Cinco lições de Psicanálise

Cinco lições de Psicanálise: resumo de Freud

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Os pilares do trabalho de Freud estruturam muito bem a sua proposta terapêutica, ainda que na sua época suas ideias não tenham tido tanto sucesso. Isso porque a classe médica não via com bons olhos os caminhos apresentados por ele para tratar de feridas internas. Hoje faremos um resumo de Cinco Lições de Psicanálise e condensar o conhecimento aqui escrito.

 

Apresentação: as cinco lições de Psicanálise apresentadas por Freud

Cinco Lições de Psicanálise é uma síntese feita a partir de cinco encontros que Freud palestrou em setembro de 1909. Por meio disso se disponibilizou a trazer ao público os conceitos principais do seu trabalho psicanalítico, mesmo com duras críticas. Tudo aconteceu nas comemorações da Fundação da Clark University para um público não médico.

Já que a maioria dos médicos negava a sua visão, o público quase que em totalidade era de pessoas comuns. Com isso, Freud trouxe uma linguagem acessível e clara para chegar melhor nessas pessoas e fluir a conversa. Os conceitos principais de sua iniciativa explicavam sobre os casos de tratamento psicanalítico a respeito dos “males do espírito”.

Nisso, Freud dividiu o trabalho dessas palestras em cinco partes para explicar também a fundação e história da Psicanálise. O psicanalista elabora muito bem os casos clínicos e relatos com precisão no processo terapêutico. Por isso que narra sistematicamente o desenvolvimento da parte teórica até a aplicação na prática.

 

Primeira lição: a histeria

A primeira parte das Cinco Lições de Psicanálise analisa um caso de uma jovem cujo diagnóstico resultou em Histeria.

A paciente apresenta uma série de sintomas incomuns que se manifestavam simultaneamente e sem causa comprovada. Para tratá-la, Josef Breuer, um dos fundadores da Psicanálise tal como a conhecemos hoje, a induziu com hipnose para que associasse as palavras ditas em momentos de histeria com as suas ideias e fantasias.

Gradativamente, os estados de confusão da jovem se amenizavam quando ela expunha uma quantidade grande de experiências. Tanto que esta paciente se mostrava relaxada e com mais controle sobre a sua vida consciente. Concluiu-se que o bem-estar somente viria após as fantasias pessoais serem reveladas e trabalhadas durante a terapia.

Através desse caso, ficou em pauta que os sintomas dessa jovem advinham dos traumas que ela viveu no passado. Por sua vez, esses traumas eram partes mnêmicas resultantes de momentos emocionais de grande frustração. No caso, os relatos dela mostravam a ligação entre seus traumas com a culpa sobre a morte do seu pai.

Algumas conclusões sobre o caso

  • Quando há um sintoma, também há um vazio na memória em que seu preenchimento diminui as condições que levam ao sintoma.
  • Assim, o sintoma fica em evidência, mas sua causa fica omitida, no inconsciente.
  • O sistema de histeria pode ser causado por diversos eventos, podendo vários patógenos (isto é, agentes causadores do transtorno) resultar em diversos traumas.
  • A cura aconteceria quando os traumas psíquicos eram reproduzidos na ordem inversa que aconteciam; ou seja, do sintoma se descobria o trauma, e do trauma se descobria o agente causador.
  • Ao tornar consciente o agente causador, o paciente poderia compreender e processar o problema, atribuindo-lhe novo significado, disso resultaria a cura.

 

Segunda lição: a repressão

A segunda das Cinco Lições de Psicanálise surge com o abandono da hipnose e iniciativa da captação massiva de memórias. Nisso, Freud recomendava que os indivíduos conscientemente recordassem do máximo possível de memórias para fazer associação ao problema. Contudo, existia um bloqueio que impedia esse resgate dos traumas, a repressão.

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Nas 5 Lições de Psicanálise, a repressão é vista como uma ferramenta patogênica conectada com a histeria. Graças as cobranças morais do meio externo, existe um movimento de enterrar tudo aquilo que não é bem visto socialmente. Porém, como não há meios para trabalhar a carga do desejo, nossa psique move a ideia do consciente ao inconsciente, a deixando inacessível.

Quando se desfaz essa resistência e tal conteúdo volta à consciência, o conflito mental acaba, bem como o seu sintoma. Cabe ressaltar que a repressão visa evitar o desprazer do indivíduo para que a sua personalidade fique protegida. O princípio do prazer se envolve aqui, visando o que é prazeroso e evitando o que causa desprazer.

 

Terceira lição: os chistes

Nas 5 Lições de Psicanálise encontramos também aquele conteúdo que foi reprimido, mas que pode voltar à tona. Contudo, ele acaba sofrendo deformações graças à resistência e quanto maior ela for, mais alta será a sua deformação. O chiste se torna um substituto desses elementos deformados para se tirar o foco do trauma original, substituindo por exemplo por piadas, humor e gracejos com a situação.

