uma dúvida ao não conseguir encaixar aí qual tipo de proteção (negação?) é aquela do “entrar no vazio”… por exemplo: quando uma criança ou adulto faz algo que é repreendido, ao ser chamada a atenção, ele desvia o olhar e bloqueia qualquer coisa que seja falado.. aí perguntar depois diz não saber ou não ter ouvido, e quando é forçado a pensar, muda de assunto na mesma hora..

        1. Obrigada, Sandro! Sobre projeção, seria quando a pessoa projeta no outro ou em alguma coisa, pensamentos, sentimentos inaceitáveis, que ela reprime. Sendo diferente do mecanismo de defesa negação, q vc descreveu.

      2. Obrigada, Anderson! Sobre racionalização, li um texto excelente do Paulo Vieira aqui no Blog Psicanálise Clínica. Dá uma olhada! Sucesso!

      3. Obrigada, Anderson! Sobre racionalização, li um texto excelente esses dias do Paulo Vieira, aqui no Blog Psicanálise Clínica. Dá uma olhada! Sucesso e boa jornada psicanalítica!

    2. Ótimo texto. Ratifico o pedido de referências bibliográficas. O questionamento do Sandro e muito bom. Parabéns a todos.

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