Movimento Psicanalítico: Freud e Seguidores

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Freud e seus seguidores auxiliaram a divulgar a psicanálise para todo o mundo. Atualmente, muitos de nós já ouvimos falar da psicanálise e de conceitos vindos de suas teorias. Conceitos como: neurose, histeria, ou complexo Édipo.

Apesar de hoje muitos desses conceitos fazerem parte de nosso dia-a-dia, eles levaram muitos anos para serem reconhecidos pela sociedade. Seu fundador, Freud e seus seguidores tiveram um grande empenho em divulgar os seus estudos e pesquisas.

Eles passaram por muitas dificuldades para que ela fosse considerada como um campo de estudo e acadêmico das ciências humanas e para que fosse aplicada no dia-a-dia das pessoas.

O progresso da psicanálise foi auxiliado com a eclosão da Primeira Grande Guerra (1914 – 1918). A guerra, além de ter retardado a movimento da psicanálise, trouxe um grande sofrimento pessoal para o seu fundador, Freud e seus seguidores.

A guerra reforçou o seu pessimismo com relação à natureza humana. Ela contribuiu para a sua certeza de que o comportamento humano tinha um fundamento irracional. A psicanálise e suas teorias começaram, entretanto, antes da Primeira Grande Guerra.

O início do movimento psicanalítico

O movimento psicanalítico teve o seu primeiro período, que vai até 1902, uma época de pouco reconhecimento. Durante esse período, Freud trabalhou sozinho e, dessa forma, conseguiu ter algumas vantagens. Isto é, ele não precisava ler determinadas publicações, assim como não tinha de realizar embates com adversários a respeito de suas ideias e das ideias do movimento.

Nessa fase, ainda eram poucos os que se interessavam pelo assunto. Em 1900, por exemplo, Freud realizou uma palestra na universidade de Viena, a qual teve apenas três pessoas presentes.
Logo Freud e seus seguidores, que foram surgindo, passaram a trabalhar juntos na divulgação da psicanálise.

A partir de 1902 até 1910, a psicanálise passou ampliar os seus espaços, presente em outros contextos e  nos meios acadêmicos. O primeiro Congresso Internacional de Psicanálise foi realizado na cidade de Salzburg, em 1908. Em 1909, foi fundado o Jornal Internacional de Psicanálise. E em 1910, Freud propôs a fundação da Associação Internacional de Psicanálise. No entanto, a brigada vienense foi contra a criação dessa fundação, na época.

A Primeira Grande Guerra

Com o início da Primeira Grande Guerra, passou-se a repensar na civilização, de modo geral. Nesse momento, a psicanálise acabou sendo colocada no centro das atenções. Assim, foram abertas as portas para a cultura do século XX, na qual Freud desempenhou um papel crucial.

A partir dessa época, passou a se reconhecer, especificamente, a importância da psicanálise para o tratamento da neurose da guerra. Inclusive pelo fato de que os tratamentos comuns até então aplicados não funcionavam nestes casos. Sendo assim, percebeu algo mais profundo a ser especificamente tratado.

Foi onde entrou a psicanálise e Freud, embasado nas denominadas neuroses da guerra, reformulou a sua teoria da angústia.

Foi principalmente nessa época que a psicanálise começou a se espalhar por outros países, além da Áustria, onde havia nascido. Nesse momento, sua expansão ocorreu, principalmente, em países de língua alemã.

Freud e seus Seguidores

O movimento psicanalítico ganhou maior propulsão conforme foi ganhando mais adeptos. Fundado e divulgado por Freud e seus seguidores, dentre os quais estão: Otto Rank, Ernest Jones, Hanns Sachs, Alfred Adler, Sandor Ferenczi, Max Eitingnon, Wilhelm Stekel, Carl Gustav Jung e Karl Abraham, dentre outros.

O movimento da psicanálise passou a ganhar terreno lentamente, a partir de Freud e de seus adeptos. Por outro lado, inclusive por ser inovador em muitos sentidos dentro da psicologia e dos estudos sobre a mente humana, o movimento foi atacado e difamado por psiquiatras, psicólogos e pela imprensa da época.