Trabalhando isso o indivíduo é convidado a falar abertamente sobre o que quiser, pois sua fala não causará fuga. Com isso, a associação livre exibe o conteúdo reprimido, mesmo não causando dor na exposição dos traumas. Nisso, a interpretação, inclusive dos sonhos, nos levam ao excesso de resistência do paciente, mas também aos seus desejos reprimidos e ocultos.

Ademais, os atos falhos e cotidianos são outros objetos de análise na terapia, por mais insignificantes que pareçam. Não apenas são de fácil interpretação, como também possuem relação direta com nossos traumas reprimidos. Quando se junta atos falhos, análise dos sonhos e associação livre, o profissional pode revelar a origem de um trauma e finalizar o quadro patológico.

 

Resumo sobre a terceira lição

Oposição

A representação mental do trauma não pode ser igualada ou comparada ao sintoma por serem diferentes. Enquanto uma luta para a consciência relembrar o que foi esquecido, a outra tenta impedir que isso chegue na consciência. Com isso, o sintoma alude ao que está sendo procurado, porém nunca igual.

Resistência

À medida em que a resistência cresce, a deformação relativa ao que se procura também aumenta. E graças a isso o esquecimento seria consciente sem deformação. Nisso, se a deformação for algo menor fica mais fácil entender o que está esquecido.

Sintoma e pensamento

Ambos surgem ao invés do desejo reprimido e sendo frutos da repressão, possuem a mesma origem. Com a oposição citada acima, o que se mostra como pensamento seria um disfarce para o desejo reprimido.

 

Quarta lição: sintomas e erotismo

Na quarta das Cinco Lições de Psicanálise Freud dá abertura para conectar sintomas mórbidos com a nossa vida erótica. De acordo com ele, a nossa vida erótica e as repressões a ela feita acabam por desencadear quadros patológicos. Contudo, em análise, é difícil fazer um tratamento graças a dificuldade dos pacientes em se abrirem sobre a vida sexual.

Entretanto, o entendimento sobre o sintoma mórbido pode ser complicado quando se investiga a história do paciente. O próprio Freud afirma que interpretações equivocadas da sua teoria pode levar a buscas imprecisas e errôneas sobre o problema.Tenhamos em mente que o exame psicanalítico visa entender como os traumas se fixaram na psique e não ligar sintomas à sexualidade.

Nisso, temos abertura para um dos pontos polêmicos de Freud, a sexualidade infantil. Mesmo a contragosto da sociedade, o psicanalista indicava que o desenvolvimento infantil nessa fase determinaria a fase adulta. Com o tempo, essa área vai sendo desbravada e destravando aspectos específicos que passaram por condicionamento e repressão inicial.

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Quinta lição: a recapitulação e a transferência

Por fim, a última da Cinco Lições de Psicanálise revisita os conceitos principais da Psicanálise trabalhados até então. Isso inclui a sexualidade infantil, bem como o relacionamento com o Complexo de Édipo. Com isso, as pessoas podem adoecer se estão privadas de se satisfazerem quanto as suas necessidades.

Um dos elementos inclusos na repressão é o intento, fugindo da realidade enquanto regride a psique inconscientemente a níveis interiores. Nesse caminho, a regressão pode ser temporal, pois a libido se fixa aos estados evolutivos mais antigos. E formal, já que se vale dos meios psíquicos primitivos e originários a fim de manifestar essa necessidade.

Ademais, durante o tratamento é comum a aparição nos neuróticos de um sintoma chamado de “transferência”. Em suma, o indivíduo direciona ao terapeuta diversos sentimentos que misturam fantasias, hostilidade e também afeto. Isso pode ocorrer em qualquer relacionamento humano, mas sendo bastante evidente dentro das terapias, sendo valioso à identificação sintomática.

 

Introdução e impacto das 5 lições de Psicanálise

Revisitando as Cinco Lições de Psicanálise é possível conectar as teorias ligadas diretamente com as impressões e vida de Freud. Para a época, cada ideia apresentada era escandalosamente inconcebível para o período vigente. Ainda assim, cada trabalho é enriquecido de significados e reflexões, abrindo porta para averiguações e mais estudos sobre.

Porém, a mudança no campo social, incluindo a concepção sobre a sexualidade acabam embarreirando algumas ideias ao presente. Ainda assim, tais mudanças ocorreram também graças à contribuição da Psicanálise na sociedade e ciência. Independente do teor, outros campos de estudo mudaram a sua maneira de enxergar a vida graças aos meios psicanalíticos.

 

Considerações finais sobre Cinco lições de Psicanálise (Freud)

A obra Cinco lições de Psicanálise se tornou um compilado rico e interessante para mapear o desenvolvimento da Psicanálise socialmente. Freud tinha uma memória incrível, o que fazia a produção literária ser idêntica ao que havia sido falado antes. Com isso temos uma leitura de fácil acesso para nos introduzir na Psicanálise com linguagem simples.

Ainda que muitas ideias tenham sido repudiadas ao longo do tempo, elas também deram uma nova perspectiva aos mesmos problemas. Isso acabou colocando a atenção especializada onde se precisava e não tratando com negligência casos de ajuda urgente.

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