Isso talvez explique por que o movimento acabou assumindo mais um caráter de uma seita religiosa do que de área de estudo, propriamente dita. Além disso, havia muita divergência entre os pensamentos dos próprios membros.

Apesar de Freud e seus seguidores formarem um grupo que afirmava ter uma compreensão profunda do comportamento humano, havia, muitas vezes, uma intolerância entre os próprios membros.

Discordância dentro do próprio movimento: Ferenczi e Rank

O movimento psicanalítico ficou também conhecido pelas discordâncias entre Freud e seus seguidores. Para entender um pouco mais sobre essas discordâncias veremos algumas linhas de estudos seguidas por alguns seguidores de Freud.

Sándor Ferenczi (1873-1933) tinha o seu interesse voltado para uma versão da terapia que seria mais curta. Acreditava nisso junto de outro seguidor, Otto Rank, que defendia esse pensamento. Ele tinha uma preocupação relacionada à quantidade de tempo que o paciente levaria para concluir a análise.

Dentro desse intuito, ele experimentou várias maneiras de acelerar o processo preconizado por Freud. Freud não aprovava esta atitude, entretanto, nunca houve um rompimento definitivo entre ambos. Ferenczi, além disso, enfatizava na importância da natureza “impessoal” da terapia.

Otto Rank (1884 – 1939) também acabou se afastando do grupo. Apesar de antes ter sido tratado por Freud como um filho e de este o ter auxiliado em sua formação acadêmica. Após muito tempo ter sido um membro comportado da Sociedade Psicanalítica de Viena, Freud, aos poucos, percebeu divergências em sua forma de pensar.

Rank e Ferenczi publicaram o livro “O Desenvolvimento da Psicanálise”, em 1924, no qual defendiam a ideia de reduzir o tempo do tratamento. Nesse livro eles defendiam a idéia de que as experiências ocorridas na infância do individuo talvez não fossem tão importantes.

Sendo assim, o paciente adulto poderia lidar rapidamente com os seus problemas. Além disso, seu livro “O Trauma do Nascimento” Rank falava do trauma do nascimento e a fantasia de voltar para o útero materno.

No livro ele afirmava que esses eram fatores mais importantes do que os estágios ocorridos posteriormente, durante o desenvolvimento infantil. Esse trauma, inclusive, era mais importante que o complexo de Édipo, para o autor.

Adler e Jung e suas linhas de estudo

Um dos seguidores de Freud que são mais conhecidos atualmente é Alfred Adler. Ele foi um dos primeiros a se afastar desse primeiro grupo de psicanalistas. Em 1907, ele publicou a obra “Estudo de Inferioridade Orgânica”, na qual afirmava que “ser humano significa possuir uma sensação de inferioridade”.

De acordo com a teoria de Adler, os impulsos eróticos primitivos do ser humano não eram sexuais, mas sim eram agressivos. Ele também afirmava que a neurose tinha uma causa orgânica, que ela advinha de uma inferioridade orgânica original. Portanto, para Adler a biologia era determinante na vida das pessoas.

Ele acabou sendo expulso do grupo por expor as suas ideias, opostas às ideias de Freud e da psicanálise então tida como única e original.

Carl Gustav Jung (1875 – 1961) foi presidente da Associação Internacional de Psicanálise, porém, também acabou divergindo o pensamento inicial da psicanálise. Para Freud, Jung era como um filho e herdeiro do movimento, isso acabou acarretando em diversos problemas.

Em 1912, Jung conferenciou em Nova York, na Universidade de Fordham e, ao invés de defender Freud, ele criticou as sua ideias e teorias básicas. Jung criticava as origens sexuais e infantis dos distúrbios neuróticos. Ele dizia que a psicanálise deveria ir além de sua ênfase exagerada na sexualidade, e em um artigo apresentado em 1913, em Londres, ele falou de uma “psicologia analítica”. O que acabou acarretando em um rompimento definitivo entre Jung e Freud.

Apesar de tantas divergências entre Freud e seguidores, vemos que essas divergências a respeito da natureza da psicanálise acabam refletindo a forma como ela se liga a outras áreas, como cultura, religião e história, ou a forma como se reflete nas sociedades.

Veja mas sobre Freud e seus seguidores da psicanálise em www.psicanaliseclinica.com/blogFreud e seus seguidores

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